Athlete interview:

Cameron Myler

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Professor, New York University

Professora adjunta, Universidade de Nova York


  • Member of the U.S. National Luge Team from 1985 to 1998
  • Competed on four Winter Olympics teams
  • Graduated from Dartmouth College, cum laude
  • Attended Boston College Law School and practiced law in New York
  • Adjunct Professor of International Sports Governance and Legal Issues in Sports at NYU
  • Athlete Ambassador for Kids Play International
  • Integrante da Equipe Norte-Americana de Luge de 1985 a 1998
  • Competiu em quatro equipes nas Olimpíadas de Inverno
  • Formada em Direito pela Boston College Law School, praticou advocacia em Nova York
  • Atualmente, é Professora de Governança Internacional de Esportes e de Questões Legais no Esporte da NYU, além de Atleta Embaixadora da Kids Play International

Q

How did you get into luge and what did it teach you?

Como entrou para o luge e o que o esporte lhe ensinou?

 

I saw luge for the first time at the 1980 Olympics in Lake Placid, where I grew up. It was inspiring for me to see the best athletes in the world coming together to compete and to get my first glimpse of what the Olympic Games were all about. After the Games, there was a two-week training program where anyone could try luge, so my parents, both teachers, said I could skip school and give it a try. From the very first time I got on the sled, I loved it. At the end of the two weeks, I won the Junior Olympics race, was invited back for another training camp and then ended up racing for another 18 years. I had a pretty long career in luge – 14 years on the National Team and 4 Olympics – so I learned a lot along the way. Athletes may not realize that many traits that enable us to succeed on the playing field – discipline, dedication, passion and creative problem solving – are incredibly useful in the business world as well.

Vi o luge pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de 1980, em Lake Placid, onde cresci. Foi uma grande inspiração ver as melhores atletas do mundo se reunindo para competir e ter o meu primeiro vislumbre do significado dos Jogos Olímpicos.

Pouco depois dos Jogos, organizaram um programa de treinamento de duas semanas onde todo mundo podia experimentar o luge. Então, meus pais, que eram ambos professores, disseram que eu podia faltar e participar do programa. Logo de cara, assim que subi no trenó, adorei. Ao término das duas semanas, ganhei a corrida da Olimpíada Júnior, fui convidada a retornar para outro programa de treinamento e acabei correndo por mais 18 anos.

Tive uma carreira bem longa no luge – 14 anos na Equipe Nacional e 4 Olimpíadas –, por isso, aprendi muito durante todo esse período. As atletas podem não perceber que muitas das características que nos permitem ser bem-sucedidas no campo esportivo – disciplina, dedicação, paixão e criatividade na solução de problemas – são incrivelmente úteis no mundo dos negócios também.

Q

Tell us about your professional experience post luge?

Conte-nos sobre sua experiência profissional depois do luge?

 

I practiced law for 10 years, first on Wall Street, then at a boutique media and entertainment firm where I focused on intellectual property matters, and also represented athletes and sports organization in eligibility and doping disputes. For the past two years, I’ve been teaching International Sports Governance, Amateur Sports Governance and Legal Issues in Sports at New York University, which I love because I’ve been able to combine my legal experience with my passion for sport. As someone who has benefited so much from my experiences as an athlete, I’m also very committed to using sport to make a difference in the world. Sport is a language that everyone speaks and it can be an incredibly effective tool for social development. I’ve been working with Kids Play International, a nonprofit that uses sport as a catalyst to promote gender equity in countries impacted by genocide. The two volunteer trips that I’ve been on to Rwanda with Kids Play are a couple of the most rewarding experiences I’ve ever had. I think it’s important to find a way to give back, and athletes have a great opportunity to use sport to do that.

Fui advogada durante 10 anos – primeiro em Wall Street, e, depois, numa empresa de entretenimento e boutique de mídia, onde me concentrei em matérias relativas à propriedade intelectual, além de representar atletas e organizações esportivas em disputas envolvendo doping e classificações.

Ao longo dos dois últimos anos, tenho ensinado Governança Internacional do Esporte, Governança de Esportes Amadores e Questões Jurídicas no Esporte, na Universidade de Nova York, algo que adoro, pois consegui combinar a minha experiência jurídica com a minha paixão pelos esportes. Como alguém que se beneficiou tanto das experiências como atleta, também tenho um forte compromisso com o uso do esporte para mudar o mundo.

A atividade esportiva é uma linguagem universal e que pode ser uma ferramenta incrivelmente eficaz para o desenvolvimento social. Tenho trabalhado com a Kids Play International, uma organização sem fins lucrativos que usa o esporte como um catalisador para promover a igualdade de gênero em países impactados por genocídios. As duas viagens voluntárias que fiz para Ruanda com a Kids Play foram das mais recompensadoras experiências da minha vida. Acho importante encontrar um modo de retribuir à comunidade, e os atletas contam com uma ótima oportunidade de usar o esporte para fazer isso.

