O choque da Copa

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Por Marcos Nicolas
 
Faltam pouco menos de 500 dias para o apito inicial no Maracanã em 2014 e apenas quatro meses para o Brasil sediar a Copa das Confederações. A contagem regressiva para os dois eventos, no entanto, já começou há algum tempo e não se encerrará no apagar das luzes dos estádios. Vivemos um momento único para termos o que chamo de Choque de Copa, isto é, o engajamento entre prefeitos, governadores, governo federal, e Fifa para desenhar, em torno das seis cidades-sede do evento teste, um tratado para o sucesso desse evento, capaz de motivar e transformar toda a nação.
 
Não há momento mais propício para um choque de gestão como agora, com a urgência do Mundial e com a possibilidade de, a partir da Copa das Confederações, disseminar rapidamente as ações de êxito comprovado, e criar planos para corrigir os problemas identificados.
 
Um choque de gestão promoveria um modelo transparente, eficiente, integrado entre todas as instituições, cidades-sede e cidades de concentração.
 
Teria ainda um planejamento em longo prazo, voltado para resultados concretos, não apenas para os megaeventos, mas que reverberem pelas próximas décadas e gerações futuras.
 
A Copa do Mundo será para nós brasileiros um marco na trajetória de modernização da infraestrutura de nosso País e na construção de uma verdadeira potência mundial. Ela deve ser encarada como um meio, e não um fim, para que se alavanquem grandes investimentos e consequentes melhorias nas cidades — seja em capacitação, infraestrutura, serviços. É ainda o momento para que os prefeitos recém-eleitos tomem consciência e atuem imediatamente para que isso traga ainda o engajamento da população. Essa foi uma peça fundamental para o sucesso de megaeventos passados, como as Olimpíadas em Londres (2012) e Barcelona (1992).
 
O apoio da população só será possível a partir de ampla comunicação, gestão clara e uma agenda positiva. É preciso mostrar que muita coisa já está sendo entregue, e que os governos, iniciativa privada e sociedade conjugam uma palavra de ordem: mobilização.
 
Com esse Choque da Copa teríamos um novo modelo de gestão e também uma nova mentalidade no País, passando a contar com instituições fortes, que unem esforços em torno de um objetivo comum, sem bairrismos e visando a um movimento de transformação mais amplo. A Copa tem o papel de fazer do Brasil um país que faz acontecer, com reconhecimento internacional, cuja população passaria a exigir e buscar um patamar superior de serviços, infraestrutura, e qualidade de vida. É a chance singular de ver florescer uma nova geração com uma autoestima muito maior, à luz de novos horizontes.
 
Esse seria o mais importante legado que a Copa deixaria ao País, ou melhor, deixará. Não temos escolha, o país já respira os ares da Copa com a esperança de trazer mais um título no campo e a convicção de uma grande vitória que precisa ser consolidada fora das quatro linhas, com talento, profissionalismo, dedicação, ações rápidas e bem estruturadas para potencializar os legados que já podem ser percebidos e convertê-los em desenvolvimento sustentável.
Avante Brasil!

 
*Marcos Nicolas é diretor-executivo de consultoria da EY

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