3 minutos de leitura 22 dez 2021
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Relato não financeiro: elemento fundamental para o cumprimento das estratégias de descarbonização

por EY Angola

Firma de serviços profissionais multidisciplinares

3 minutos de leitura 22 dez 2021

Nos últimos anos, os factores ESG têm vindo a ganhar expressão para se tornarem elementos chave para a orientação e captação de investimento.

Os compromissos e as metas em matéria de clima e sustentabilidade, as recentes declarações do World Economic Forum quanto às maiores ameaças que a humanidade enfrenta e o contexto pandémico que atravessamos, têm vindo a despertar o interesse dos investidores nestes factores, face à perceção dos reais impactes no negócio e na qualidade de vida da população.

A temática da Sustentabilidade, utilizada no passado, apenas na perspectiva da comunicação surgiu nas economias maduras, e evoluiu tornando-se num elemento diferenciador no processo de tomada de decisão de investimento.

O mesmo paradigma está a surgir nas economias emergentes, como é o caso de Angola, sendo a sua economia afectada por esta crescente importância de forma especialmente intensa, por via da dependência de indústrias extractivas, contribuidoras para as emissões de carbono, ao longo de toda a cadeia de valor dos produtos. Para além disto, a economia Angolana encontra-se numa fase crítica de captação de investimento internacional consubstanciada no plano PROPIV, o que aumenta a necessidade de compreender o impacte dos factores ESG, e da importância dos mesmos para os potenciais investidores neste programa, e em Angola, de forma lata.

O Estado Angolano também tem apostado em dinamizar a forma como a economia Angolana olha para estes factores, como ficou demonstrado pelos objectivos de transição energética apresentados na recente COP26.

A crescente importância dos temas ESG, são efetivamente a maior macro-conclusão do “Investor Survey 2021” realizado pela EY, o qual se baseou em inquéritos realizados a líderes e investidores por todo o mundo. Deste survey, conclui-se que desde início da pandemia da COVID-19, 90% dos investidores inquiridos atribuem maior importância ao desempenho dos factores ESG (Ambientais, Sociais e de Governança) das empresas na sua estratégia de investimento e tomada de decisões, e cerca de 3/4 dos investidores inquiridos, considera que a pandemia os tornou mais propensos a desinvestir com base no fraco desempenho dos ESG.

Os investidores cada vez mais focados na exposição das suas carteiras ao impacte das alterações climáticas - tanto no que diz respeito aos riscos climáticos físicos como os riscos da transição inevitável para uma economia descarbonizada.

A título de exemplo, 77% dos investidores referiram que, durante os próximos dois anos, irão direcionar o seu foco à avaliação das implicações dos riscos climáticos quando tomarem decisões de investimento e alocação de capital (+5% que em 2020). Ao mesmo tempo, 79% dos investidores disseram também que pretendem incorporar nas suas avaliações as implicações e impactes dos riscos decorrentes da transição energética (comparando com 71% em 2020).

Embora a transição para uma economia global com zero emissões de carbono, apresente desafios significativos, os esforços e diligências tomadas pelos governos para encorajar a transição poderiam também ser uma oportunidade para os investidores.

No entanto, esta oportunidade poderia tornar-se uma vítima do seu próprio sucesso. Com uma oferta potencialmente limitada de investimentos verdes, devidamente certificados por agências de rating específicas para o efeito, existe um risco de criação de uma bolha de mercado. Com efeito, 76% dos investidores inquiridos acreditam que possa haver uma sobreavaliação dos activos verdes, devido ao facto de, à data, existir ainda uma escassez de oferta deste tipo de activos.

Embora os investidores coloquem os ESG no centro da sua tomada de decisões, é provável que só conheçam todo o seu potencial quando a indústria receber informações e melhores dados qualitativos dos ESG das empresas, e quando tiverem sido feitos progressos por parte dos organismos de normalização e dos decisores políticos em torno de um panorama regulamentar mais claro que regule estas informações

Com efeito, existem ainda muitas questões relativas à qualidade da informação não financeira que é reportada e aos mecanismos de análise das mesmas que necessitam de progressos. Se é verdade que este tipo de informação se encontra cada vez mais presente, tanto por quem a reporta, como por quem a analisa, continuam a persistir algumas preocupações sobre a transparência e qualidade da informação não financeira que é divulgada ao mercado. De forma generalizada, é claro que a existência de um framework definido por normas globalmente aceites e consistentes entre si, são importantes para melhorar a qualidade a transparência e a comparabilidade deste tipo de informação nos vários mercados (de acordo com 89% dos investidores inquiridos).

Artigo escrito por Ricardo Veríssimo, Manager EY, Financial Accounting Advisory Services e pelo André Afonso, Senior Manager EY, Energy, Assurance Services

Resumo

A capitalização do reporting de informação não financeira robusto e comparável deve ser visto como uma oportunidade e um ponto de partida para uma série de iniciativas de extrema relevância, para que os vários stakeholders do mercado (empresas, investidores e reguladores) façam parte de uma recuperação económica sustentável, alinhada com as estratégias de médio-longo prazo, para uma economia que se quer descarbonizada.

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por EY Angola

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