Estará tudo o que conta a ser contabilizado?

Para ajudar a restabelecer a confiança nos negócios, as equipas financeiras devem utilizar novas tecnologias para gerir dados e adotar novas aptidões para reportar o seu valor a longo prazo.

As organizações têm uma necessidade urgente de desenvolver a transparência em matéria de relatórios que ajude a gerar confiança e explique como estão criar valor a longo prazo. Para tal, devem explorar os dados à sua disposição e transformá-los num ativo estratégico.

No entanto, são muitas as organizações que não estão a aproveitar essas oportunidades. Não estão conseguir reter informações e, portanto, não conseguem explorar todos os seus dados financeiros e não-financeiros. Eles estão pura e simplesmente a braços com a grande variedade e volume de dados. Para assumir o controlo desse fluxo de dados e transformá-lo de passivo em ativo as organizações devem repensar a sua abordagem e centrar-se numa série tecnologias, incluindo inteligência artificial, criar um perfil de talentos diferente e aumentar o conjunto de aptidões da sua força de trabalho existente.

Para que as organizações possam aproveitar ao máximo todos os dados na criação de relatórios, os líderes financeiros devem considerar três ações críticas:

  1. Contestar o sistema de relatórios de empresas para obter relatórios assente no valor
  2. Aproveitar ao máximo a inteligência artificial e as novas tecnologias
  3. Transformar a força de trabalho financeira e superar as barreiras culturais

Ao abordar as três ações acima, os líderes de departamentos financeiros devem ter capacidade para olhar mais além do que é transmitido nos mesmos, e não só o que é fácil de quantificar, de modo a transmitir as informações necessárias às partes interessadas no mercado de capitais, de modo a compreenderem o que impulsiona o valor a longo prazo. Ao oferecer essa transparência, os líderes financeiros podem ajudar a restaurar a confiança em empresas e instituições públicas.

As perceções sobre a forma como o relatórios devem mudar são extraídas das conclusões da pesquisa de relatórios de empresas do EY Global Financial Accounting and Advisory Services (FAAS) de 2018. E, também, pode explorar os dados por trás da pesquisa, visualizar os resultados de cada país e comparar as descobertas entre países e indústrias.

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Capítulo 1

Contestar o sistema de reporte das empresas para obter relatórios assentes em valor

O relato financeiro desempenha um papel central na reposição da confiança, fornecendo uma visão clara do desempenho financeiro e não-financeiro das organizações

As empresas e o mercado de capitais dependem do relato financeiro empresarial que seja fiável e relevante, que consubstancie a sua reputação e que ajude a gerar confiança por parte do mercado nas ações dos líderes de uma empresa.

Atualmente, no entanto, a eficácia do sistema de reporte corporativo encontra-se ameaçada em duas frentes. A primeira prende-se com o aumento do fosso de confiança entre as empresas e a sociedade. Este estudo da EY revela que apenas 58% dos líderes financeiros estão preparados para dizer que as empresas são altamente fiáveis. Seria de esperar que os líderes financeiros das empresas fossem relativamente positivos em relação à confiança nos negócios, mas a incerteza é comum em muitas regiões. A título de exemplo, apenas 55% dos inquiridos na região da EMEIA estão preparados para dizer que as empresas gozam ou de "confiança muito elevada" (12%) ou de "confiança elevada" (43%).

Os líderes financeiros estão longe de ser otimistas quanto à confiança do público nas empresas

58%

dos entrevistados estão preparados para dizer que as empresas desfrutam de uma "confiança muito elevada" ou "confiança elevada"

Pergunta: Na sua opinião, qual é o nível atual de confiança entre o público e as grandes empresas?

Os fracos níveis de confiança do público nos negócios são reforçados pelo desfasamento entre a agenda de relato financeiro das empresas e a agenda do público. Muitas vezes os relatórios não atentam nas informações não-financeiras como impulsionador do desempenho das organizações. As organizações devem dar conta e explicar o desempenho de uma forma mais clara e coerente.

O estudo revela que os líderes financeiros esperam agora que o relato financeiro atente num quadro maior. Pouco menos de três quartos (72%) dos líderes financeiros afirmam que as informações não-financeiras são cada vez mais usadas na tomada de decisão dos investidores, e mais de três quartos dos diretores financeiros do grupo salientam a sua importância.

Pergunta: concorda ou discorda que “as informações não financeiras são cada vez mais usadas na tomada de decisões dos investidores?"