Q

You competed for 18 years and got an education while you competed. Is it important to get a good education and how did you accomplish both?

Você competiu por 18 anos e, durante esse período, não se descuidou dos estudos. É importante ter uma boa educação? Como conseguiu conciliar as duas coisas?

 

Education is incredibly important! I went to Dartmouth while I was still competing, and it was a great fit because I was able to train with the luge team in the fall and winter, and then go to school in the spring and summer. It took me 7 years to finish, but I loved that time because I had a balance in my life between athletics and academics. I know it can be a challenge for athletes to fit school into their training schedules, but if you don’t take responsibility for your education, no one else is going to do it for you. The great news is that you don’t have to be in one place for 4 years to get a degree any more. There are a number of more flexible options, including taking classes online, which means you don’t have to wait until the end of your athletic career to start your education. That also means when you retire at 30, you don’t have to go back to school with 19 year olds, or compete with 23 year-olds for jobs. So, I think to whatever extent possible, athletes should be proactive and try to find some solutions that will work.

A educação é algo incrivelmente importante! Frequentei Dartmouth enquanto ainda estava competindo, e foi uma ótima combinação, pois consegui treinar com a equipe de luge no outono e no inverno e, em seguida, fui para a faculdade na primavera e no verão. Demorei sete anos para terminar, mas amei essa época, pois havia um equilíbrio entre a minha vida acadêmica e a minha vida esportiva. Sei que pode ser um desafio para atletas conseguirem encaixar os estudos na agenda de treinamentos, mas, se você mesma não se responsabiliza por sua educação, ninguém mais vai fazer isso por você.

A grande novidade é que você não precisa mais passar quatro anos no mesmo lugar para se graduar. Existem várias opções mais flexíveis, inclusive assistir a aulas on-line, o que significa que você não precisa esperar até o final da sua carreira esportiva para dar sequência aos estudos. E isso também significa que, quando você se aposenta aos 30, não precisa voltar à escola junto com gente de 19 anos, ou competir por trabalho com jovens de 23 anos. Então, acho que, na medida do possível, as atletas devem ser proativas e tentar encontrar soluções que funcionem.

 

Q

Did you find your athletic career gave you any advantages in the professional world?

A sua carreira esportiva lhe proporcionou alguma vantagem no mundo profissional?

 

When I was interviewing with big law firms in New York, my experience as an Olympian was the first thing everyone wanted to talk about. In the first round of interviews, you have 20 minutes to distinguish yourself from thousands of other applicants, so it was a great way to start the conversation and stand out from the crowd. It’s not likely that being an Olympian is going to be enough on its own to get you a job, but it can be a great way to open doors. I also think people make certain (correct) assumptions about qualities Olympians have that would be an asset in the workplace: being focused, having discipline, understanding what it takes to achieve your goals and being prepared to do everything necessary to get the job done.

Quando estava sendo entrevistada por grandes escritórios de advocacia em Nova York, a minha experiência como atleta olímpica era a primeira coisa sobre a qual todos queriam conversar. Na primeira rodada de entrevistas, você tem 20 minutos para diferenciar-se dos milhares de outros candidatos, por isso, foi um grande modo de começar a conversa e se destacar da multidão.

Não é que ser uma atleta olímpica vai ser o suficiente para que você consiga um emprego, mas pode ser um grande meio de abrir portas. Também acho que as pessoas fazem determinadas suposições (corretas) sobre as qualidades que atletas olímpicos têm e que seriam um grande ativo no mercado de trabalho: ter foco, ter disciplina, entender o que é necessário para atingir seus objetivos e estar preparada para fazer tudo o que for necessário para que o trabalho seja um sucesso.

Q

Do you have long-term advice for athletes preparing to go to the Rio games?

Você tem algum conselho de longo prazo para as atletas que estão se preparando para ir aos jogos do Rio?

 

When you’re competing, setting a goal is pretty easy because it’s usually about winning a medal at the Olympics or setting a world record. Once you leave that very structured environment of sport, you’re not limited in your choices. The range of options can be overwhelming, so it’s important to do a little homework before jumping into something. Consider what you like to do, what you’re good at, what kind of environment you might want to work in, and how you can use your unique talents and experiences in the workplace. A lot of people, not just athletes, just think, “oh that would be a really cool job” without really understanding what it might be about. I definitely did some of that myself when I chose law. I don’t regret having practiced for 10 years, as the experience was incredibly valuable and the skills that make you a good lawyer are useful in many other business contexts. While I wouldn’t trade that experience, practicing law didn’t use all of my unique experiences, skills and talents, so I decided to find a career that did. One thing I’m really enjoying about teaching at NYU is that it combines my interest in sports and law, and I get the chance to make a difference. My advice is to do your homework, and be as proactive about your professional career as you were about your athletic career.

