2 minutos de leitura 7 out 2020
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Como as TMT estão a transformar a função financeira e fiscal

por Rui Henriques

Tax Leader, Global Compliance & Reporting e Technology & Transformation, EY Managed Services, Lda., Ernst & Young Angola, Lda.

Responsável por Global, Compliance & Reporting em Portugal e Angola. Rui lidera também a SSL de Tax Technology & Transformation. Tem 2 filhos, adora viajar, ouvir música, andar de mota e de carro.

2 minutos de leitura 7 out 2020

O Global Survey "Tax and Finance Operate" afirma que as organizações TMT estão a considerar o co-sourcing para potenciar as suas operações.

Globalmente as organizações TMT estão a considerar o co-sourcing para potenciar sucesso das suas operações num ambiente mais complexo, constata o survey global EY Tax and Finance Operate (TFO) (que contou com mais de 1.000 executivos de 35 países).

Nos últimos anos, um dos grandes desafios das organizações tem sido identificar o equilíbrio entre competências para gerir obrigações de compliance e complexidade regulatória crescente, e lidar com os saltos quânticos em tecnologia e gestão de dados.

Mais recentemente, as empresas tiveram que lidar com o choque decorrente da pandemia COVID-19, com muitas das mesmas pressões em vigor antes da crise aguardando sua atenção quando a pandemia diminuir. É claro que construir uma base operacional resiliente é mais importante do que nunca para as empresas globais. E como facilitadores da conformidade e coletores de dados, as funções fiscais e financeiras são a pedra angular.

No âmbito do survey EY TFO, 79% das organizações de TMT definiram um plano de redução de custos nos próximos 2 anos, e 80% refere que provavelmente irão optar pelo co-sourcing tecnológico no âmbito da função financeira e fiscal, pois 64% das suas equipas investe o seu tempo em tarefas de compliance e reduzido valor acrescentado para a organização, processos que estas organizações têm consciência de não ter expertise para desenvolver soluções de automatização.

Aliás, a falta de um plano/estratégia para gestão de dados e a transformação digital é citada como a maior barreira para alcançarem uma função financeira e fiscal alinhada com os objetivos de geração de valor para a organização.

Curiosamente, as organizações TMT, que por natureza são o epicentro do desenvolvimento tecnológico para todas as outras indústrias, sentem alguma relutância em investir no desenvolvimento de competências e talento dos seus próprios profissionais, numa vertente tecnológica, e por isso considerarem que o co-sourcing pode ser a solução certa, conjugando expertise financeira e fiscal e ferramentas tecnológicas de um provider, com o know-how interno de negócio.

Aliás, é convicção das organizações de TMT (30%) que nos próximos 3 anos, haverá um shift do mix de competências core da função financeira e fiscal, para capacidades de processamento de dados e tecnologia, pois sentem que tal é essencial face ao aumento das exigências de compliance digital (SAF-T, etc), não se sentido ainda preparadas.

O caminho deste futuro é efetivamente muito desafiante. E o grande tema é a velocidade da mudança e a necessidade de ajustamento.

Então qual a abordagem a tomar?

  • Definir o objetivo do modelo da função financeira/fiscal – este é o momento para avaliar as prioridades relativamente a controlo de custos, criação de valor e gestão de risco e como a função financeira/fiscal podem contribuir para a estratégia de negócio core;
  • Determinar o que desenvolver internamente – manter os processos financeiros e fiscais in-house requer um bom nível de transformação organizacional envolvendo recursos humanos, dados, processos e tecnologia. A opção de manter apenas as atividades de valor acrescentado e best-in-class pode ser a mais acertada, mas é importante ter um razoável nível de segurança quanto à capacidade de implementar tal transformação;
  • Definir que atividades colocar em co-sourcing – a decisão de fazer o co-sourcing de processos mais rotineiros e menor valor acrescentado, que requerem investimentos em tecnologia com difícil ou longo retorno pode ser recomendável;
  • Identificar o mix de equilíbrio – o bom senso levará as organizações a manter sob seu controlo as atividades de valor acrescentado e gestão de risco fiscal, externalizando as de menor valor acrescentado e tecnologia intensiva de compliance digital (para a qual não existe know-how interno para desenvolvimento). E para tal, é importante uma clara identificação de umas e outras (o que nem sempre é claro pois as equipas estão demasiado absorvidas no compliance sem terem real noção das atividades de valor acrescentado que podem ser desempenhadas).

É preciso decidir e agir. Estratégia é fundamental e o Tax and Finance Operate pode fazer parte da solução!

Nota: Este artigo é escrito de acordo com o novo acordo ortográfico.

Resumo

Numa altura em que as empresas estão a adaptar-se à nova realidade, causada pelo fenómeno COVID-19, o estudo global da EY "Global EY Tax and Finance Operate (TFO)" revela que está a recorrer-se ao co-sourcing para aumentar o sucesso das operações.

Sobre este artigo

por Rui Henriques

Tax Leader, Global Compliance & Reporting e Technology & Transformation, EY Managed Services, Lda., Ernst & Young Angola, Lda.

Responsável por Global, Compliance & Reporting em Portugal e Angola. Rui lidera também a SSL de Tax Technology & Transformation. Tem 2 filhos, adora viajar, ouvir música, andar de mota e de carro.