Quota de IDE global em África aumentou nos últimos cinco anos

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  • Quota global de IDE em alta, mas o número de projetos diminuiu em 2012
  • PIB africano nos 4% em 2013 e 4,6% em 2014 segundo as estimativas

A quota de investimento direto estrangeiro (IDE) global em África cresceu nos últimos cinco anos, destacando o interesse crescente dos investidores estrangeiros, de acordo com o terceiro relatório Africa Attractiveness Survey (pdf, 2.8mb)  publicado hoje pela Ernst & Young.

O relatório combina uma análise de investimento internacional em África nos últimos cinco anos com um inquérito em 2013 a mais de 500 líderes globais de negócios relativamente à sua opinião sobre o potencial do mercado africano. Os últimos dados revelam que, não obstante uma diminuição do número de projetos de 867 em 2011 para 764 em 2012 — de acordo com a tendência global — o número de projetos é, ainda assim, significativamente mais alto do que aquele registado antes do pico atingido em 2008. A quota global de IDE do continente também cresceu de 3,2%, em 2007, para 5,6% em 2012.

Mark Otty, sócio gerente para a região EMEIA da Ernst & Young, comenta:“Um processo de democratização que se enraizou em grande parte do continente; melhorias contínuas do ambiente de negócios; crescimento exponencial do comércio e do investimento e melhorias substanciais na qualidade de vida humana criaram uma plataforma para o crescimento económico de um grande número de economias africanas na década passada”.

Apesar do impacto da situação económica mundial atual, o tamanho da economia africana mais do que triplicou desde 2000. As previsões também se afiguram positivas, prevendo-se que a região, no seu todo, cresça 4% em 2013 e 4,6% em 2014. Prevê-se que algumas economias africanas continuem a estar entre aquelas que mais rapidamente crescem em todo o mundo num futuro próximo.

86% dessas economias com uma presença consolidada no continente acreditam que o caráter atrativo de África como lugar para fazer negócios irá continuar a melhorar. Os inquiridos classificam África como o segundo destino de investimento regional mais atrativo no mundo, logo após a Ásia.

Aumento do investimento dos mercados emergentes

O investimento em projetos de IDE realizado pelos mercados desenvolvidos sofreu uma queda de 20%. Apesar de os projetos de IDE do Reino Unido terem aumentado (a 9% ao ano), os dos EUA e da França — os outros dois principais investidores de mercados desenvolvidos em África — diminuíram consideravelmente. Por outro lado, os investimentos dos mercados emergentes em África cresceram novamente em 2012, continuando a tendência dos passados três anos.

No período desde 2007, a taxa de projetos de IDE de mercados emergentes em África cresceu à saudável taxa acumulada de mais de 21%. Em comparação, o investimento dos mercados desenvolvidos registou um crescimento de escassos 8%. Os principais contribuintes dos mercados emergentes são a Índia (237), África do Sul (235), EAU (210), China (152), Quénia (113), Nigéria (78), Arábia Saudita (56) e Coreia do Sul (57) todos eles entre os principais 20 investidores durante esse período.

O investimento intra-africano foi particularmente digno de nota durante o período homólogo, com um crescimento à taxa acumulada de 33%. A África do Sul tem estado na linha da frente no que toca ao crescimento no comércio intra-africano e investimento de mercados emergentes mais amplos – (o único grande investidor em projetos de IDE em 2012 com exceção da África do Sul). O Quénia e a Nigéria também realizaram investimentos avultados, mas prevê-se que outros países, como por exemplo Angola, que possui um fundo soberano de 5 mil milhões de USD, se tornem investidores cada vez mais destacados no continente ao longo dos próximos anos.

Ajen Sita, sócio gerente para a região de África da Ernst & Youngcomenta: «Há uma confiança e optimismo cada vez maiores no seio dos próprios africanos sobre o progresso e o futuro do continente».

Houve também uma mudança importante na ênfase do investimento no continente nos últimos anos em termos de mercado de destino e de setores. Apesar de o investimento na África Setentrional ter, em grande parte, estagnado, os projetos de IDE na África Subsariana têm registado um crescimento à taxa acumulada de 22% desde 2007. Entre os países com o melhor desempenho a atrair um número crescente de projetos contam-se o Gana, a Nigéria, o Quénia, a Tanzânia, Zâmbia e Moçambique, Maurícia e a África do Sul.

Percepção versus realidade

O nosso inquérito Africa Attractiveness Survey de 2013 revela alguns avanços em termos das perceções dos investidores desde o inquérito inaugural de 2011. A maioria dos inquiridos está otimista quanto aos avanços feitos e às previsões para África. A África também ganhou terreno em relação a outras regiões mundiais. Em 2011, a África só estava classificada à frente de outras duas regiões, enquanto este ano se classificou à frente de cinco outras regiões (os antigos estados soviéticos, Europa Oriental, Europa Ocidental, Médio Oriente e América Central).

No entanto, há ainda uma grande lacuna de percepção entre os inquiridos que se encontram atualmente a fazer negócios em África e aqueles que ainda não investiram no continente. Os que têm um negócio consolidado em África têm uma visão extremamente positiva. Compreendem os riscos operacionais reais e não os riscos percecionados, experienciaram o progresso alcançado e veem as oportunidades de crescimento futuro. 86% destes líderes de negócios julgam que o caráter atrativo de África como lugar para fazer negócios vai continuar a melhorar e classificam África como o segundo destino regional de investimentos mais atrativo no mundo logo a seguir à Ásia.