Quando você está competindo, definir uma meta é bem fácil porque, normalmente, se trata de ganhar uma medalha na Olimpíada ou de bater um recorde mundial. Assim que deixa esse ambiente muito estruturado do esporte, você não está mais limitada nas suas escolhas. A gama de opções pode ser tremenda. Por isso, é importante analisar a situação antes de tomar alguma decisão. Avalie o que você gosta de fazer, o que você sabe fazer bem, em que tipo de ambiente gostaria de trabalhar e como pode usar as suas experiências e talentos únicos no local de trabalho.

Muitas pessoas, não apenas atletas, simplesmente pensam: “Ah, aquele seria um emprego bem legal”, sem realmente entender do que se trata. Eu, definitivamente, fiz algumas coisas assim quando optei por Direito. Não me arrependo de ter advogado por 10 anos, já que a experiência foi incrivelmente valiosa, e as habilidades que fazem de você uma boa advogada são úteis em muitos outros contextos de negócios. Apesar de não trocar essa experiência por nada, a advocacia não fez uso de todas as minhas experiências, talentos e habilidades.

Por isso, decidi encontrar uma carreira que fizesse isso. Uma das coisas de que realmente estou gostando ao lecionar na Universidade de Nova York é que isso combina o meu interesse nos esportes e na lei, e tenho a chance de fazer a diferença. O meu conselho é que você faça a sua lição de casa, e seja tão proativa na sua carreira profissional quanto foi na sua carreira esportiva.

Q

What were some professional frustrations you experienced along the way?

Quais foram algumas das frustrações profissionais que você experimentou ao longo do caminho?

 

When I was competing in luge, there were days I was the very best in the entire world. When I was practicing law, I was a very good lawyer, but I knew I was never going to be the very best, even in my own law firm. That was frustrating, but on the other hand, I learned an incredible amount, had the opportunity to work with some incredibly talented people, learned to push myself in new ways and gained invaluable skills that I now use every day.

Quando estava competindo no luge, havia dias em que era a melhor em todo o mundo. Quando estava advogando, era uma profissional muito boa, mas sabia que jamais seria a melhor, nem mesmo no meu próprio escritório de advocacia. Se, por um lado, isso foi frustrante, por outro, aprendi muito, tive a oportunidade de trabalhar com algumas pessoas incrivelmente talentosas, aprendi a dar o máximo de mim de novas maneiras e ganhei habilidades valiosíssimas que agora uso todos os dias.

Q

If I were a retiring athlete, what should my first step be in making the transition to a new career?

Se eu fosse uma atleta prestes a me aposentar, qual deveria ser meu primeiro passo para fazer a transição para uma nova carreira?

 

Take some time to figure out what might be a good fit for you professionally. I think career coaches can be really useful in this respect and can help athletes through the process of transitioning from sport to business. A coach’s purpose is not to tell you what to do, but to help you think about what skills you have, what you like to do, what you’re good at, how you want to work, and what your goals are. Some of those questions can be difficult to figure out on your own. I myself found meeting with a career coach very useful, because the questions he asked and the homework I had to do helped me identify what I wanted. It’s important to be actively engaged in the process of figuring out what your career will be. If you don’t know what you’re looking for, you’re probably not going to find it.

Pense durante algum tempo sobre qual seria uma boa combinação para você profissionalmente. Acredito que orientadores vocacionais podem realmente ser úteis nesse sentido e podem ajudar atletas no processo de transição do esporte para os negócios. O papel de um orientador vocacional não é dizer o que você pode fazer, mas ajudá-lo a pensar sobre quais os seus talentos, o que você gosta de fazer, quais os seus pontos fortes, como você quer trabalhar e quais são os seus objetivos. Algumas dessas questões podem ser difíceis de descobrir sozinha.

Eu mesma achei muito útil me encontrar com um orientador vocacional, porque as perguntas que ele fez e o dever de casa que tive que fazer me ajudaram a identificar o que eu queria. É importante estar ativamente engajada no processo de descoberta sobre qual será a sua carreira. Se você não sabe o que está procurando, provavelmente não vai encontrar.


The views of third parties set out in this publication are not necessarily the views of EY. Moreover, the views should be seen in the context of the time they were expressed.

As opiniões de terceiros emitidas nesta publicação não refletem necessariamente as opiniões da EY. Além disso, as opiniões devem ser vistas no contexto do período em que foram emitidas.

Cameron "Cammy" Myler, US

Cameron "Cammy" Myler, EUA

Athlete interview:

Entrevista com a atleta: