EY - In my own words: Patricia Audi
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Patricia Audi
Secretary of Planning, Management and Control, City of Niterói, Brazil

Q

Briefly introduce yourself and tell us about your career milestones

 

I started my career in the private sector. However, during the first few years, it became clear that I felt better suited to the public sector, largely as I had a strong desire to help improve my country. Having worked on public tenders, my ambition was to help influence public policies that would impact a large number of Brazilians.

I’ve worked for the three branches of government: legislative, executive and judiciary. In the Federal Government, I learned a lot about how to deal with inequalities and prejudice when I worked at the National Secretariat of Human Rights. I have also served as the Director of Benefits at the National Institute of Social Security, a role where I helped the 21 million Brazilians who every month receive a public pension.

A few years later, I helped coordinate the implementation of policy recommendations arising from the Fight against Slave Labor Project, produced by the International Labor Organization. The project was recognized worldwide as a reference and, again, I realized how well-targeted public policies can influence the lives of thousands, and even millions of people.

I was appointed as Management Assistant Secretary at the Ministry of Planning, and, later, to the post of Director of Management and Social Policy at the Secretariat of Strategic Affairs of the Presidency of the Republic. In this role, I could contribute to the development of the National Agenda for Public Management, an initiative that involved all branches of government, states, municipalities, universities and the private sector. We focused on identifying bottlenecks and suggesting viable solutions that could improve the management and implementation of public policies in Brazil.

As I was curious about the experience of working in State Government, I accepted the invitation to work at the Department of Social Welfare and Human Rights of Rio de Janeiro. I helped design and implement the “Rio Without Poverty Plan”, which has helped to take one million people out of absolute poverty in Rio de Janeiro. As part of the project, I also focused on raising education standards in high school for the children of families assisted by the program.

Recently, another challenge has excited me. A year ago I started to work for the City of Niterói as Secretary of Planning, Management and Control. In Local Government, public policies often feel ‘closer’ to the citizen. This is because problems are more immediate and they require quick responses from policy-makers. It has been 12 months of intense work, seeking to meet the demands of local people who want, and expect, high-quality public services, but it is the type of challenge that motivates me and makes me want to keep moving forward.


Q

While women are well represented in the public sector, our research shows that fewer hold leadership positions. What was a defining move or decision you made that helped you progress your career to be where you are today?

 

In my opinion, women are not yet well represented in the public sector. Although there are more women than men in total, the proportion of women drops dramatically when we analyze the leadership positions.

My personal attitude has been to never contradict my values, my principles or go against what I consider right and ethical — and I think this has helped me progress my career, while at the same time being able to take care of my children, house and so on. My professional obligations often conflict with my personal responsibilities and I have to balance my roles as mother, executive and housewife.

I always try and stay true to the values by which I was raised by my family, as well as my education. Whatever the pressures of the job, I try and take a step back and apply common sense with the certainty that even if I am wrong, I will make mistakes while trying to do the right thing. I also understand that a woman’s perspective is different from a man’s, and that these differences are complementary. I always value women’s potential and try not to mirror what a man would expect or do. It is important to embrace what’s different about being a woman and appreciate our humane, sensitive and attentive qualities.


Q

What advice would you offer women in the public sector who are mid-way in their careers and aspiring to more senior roles?

 

We should place great value on our education, professional perspectives and work experiences, but we should not forget the many feminine qualities such as sensitivity, leadership, and the ability to work under pressure and set priorities. We should avail ourselves of these qualities when making decisions, leading teams, arguing, listening and learning to impose our opinions.

Most importantly, we should aim to contribute to a more equitable and humane world. We have a great opportunity to help many people. May we always have care for one another, appreciation of the possibility of improving the lives of those in most need, and a great respect for those who think differently.


Patricia Audi
Secretary of Planning, Management and Control, City of Niterói, Brazil

Nas minhas próprias palavras

Nós queremos saber sobre sua jornada em direção à liderança no setor público. Outras mulheres líderes no setor público ao redor mundo também querem ouvir. Sua história é única e pessoal. Conte-nos a trajetória de sua carreira e as decisões que a trouxeram até aqui.

Conte em suas próprias palavras – nós não vamos mudar sua história.

Postaremos o seu perfil pessoal em nossa página na internet e o compartilharemos na rede Worldwide Women Public Sector Leaders Network* do LinkedIn e também em outras conectadas através da mídia social.

Conte sua história respondendo as perguntas abaixo:

Pergunta Sua resposta (na primeira pessoa)

Faça uma breve introdução de si, fornecendo detalhes dos principais momentos de sua carreira.

Comecei minha carreira no setor privado. Ao longo dos primeiros anos entretanto, minha vocação naturalmente foi sendo direcionada para a área pública aliada a um grande desejo em contribuir para a melhoria das condições do meu país. Descobri que as melhor forma de fazer isso seria de alguma forma, influenciar políticas públicas que alcançassem um número grande de brasileiros.

Foram três concursos públicos e a sensação de conhecer diferentes formas de estar perto das políticas públicas. Transitei entre os três poderes: Legislativo, Judiciário e Executivo – onde a possibilidade de elaborar as políticas e implementá-las me pareceu próxima e tangível.

No Governo Federal, aprendi muito enfrentando desigualdades e preconceitos quando trabalhei na Secretaria Nacional de Direitos Humanos.

Convidada para trabalhar como Diretora de Benefícios no INSS, tive a oportunidade de alcançar mensalmente 21 milhões de brasileiros que eram contemplados com a previdência pública no Brasil. Somente na área que dirigia eram mais de 18mil funcionários espalhados nas mais de mil agências em todo país.

Anos depois, tive a oportunidade de experimentar a implementação de políticas públicas em um organismo internacional, coordenando o projeto de Combate ao Trabalho Escravo pela Organização Internacional do Trabalho. O projeto foi reconhecido mundialmente como uma referência e de novo, percebi o quanto políticas públicas bem direcionadas podem influenciar a vida de milhares e até milhões de pessoas.

Anos depois fui convidada a trabalhar como Secretária Adjunta de Gestão no Ministério do Planejamento e como Diretora de Gestão e Políticas Sociais na Secretaria de Assuntos Estratégicos na Presidência da República, quando pude contribuir na elaboração da Agenda Nacional de Gestão Pública, uma discussão que envolveu todos os poderes, Estados e Municípios, Universidades e Setor Privado, diagnosticando os principais gargalos e apontado soluções viáveis para a melhoria da gestão e da implementação de políticas públicas no Brasil.

Curiosa com a experiência de atuar em um Estado, aceitei o convite para trabalhar na Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Estado do Rio e participar da elaboração e implementação do Plano Rio sem Miséria, que em dois anos, contribuiu para retirar 1MM de pessoas da miséria absoluta no Rio de Janeiro e atuar no estímulo a melhoria da educação no Ensino Médio para os filhos das famílias atendidas pelo Programa.

Atualmente, outro desafio me desperta: há um ano fui convidada para atuar no Município de Niterói como Secretária de Planejamento, Gestão e Controle, quando a atuação da política pública está mais próxima do cidadão, onde os problemas são imediatos e exigem uma capacidade de resposta rápida do poder público. São 12 meses de um intenso trabalho, buscando atender à demanda de uma população carente e exigente por serviços públicos de qualidade. Mais um desafio, que me motiva e faz seguir em frente...

Ainda que as mulheres estejam bem representadas no setor público, nossa pesquisa indica que poucas mantêm posição de liderança. Você faz parte dessa minoria.

Qual foi sua decisão ou atitude determinante para que sua carreira progredisse e ajudasse você a estar onde está hoje?

Para mim, as mulheres ainda não estão bem representadas no setor público. Embora numericamente tenham até uma representatividade maior, quando analisamos os cargos de liderança, a proporção feminina cai vertiginosamente.

Uma descoberta determinante em minha vida profissional para que minha carreira progredisse foi que sou uma única pessoa, que trabalha, cuida da casa, faz compras e se emociona com os filhos. A atitude que resolvi adotar foi que nunca deveria contrariar meus valores, meus princípios e ir contra aquilo que julgava certo e ético.

Muitas vezes, a profissional se confrontou com a pessoa e muito cedo descobri que a mãe, a esposa, a executiva, a dona de casa são papéis diferentes da mesma pessoa.

Que tudo o que tinha aprendido com a minha família, com a minha educação, levaria para o resto da minha vida, onde estivesse, exercendo o papel que estivesse fazendo.

Quando as situações eram muito difíceis e exigiam tranquilidade e uma tomada de decisão rápida, o que prevaleceu sempre foi o bom senso, o equilíbrio e a certeza de que mesmo que estivesse errando, errava por agir e tentar acertar.

Outra decisão foi entender que o universo feminino é diferente do masculino e que as diferenças são necessárias e complementares. Que deveria agir sempre valorizando as potencialidades femininas e não tentando me igualar naquilo que o mundo masculino tem como qualidade. Resolvi adotar uma postura feminina diferenciada, mais humana, sensível e atenta.

Em sua opinião, o que facilitaria às mulheres alcançarem posições de liderança?

Eu acho que deveríamos nos utilizar de características que nos fazer destacar no mercado de trabalho: a capacidade de tratar de diversos assuntos ao mesmo tempo e estabelecer prioridades dentre elas, de mensurar melhor o equilíbrio necessário entre capacidade de trabalho e inteligência emocional.

Que conselho você daria às mulheres do setor público que estão a meio-caminho em suas carreiras e visam cargos mais altos?

Devemos valorizar a formação, a postura profissional e as experiências no trabalho mas não devemos nos esquecer das inúmeras qualidades femininas como a sensibilidade, a capacidade de liderança, de atuar sob pressão e de estabelecer prioridades. Devemos nos valer delas na hora de tomar decisões, liderar equipes, argumentar, ouvir e saber impor nossas opiniões.

Mas principalmente, devemos ter como meta o interesse público em contribuir de uma maneira mais igualitária e humana para o mundo ou pelo menos, para o público-alvo das políticas que formulamos e implementamos. Temos uma grande oportunidade de alcançar muitas pessoas. Que tenhamos sempre o cuidado com o outro, a possibilidade de melhorar a vida daqueles que mais precisam e um grande respeito aqueles que pensam diferente de nós.

*Rede Global de Mulheres Líderes do Setor Público (tradução livre)