Economia da Zona do Euro deve piorar ainda mais no 2º semestre, aponta relatório
da Ernst & Young
Previsão trimestral da multinacional de auditoria e consultoria prevê uma contração de 0,6% no PIB da região em 2012 antes de uma modesta melhora no ano que vem São Paulo, 29 de junho de 2012 – Embora a formação de um novo governo na Grécia tenha contribuído para desviar a atenção sobre as preocupações a respeito do futuro da Zona do Euro, a saúde da economia europeia continua suscetível à piora nos próximos seis meses, antes de uma fraca recuperação em 2013. Essa é a previsão do relatório Eurozone Forecast, elaborado pela Ernst & Young. Além disso, há riscos previstos, principalmente se os políticos não chegarem a um acordo na cúpula dos líderes do bloco que termina nesta sexta-feira em Bruxelas.
“Qualquer tipo de recuperação depende do engajamento dos líderes políticos e financeiros da Zona do Euro em tomar medidas de controle nas próximas semanas de forma a evitar os problemas mais urgentes que afetam Espanha, Itália e Grécia”, afirma Mark Otty, sócio responsável por Europa, Oriente Médio, Índia e África da Ernst & Young. “Flexibilidade e uma liderança firme são essenciais para fazer com que as discussões progridam ao invés de simplesmente adiar o problema. O árduo equilíbrio entre crescimento e austeridade deve ser encontrado sem que um exclua o outro.”
O relatório assume que o programa de austeridade grega continuará e que outros membros da Zona do Euro, como a Espanha e a Itália, evitarão sérias turbulências financeiras. Se este cenário se concretizar, algumas das aversões a risco que têm permeado mercados financeiros, empresas e famílias europeias, nos últimos meses, começarão a diminuir no final de 2012, apesar de a previsão para toda a Zona do Euro neste ano ser de redução de 0,6% no PIB. Uma possível recuperação em 2013 será modesta devido às turbulências que acometem o bloco – o crescimento esperado para o próximo ano é de 0,4%.
Com a redução do aperto fiscal e o aquecimento da economia global, previstos para acontecer a partir de 2014, a previsão é a de que o PIB do bloco cresça 1,7% em 2014 e 2% em 2015 e 2016.
O crescimento está longe de ser consistente em toda a região, dado o distanciamento cada vez maior entre as economias mais avançadas, localizados principalmente no Norte, e seus vizinhos do Sul. Nos últimos 18 meses, essa disparidade só tem aumentado. Enquanto alguns dos principais países da Zona do Euro conseguirão evitar a recessão neste ano e registrar um crescimento razoável no ano que vem, a previsão é a de que não haverá avanço nos países periféricos até 2014. Além disso, os altos níveis de desemprego registrados nesses países podem ameaçar a estabilidade do bloco.
“Os líderes financeiros e políticos da Zona do Euro devem assumir a liderança de forma mais determinada e concentrada do que têm se disposto a fazer nos últimos dois anos. Não há mais tempo para debate e a necessidade de ação, começando pela cúpula em Bruxelas, está se tornando cada vez mais urgente”, afirma Marie Diron, consultora econômica sênior para Ernst & Young Eurozone Forecast.
Grécia
As recentes eleições gregas tiveram como vencedores uma coalizão de partidos favoráveis ao programa de austeridade imposto pelos credores do país – a União Europeia e o FMI (Fundo Monetário Internacional). No entanto, os partidos de oposição ao plano receberam um significativo número de votos, o que faz com o que o risco para implementar medidas fiscais e de reforma no país se tornem tão grandes que resultarão em uma eventual saída da Grécia da Zona do Euro. Embora esse risco tenha se intensificado nos últimos meses, o relatório da Ernst & Young continua assumindo que a estrutura atual se manterá.
“O fracasso em salvar a Grécia afetaria a confiança do mercado quanto à capacidade da Zona do Euro em recuperar outros países em dificuldade, levando a um aumento na evasão de divisas de países como a Espanha, Itália e Portugal. O fato em si poderia aumentar ainda mais a evasão de divisas e levar ao colapso da moeda única, com impactos sociais e econômicos devastadores”, diz Marie Diron.
Setor bancário
O alívio trazido pela segunda rodada da operação de refinanciamento de longo-prazo (LTRO), realizada pelo Banco Central Europeu (ECB), foi bem recebido pelos mercados e reduziu o risco iminente de contração no crédito. Os bancos informaram que os padrões exigidos de potenciais mutuários se estabilizaram, enquanto que as posições de liquidez das próprias instituições e o acesso ao financiamento também parecem estar estabilizados após a queda acentuada de 2011. No entanto, a busca por empréstimos foi significativamente mais fraca no início do segundo trimestre de 2012 e, mesmo com a contração do crédito tendo sido evitada, isso não tem incentivado o apetite das empresas ou do consumidor por empréstimos.
Segundo Marie Diron, embora a probabilidade de uma crise de crédito no futuro imediato tenha sido por ora evitada, o setor bancário da Zona do Euro ainda precisa passar por uma profunda e prolongada reestruturação que irá restringir a disponibilidade de crédito por algum tempo.
