Como as organizações podem auxiliar no impulsionamento do Talento Feminino, durante e pós a pandemia? Como as organizações podem auxiliar no impulsionamento do Talento Feminino, durante e pós a pandemia?

por EY Angola

Firma de serviços profissionais multidisciplinares

3 minutos de leitura 28 jun 2021

Desde que o mundo é mundo que o mercado de trabalho é cheio de desafios, crises, incertezas e mudanças constantes. Apesar de se notar algumas pequenas vitórias, o género feminino é sempre o mais afectado pela volatilidade do mercado de trabalho. E no contexto pandémico actual, não está a ser diferente.

A estrutura de homeoffice, apesar de apresentar alguns benefícios como a redução de custos para empresas e um maior conforto, bem-estar e flexibilidade para os Colaboradores – pode ter um sabor agridoce para as mulheres que estão activas no mercado de trabalho. O acumular das tarefas domésticas, que por si só já é exaustivo, e o facto de muitas serem as principais cuidadoras de pessoas idosas no seio familiar, são dois factores que representam um grande travão para o desenvolvimento do talento feminino.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres ainda representam três quartos de todo o trabalho não remunerado. Adicionalmente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) defende que as mulheres continuarão a ser afectadas pois na sua maioria estão empregadas em sectores do retalho e turismo – sectores afectados negativamente com a pandemia. Além do que, é importante não excluir os números de meninas / mulheres que abandonam os estudos para auxiliar a família.

De acordo com um estudo conduzido pela Global Entrepreneurship Research Association – Angola lidera a lista de países com maiores taxas de mulheres empreendedoras. Este dado, é interessante, pois mostra-nos que a mulher angolana, ainda que movida pela necessidade, consegue gerar renda para a subsistência da família. Mas não podemos ignorar que, muitas destas mulheres são empreendedoras informais, que vivem em extrema pobreza e este “empreendedorismo” é apenas uma ferramenta para sobreviver e não de facto para gerar algum valor a longo prazo. Apesar de não haver dados concretos e actualizados em Angola, os impactos desencadeados no posicionamento feminino no mercado de trabalho, por conta da pandemia, não podem ser ignorados.

Além do papel do Estado, de criação e implementação de políticas públicas que asseguram a diversidade e inclusão, as Organizações também podem ter um papel importante a alavancar o Talento Feminino:

Flexibilidade – este é o principal elemento. A pandemia mostrou-nos que quanto maior for a flexibilidade da empresa, maior é a motivação, engagement e os resultados que os Colaboradores apresentam. Numa realidade em que as mulheres têm a vida pessoal a interferir directamente com a vida profissional, flexibilidade e confiança, são necessárias.

Recrutamento orientado – nos dias de hoje, já é possível identificar algumas organizações que estão comprometidas com a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Neste sentido, é definido uma percentagem anual do número de mulheres que devem ser recrutadas durante o ano civil específico.

Incentivos de maternidade – não estamos a falar da licença de maternidade. Cada vez mais as pessoas são movidas por benefícios intangíveis, no que toca à compensação. Para as mães trabalhadoras, poderá ser mais atrativo uma organização que por exemplo, ofereça algum incentivo financeiro na fase de regresso às aulas como “cartão de compras de material escolar”, protocolos entre escolas e creches ou actividades de responsabilidade social corporativa em que se possa envolver os filhos.

Políticas de RH – é necessário que as Organizações desenvolvam políticas de recursos humanos que promovam a transparência e equidade na gestão da carreira dos seus colaboradores. Tais políticas devem ser baseadas sempre, nas competências e resultados e não no género do Colaborador. Um processo de Avaliação de Desempenho, onde as Chefias avaliam com base nos resultados, um Plano de Carreira flexível aleados a Programas de Formação e Capacitação dedicados às mulheres, são algumas ferramentas que os gestores de recursos humanos podem considerar para auxiliar a igualdade de género no mundo do trabalho. Além de que, é fundamental, que as Organizações adoptem uma Cultura inclusiva, de respeito e comprometimento, onde estas políticas estejam reflectidas de forma fluída.

Há várias publicações que indicam que Organizações lideradas por mulheres, tendem a ter níveis mais elevados de satisfação dos Colaboradores e um melhor desempenho. Assim como, há vários resultados que indicam que países liderados por mulheres têm respondido melhor aos desafios da Pandemia.

Artigo escrito por Helga Piçarra, Senior Consultant EY, People Advisory Services

Resumo

Depois desta pandemia, o mundo nunca mais será o mesmo. As organizações nunca mais serão as mesmas. O “novo normal” será – ou é - a mudança. E as mulheres estão prontas para a mudança.

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