Por outro lado, os que não contam com uma presença comercial em África são muito mais negativos sobre o progresso e as perspetivas de África. Apenas 47% desses inquiridos julgam que o caráter atrativo de África irá melhorar nos próximos três anos e classificam África como o destino de investimento menos atrativo do mundo.

Os dois desafios fundamentais que se colocam para os que já estão presentes ou para aqueles que tencionam investir em África são a infra-estrutura de transportes e logística e a corrupção ativa e passiva. No entanto, estão a ser tomadas medidas em ambos os setores para ajudar a apaziguar o medo dos investidores.

As carências ao nível das infra-estruturas, particularmente em logística e eletricidade, são consistentemente citadas como os maiores desafios para quem faz negócios em África. No geral, o crescimento de África também terá limitações intrínsecas até que as carências ao nível das infra-estruturas sejam resolvidas. O outro lado deste desafio, no entanto, é esse forte crescimento que tem estado a acontecer, não obstante essas limitações infra-estruturais. Isto indica o potencial de não apenas manter, como também acelerar o ritmo de crescimento, à medida que os problemas são resolvidos. A nossa análise indica que em 2012 havia mais de 800 projetos de infra-estruturas ativos em diferentes setores em África, com um valor combinado que excedia os 700 mil milhões de USD. A grande maioria dos projetos de infra-estruturas está relacionada com a eletricidade (37%) e com os transportes (41%).

O afastamento das indústrias extrativas

Devido à natureza volátil dos preços das mercadorias, a dependência excessiva de alguns setores chave leva-nos a interrogar, claramente, a sustentabilidade do crescimento. Apesar de percepções em contrário, menos de um terço do crescimento de África provém de recursos naturais.

A tendência de diversificação crescente continua, com uma ênfase cada vez maior nos serviços, produção e atividades relacionadas com as infra-estruturas. Em 2007, as indústrias extrativas representaram 8% dos projetos de IDE e 26% do capital investido em África, ao passo que em 2012 representavam apenas 2% dos projetos e 12% do capital. Em comparação, os serviços foram responsáveis por 70% dos projetos em 2012 (em 2007 correspondiam a 45%) e as atividades produtivas a 43% do capital investido em 2012 (em 2007 eram 22%).

A mineração e os metais são ainda percecionados pelos inquiridos como os setores com o maior potencial de crescimento em África, mas o número de inquiridos que acredita nisso (26%) desceu dos 38% registados em 2012 e dos 44%, em 2011. Por outro lado, o interesse pelos projetos de infra-estruturas africanos está claramente a aumentar, com 21% dos inquiridos a identificar isso como setor de crescimento face aos 14% do ano passado e escassos 4% em 2011. Os restantes setores nos quais se registou uma mudança assinalável são: tecnologias da informação e comunicação (subida para os 14%, de 8% registados no ano passado), serviços financeiros (subida de 13%, com 6% registados no ano passado) e educação (que, praticamente do nada, veio registar 10% este ano).

Mark Otty comenta ainda:«Estas percepções que se têm vindo a alterar sobre a atratividade relativa dos setores em África refletem os princípios básicos variáveis de muitas economias de África: a diversificação de ambas as fontes de crescimento (por exemplo, a contribuição crescente de serviços e a classe de consumidores crescente) e do IDE real que flui para estas economias.

África do Sul mais atrativa para investidores estrangeiros, mas há outros países a aproximarem-se a passos largos

A grande maioria dos inquiridos considera a África do Sul como o país africano mais atrativo para fazer negócios: 41% de todos os inquiridos colocam a África do Sul em primeiro lugar, enquanto 61% a incluem no top três. As principais razões para a popularidade da África do Sul parecem ser a sua infra-estrutura relativamente bem desenvolvida, um ambiente político estável e um mercado interno relativamente grande. Os outros países mais populares foram Marrocos (20% a colocar o país no top três e 8% em primeiro lugar), Nigéria (também 20% no top três e 6% em primeiro lugar), Egito (15% no top três e 5% no primeiro lugar) e Quénia (15% no top três e 4% no primeiro lugar). No general, estas classificações estão alinhadas com centros regionais emergentes para fazer negócios em diferentes partes de África.

Prognósticos

Ajen conclui: «Com uma base cada vez mais sólida de reformas económicas, políticas e sociais, juntamente com taxas de crescimento flexíveis, estamos confiantes de que o continente no seu todo está numa trajetória ascendente sustentável. Este rumo da viagem, mais do que o seu destino atual, é o que é mais importante».

«Uma massa crítica de economias africanas levará esta jornada por diante. Apesar do facto de que irá haver, indubitavelmente, obstáculos pelo caminho, há uma forte probabilidade de que algumas destas economias sigam os mesmos caminhos de desenvolvimento de alguns mercados asiáticos e de outros mercados de crescimento rápido nos últimos 30 anos. Em 2040, não temos nenhuma dúvida de que países como a Nigéria, o Gana, Angola, Egito, Quénia, Etiópia e África do Sul figurarão entre os motores de crescimento da economia global».

Notas para os editores

Sobre a Ernst & Young


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No seguimento da integração bem-sucedida da Ernest & Young em 2008 de 87 países numa zona composta por Europa, Médio Oriente, Índia e África (EMEIA), a empresa lançou o Africa Business Center™ (ABC) que visa reforçar as ligações efetivas e eficazes entre o seu alcance geográfico e as áreas de conhecimento. A empresa está representada em 33 países por toda a África.

Este comunicado foi emitido pela EYGM Limitada, membro da organização global Ernst & Young que também não fornece nenhum serviço aos clientes.