Para restabelecer a confiança e oferecer aos interessados uma melhor visão dos planos de uma organização para criar valor a longo prazo, as equipas financeiras devem centrar-se em duas prioridades:

Tomar a si e explicar o desempenho da organização com muito mais clareza e coerência

As empresas registaram progressos significativos em matéria de reporte de informações financeiras e não-financeiras. E reportam agora tendo em conta os principais indicadores de desempenho (Key Performance Indicators - KPIs) – económico; estratégico; e ambiental, social e de governança (Environmental, Social and Governance - ESG). De acordo com esse estudo da EY, os KPIs mais comuns incluem "tratamento dos funcionários" e "fidelidade do cliente" ou "pontuação líquida do promotor."

As organizações também estão a comunicar informações não-financeiras de várias formas.  As mesmas são (por ordem e de acordo com este estudo):

  1. Relatório definido pela empresa que integre informações financeiras e não-financeiras
  2. Relatório integrado que segue a a Estrutura de Relatório Integrado Internacional do Conselho Internacional de Relatórios Integrados (IIRC)
  3. Secção específica dentro do relatório anual
  4. Relatório independente de responsabilidade social das empresas
  5. Relatório de sustentabilidade autónomo

No entanto, apesar desses progressos significativos deve fazer-se mais para desafiar o status quo na área dos relatórios. Existe a tendência para de reportar as coisas erradas – medindo o que é fácil e não o que as partes interessadas querem saber. Isto aplica-se sobretudo aos ativos intangíveis ou não-financeiros. Cerca de três quartos dos líderes financeiros – 73% - afirmam que "o nosso desempenho em termos de KPIs não-financeiros têm um impacto significativo em ativos intangíveis." Esse sentimento é partilhado em todas as funções financeiras, com 75% dos diretores financeiros do grupo e 70% dos controllers a concordarem neste aspeto.

A abordagem ao valor a longo prazo exige novas estruturas que comuniquem o valor dos ativos estratégicos, forneçam as informações que os vários interessados exigem e mostrem como as organizações estão a criar valor a longo prazo. O Embankment Project for Inclusive Capitalism é um passo em direção a este tipo de estrutura.

  • The Embankment Project

    À medida que as empresas respondem aos apelos no sentido de demonstrarem o seu contributo para a criação de valor inclusivo a longo prazo que beneficie toda a sociedade, a Coligação para o Capitalismo Inclusivo e a EY reuniu CEOs de mais de 30 organizações líderes, representando mais de 30 mil milhões de dólares de ativos sob gestão para articularem de forma mais eficaz a forma como criam valor para as partes interessadas e reduzem a pressão para fazerem concessões a curto prazo.

    A iniciativa, chamada The Embankment Project for Inclusive Capitalism, está a desenvolver uma forma mensurável, comparável e significativa para as empresas articularem melhor a forma como criam valor a longo prazo para as suas partes interessadas.

    O projeto envolve empresas de todos os setores de produtos de consumo, serviços de saúde e industriais, além de organizações de investimento e gestão de ativos. No decorrer do projeto, os participantes estão a trabalhar no sentido de identificar um conjunto de medidas de avaliação de resultados e desenvolverem uma estrutura que ajude as empresas a articularem a forma como a sua estratégia gera valor a longo prazo.

Faça a gestão de informação não-financeira com o mesmo rigor e segurança que a gestão de informações financeiras

O foco crescente em informações não-financeiras significa que os vários stakeholders serão cada vez mais exigentes em termos de relatórios.

As direções e os conselhos de administração das empresas têm de ser convencidos de que as informações são úteis e relevantes; os reguladores vão querer saber que informações são precisas e conformes. Se todas as informações num relatório – sejam elas financeiras ou não-financeiras – não se inserirem na categoria de "investimento", a confiança será assim afetada.

A garantia independente de informações, obrigatória ou voluntária, pode desempenhar um papel crítico. A pesquisa da EY constata que as empresas que têm as suas informações não-financeiras verificadas independentemente podem estar confiantes de que os seus relatórios empresariais são fiáveis.  No geral, 62% dos entrevistados afirmam que os relatórios de empresa gozam de elevados níveis de confiança dos investidores, mas isso aumenta para 83% no caso daqueles que têm informações não-financeiras auditadas.

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Capítulo 2

Aproveitar ao máximo a inteligência artificial e a tecnologia inteligente

Muitas equipas estão sobrecarregadas com o volume de dados disponíveis. E devem utilizar a tecnologia, mas não à custa de padrões e da confiança

As organizações e as suas equipas financeiras têm agora mais dados do que nunca, graças ao aumento da capacidade de processamento dos computadores, à conectividade crescente, à cloud e à sua enorme capacidade de armazenamento. 

No entanto, muitas equipas financeiras e de relato financeiro ficam sobrecarregadas com o volume e a variedade de dados deste tipo. Neste estudo da EY, cerca de metade dos líderes financeiros (49%) afirma que "gasta mais tempo a recolher e a processar dados do que a analisá-los."

