2 minutos de leitura 28 mai 2021
Couple laughing while using the laptop

Equidade de género no teletrabalho

por Vicente Sitoe

Manager, People Advisory Services, Ernst & Young, Lda.

Procuro satisfazer as necessidades dos nossos Clientes através de soluções inovadoras e modernas. Gosto de fazer novos amigos e de conhecer novos lugares. Pratico desportos ao ar livre ocasionalmente.

2 minutos de leitura 28 mai 2021

Com a pandemia, as diferenças de tratamento e abordagem às matérias de género voltaram à tona.

Nos momentos de crise como a provocada pela pandemia da COVID-19, em que as empresas estão orientadas para a sobrevivência e em busca de uma nova forma de se posicionar no mercado, há aspectos internos que são relegados para o segundo plano. Gostaríamos de dedicar este artigo a um desses aspectos, precisamente à questão de equidade de género nos locais de trabalho.

Pouco-a-pouco, antes da pandemia da COVID-19 atingir o nosso país, as empresas estavam a registar alguns progressos nas questões de género. Para além dos recrutamentos orientados para o género, víamos um número cada vez mais elevado de promoções de mulheres para cargos de chefia. Isso acontecia não só nos cargos ondem predominam as soft skills, mas também nos cargos ondem se exige mais as hard skills como acontece na indústria pesada. As equipas tinham uma mistura quase igual de homens e mulheres. As políticas de gestão dos Recursos Humanos tinham tendência a serem aplicadas de forma semelhante para todos, o que era aceitável. Se essa tendência não tivesse sido interrompida pela pandemia, muito certamente poderíamos sonhar em atingir a paridade de género em poucos anos.

Entretanto, com a pandemia, as diferenças de tratamento e abordagem às matérias de género voltaram à tona. Embora as estatísticas nacionais sobre a matéria não estejam devidamente organizadas e disponibilizadas ao público, é notório que houve mais mulheres a perder os seus postos de trabalho que os homens. As diferenças salariais entre homens e mulheres que ocupam cargos semelhantes aumentaram. Ademais, a transição para o teletrabalho não foi totalmente acessível às mulheres, visto que elas são mais representadas em sectores de trabalho que requerem atendimento presencial ou contacto directo com Clientes. Daí as suas posições terem sido colocadas, na maioria dos casos, em causa e até suspensas. Mesmo no actual cenário de retorno à normalidade, ainda não foram restituídos todos os postos suspensos.

E mais: o teletrabalho é tratado pelas empresas da mesma forma para os homens, como para as mulheres. Para nós, que somos Consultores nas matérias de Recursos Humanos, percebemos a diferença entre um homem a trabalhar a partir de casa e uma mulher na mesma situação, tendo de conjugar com os seus papeis de marido e pai, esposa e mãe, respectivamente. Esta acumulação de papeis propicia o fracasso, o desempenho abaixo da médio e até o desenvolvimento de stress para as mulheres.

Um relatório das Nações Unidas nos primeiros dias da pandemia revelou que os impactos do vírus, incluindo os impactos económicos, foram exacerbados para mulheres, que são mais propensas a ganhar e economizar menos do que seus homens homólogos, têm empregos precários ou vivem perto da pobreza. Não há dúvida de que o ano passado foi um grande revés económico para milhões de mulheres e que, no contexto do nosso país, levaremos mais tempo para voltar aos índices pré-pandémicos da equidade de género.

Dito isto, gostaríamos de recomendar às empresas que usem este momento de retorno à normalidade para avançar com políticas voltadas para as mulheres e para as famílias, que ajudarão a impulsionar a equidade de género rapidamente. Também recomendamos que coloquem em prática programas de apoio psicossocial às suas equipas com foco no reforço ao respeito às matérias de género.

Resumo

Durante a pandemia a transição para o teletrabalho não foi totalmente acessível às mulheres, visto que elas são mais representadas em sectores de trabalho que requerem atendimento presencial ou contacto directo com Clientes.

Sobre este artigo

por Vicente Sitoe

Manager, People Advisory Services, Ernst & Young, Lda.

Procuro satisfazer as necessidades dos nossos Clientes através de soluções inovadoras e modernas. Gosto de fazer novos amigos e de conhecer novos lugares. Pratico desportos ao ar livre ocasionalmente.