Desemprego em alta
A constante divergência no desempenho econômico da Zona do Euro continua aumentando as diferenças nos mercados de trabalho. A taxa de desemprego aumentou para quase 25% na Espanha, 22% na Grécia, e 15% em Portugal. Isso prejudicou ainda mais o investimento, a demanda doméstica e a habilidade dos governos apresentarem planos de redução do déficit fiscal. Enquanto isso na Alemanha, Áustria e Países Baixos, o desemprego permanece abaixo dos 6%.
A deterioração do mercado de trabalho, baixo crescimento do salário e a incerteza em torno do futuro da moeda única europeia estão afetando a confiança do consumidor. De acordo com pesquisas recentes, com exceção da Alemanha – onde as famílias estão razoavelmente otimistas –, a confiança do consumidor continua em queda nos últimos meses.
Consequentemente, o Eurozone Forecast estima que o consumo efetivo cresça na casa de 0,9% na Alemanha em 2012, 0,2% na França, e que fique estagnado ou em queda na maior parte dos outros países. Com a redução da incerteza sobre o futuro da Zona do Euro no início de 2013, a previsão é a de que o consumo recupere o ímpeto nos principais países, aumentando em 1%.
No entanto, os gastos das famílias nos países periféricos tendem a cair ainda mais em 2013 para somente atingir seus níveis mais baixos em 2014.
Crescimento x Austeridade
Em contrapartida a este cenário obscuro e de risco, iniciou-se um debate político focado em encontrar possibilidades de gerar um crescimento rápido, sem o qual os programas de austeridade podem se tornar autodestrutivos.
“Para alguns, o debate entre a austeridade e o crescimento representa uma escolha simples – mas essa simplificação é perigosa. Dada a exposição dos bancos da Zona do Euro à dívida soberana, a estabilidade fiscal e o sistema financeiro estão mais interligados do que nunca. Portanto, a estabilidade fiscal é fundamental para a recuperação do setor bancário e concessão de financiamentos para investimento e crescimento”, acrescenta a consultora da Ernst & Young Terco.
Os elementos da política fiscal podem ser ajustados de forma que sejam favoráveis ao crescimento. A composição dos gastos do governo pode ser alterada para estimular o crescimento, passando de gastos correntes para dispêndio de capital. Países da Zona do Euro que são mais sólidos sob o ponto de vista fiscal poderiam deixar de focar tanto nos planos de consolidação a fim de impulsionar a demanda doméstica, ajudando a estimular a atividade nos outros países.
Um segundo componente essencial para uma estratégia de crescimento deve compreender a ampliação do comércio através dos chamados mercados de rápido crescimento (RGM, na sigla em inglês) – ao contrário de outros países, a Alemanha já está desfrutando um crescimento substancial em suas exportações para a China e para outros locais. Trata-se de um desafio a ser seguido por Itália e Espanha, entre outros. A fim de garantir uma competitividade contínua, principalmente nos países periféricos da União Europeia, a Alemanha pode ter que aceitar salários e índices de inflação mais altos no mercado interno. Uma solução de curto prazo seria encontrar um ponto de tração entre os legisladores alemães, mas a sua durabilidade é incerta.
Mais dificuldades à frente
Embora o relatório trimestral da Ernst & Young assuma que a Zona do Euro permanecerá intacta – com base no compromisso novamente assumido pelo governo grego com relação ao plano de austeridade e na diminuição das pressões sobre a Espanha e a Itália –, o bloco terá um ano difícil. Sem uma recuperação na confiança dos consumidores e das empresas e o fantasma das altas taxas de desemprego, o cenário permanece obscuro.
“Embora esperemos que a Zona do Euro permaneça intacta, intensificaram-se os riscos de uma ruptura no trimestre passado. Assim, há um interesse comum em não só manter distância da crise financeira, mas também gerar um aquecimento sustentável na região. Esta mudança no foco é bem-vinda, mas tem que ser sustentada por um compromisso contínuo com a disciplina fiscal. Isso também exigirá decisões difíceis de serem tomadas em todas as economias e não apenas naquelas onde a crise é mais grave”, diz Marie Diron.
“Tão importante quanto corrigir problemas de curto prazo, os legisladores na Zona do Euro não deveriam perder de vista problemas mais importantes e de longo prazo. Mesmo ao fim deste período de incerteza e com o retorno de algum tipo de estabilidade, os europeus terão de olhar cuidadosamente para o futuro econômico do bloco. A produtividade em grande parte da Europa fica bem atrás da de outras partes do mundo e as práticas de trabalho são muitas vezes ultrapassadas. Isto combinado ao envelhecimento da população levanta dúvidas importantes. A Zona do Euro está num momento crítico para a sua sobrevivência e sucesso. Será necessário ter criatividade, flexibilidade, uma mensagem clara e compreensão por parte dos líderes de que o povo deve ser levado junto a eles”, conclui Mark Otty.
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