No entanto, muitas equipas financeiras e de relato financeiro ficam sobrecarregadas com o volume e a variedade de dados.

49%

dizem que passam mais tempo a recolher e a processar dados do a analisá-los

Pergunta: Qual dos seguintes descreve melhor o tempo que as suas equipas são capazes de dedicar para gerar insights baseados em dados?

Para transformar dados em relatórios verdadeiramente baseados em valor, as equipas dos departamentos financeiros devem concentrar-se em duas prioridades:

Explorar os rápidos avanços tecnológicos na área da automação, inteligência artificial e blockchain

Automação: dando às equipas financeiras liberdade para se concentrarem na geração de insights

As equipas dos departamentos financeiros e de relato financeiro mais ágeis estão a usar a automação para impulsionarem novos níveis de agilidade operacional:

 

  • Estão muito avançados no uso da automação de processos robóticos (APR) para gerarem novos níveis de eficiência. E estão a utilizar tecnologias de robótica baseadas em regras para automatizarem processos financeiros transacionais de alto volume.
  • Estão já a explorar a próxima fronteira na área da automação – automação inteligente de processos, que combina APR com inteligência artificial (IA) tais como machine learning. Estas tecnologias aprendem com o tempo, à medida que são expostas a mais dados, permitindo que as equipas financeiras apontem para responsabilidades financeiras de alto valor. À medida que essas ferramentas melhoram, passam a ler, gerir e analisar contratos e dados complexos. Outras tecnologias inteligentes que poderão funcionar aqui incluem o reconhecimento de voz, processamento de linguagem natural, biometria e chatbots.
  •  

     

    Inteligência artificial: aproveitar as informações retiradas dos dados

    Os líderes de departamentos financeiros podem usar a IA para procurar padrões subjacentes nos dados, bem como machine learning para prever cenários e melhorar os resultados.

    Cerca de três quartos dos líderes de departamentos financeiros neste estudo (72%) afirmam que a IA terá um impacto significativo na forma como as finanças retiram informações de dados e que a IA será a tecnologia crítica para a função financeira no futuro. Os líderes de departamentos financeiros foram solicitados a classificar a importância de três tecnologias – APR, IA e ferramentas baseadas em blockchain. Embora a APR esteja no topo por enquanto, a IA liderará a tabela daqui a cinco anos.

    No entanto, os líderes financeiros não têm apenas que atentar apenas na forma como usam a IA nas suas funções financeiras. Devem atentar também na forma como os stakeholders, como é o caso dos investidores, estão a usá-la para darem destaque aos relatórios de empresas. Isso ocorre porque a IA permite que os investidores analisem as informações financeiras das empresas de maneiras outrora impensáveis. 

    Inteligência artificial: aproveitar as informações retiradas dos dados

    72%

    dizem que a IA terá um impacto significativo na forma como os departamentos financeiros retiram informações dos dados e que a IA será a tecnologia crítica no futuro

    Pergunta: classifique a importância relativa de cada uma das seguintes tecnologias na função financeira hoje e daqui a cinco anos
    • Inteligência artificial e ética

      A IA está a desenvolver-se rapidamente e é fundamental para os líderes financeiros acertarem o passo. Isto implica tomar decisões informadas agora sobre as áreas onde a tecnologia pode gerar mais valor na área da finança e do reporte. Só então é que os líderes financeiros podem planear a sua transformação e lançar as bases para uma forte colaboração entre os departamentos financeiros e de TI.

      Mas existem questões éticas. Nos departamentos financeiros e de reporte não basta perguntar se os sistemas estão a fazer as coisas corretamente. Terão de perguntar também se os sistemas estão a fazer as coisas certas. Isto é particularmente importante em setores de tecnologia em franco crescimento, como a AI, uma vez que a regulação se encontra atrasada relativamente ao avanço tecnológico, não tendo sido ainda comprovado que neste setor se abordem os riscos adequadamente.

      Uma abordagem ao desenvolvimento de padrões éticos para essas ferramentas consiste em pedir aos stakeholders que mais serão afetados pela tecnologia que olhem para a mesma na sua perspetiva. E a conceção do sistema deve refletir a importância da transparência na forma como o sistema de relatórios tomou as suas decisões.

    Blockchain: uma disrupção no futuro dos relatórios tal como os conhecemos?

    O Blockchain regista transações usando um registo distribuído que fornece a todos os participantes da rede uma trilha de auditoria segura de todas as transações realizadas – quase em tempo real. Alguns comentadores esperam assim que a tecnologia se torne no padrão do setor na geração de relatórios e contabilidade, substituindo as atuais Tecnologias de Informação (TI) e as práticas tradicionais de geração de relatórios. Se o Blockchain for utilizado para consolidar automaticamente os registos contabilísticos, as equipas responsáveis pelos relatórios podem passar menos tempo a proceder a verificações cruzadas e despender mais a analisar dados fiáveis.

    Este estudo revela que vários líderes financeiros estão agora de acordo quanto ao potencial da tecnologia. O nosso estudo revela que cerca de um quarto (24%) afirma que o Blockchain será a tecnologia mais importante do setor financeiro nos próximos cinco anos. Será obviamente necessário ultrapassar uma série de desafios.  Por exemplo, os principais stakeholders, de reguladores a conselhos de administração, precisariam de concordar e implementar o ambiente regulatório necessário.

    Construir confiança na sua análise de dados

    Enquanto os líderes financeiros procuram transformar dados em insights, têm de conseguir um difícil ato de equilíbrio: impulsionar a inovação na forma como utilizam os dados sem comprometer padrões de segurança e minar a confiança.

    Este estudo demonstra que as preocupações com o risco em matéria de dados são uma das principais preocupações dos líderes financeiros. E as preocupações com a segurança dos dados são uma das barreiras mais críticas para a implementação de novas tecnologias de relato.

    No entanto, preocupações com riscos digitais e de dados não devem impedir as organizações. Para chegar a um relato financeiro orientado por valor, as equipas financeiras devem ser capazes de usar os seus dados com confiança. Isto provavelmente exigirá mudanças não só na tecnologia e nos processos, mas também na mentalidade, nas competências e no Governance.

    Os 5 principais desafios que os líderes financeiros enfrentam atualmente são:

    1. Aumento da proteção de dados e o risco de privacidade
    2. Acompanhamento do ritmo das mudanças tecnológicas
    3. Maior escrutínio e mudanças na regulação
    4. Maior procura de informações prospetivas em tempo real
    5. Atenção às normas sociais em mutação
    Pergunta: Na sua função financeira, quais são as maiores barreiras à implementação de novas tecnologias inovadoras de geração de relatórios?
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    Capítulo 3

    Transformar a força de trabalho nos departamentos financeiros e superar as barreiras culturais

    As funções financeiras exigem um perfil de talentos diferente que pode exigir que os líderes superem barreiras culturais e processos enraizados

    Os relatórios assentes no valor não exigem apenas que as equipas financeiras adotem novas tecnologias – exigem também um perfil de talentos e aptidões diferentes.

    A função financeira beneficiará dos membros da equipa com um leque de novos recursos, além das aptidões tradicionais em matéria de finanças e contabilidade, incluindo conhecimento estratégico de novas tecnologias, como a IA, e conhecimento em disciplinas como ciência de dados e estatística avançada.

    Todos aqueles que conseguirem ajudar a equipa a compreender e a avaliar as interdependências entre informações não-financeiras e financeiras serão bastante válidos. Esta aptidão requer uma compreensão das nuances da gestão informações não-financeiras e compreender as interdependências entre os diferentes tipos de capital da organização.

    Os líderes financeiros sabem que o perfil de talentos dessa função tem de ser reiniciado. Uma maioria significativa (79%) dos diretores financeiros entrevistados no âmbito desse estudo afirma haver uma necessidade urgente de financiamento para recrutar novas aptidões.

    No entanto, promover uma mudança de abordagem pode ser muito difícil, dada a existência de uma cultura arreigada e resistência à mudança que funcionam como travão ao progresso. Nesta pesquisa, 63% dos líderes financeiros afirmam que "as barreiras culturais e de resistência nas equipas financeiras são barreiras à inovação digital." Nas empresas de tecnologia – que têm de impulsionar constantemente a inovação para sobreviverem num setor onda a agenda da tecnologia está a mudar constantemente – os líderes financeiros seniores estão particularmente preocupados com a capacidade das suas equipas de adotarem formas digitais de trabalharem com a rapidez que a organização como um todo exige.

    Pergunta: Concorda ou discorda que a “resistência e as barreiras culturais dentro das equipas financeiras também são barreiras à inovação e à digitalização?”

    Para superar a resistência e acelerar as mudanças que devem acontecer na força de trabalho nos departamentos financeiros, as organizações devem centrar-se em duas prioridades.

    Seja criativo em termos de pessoas e perfis

    Os departamentos financeiros estão a começar a exigir pessoas com novas aptidões. A próxima geração deve compreender não só apenas a contabilidade e os seus setores como também IA, blockchain e machine learning – bem como a forma como essas tecnologias funcionam em conjunto.

    Nesta pesquisa, 72% de todos os líderes de departamentos financeiros afirmam que os especialistas em IA serão cruciais para impulsionar a inovação nos departamentos financeiros e de relato financeiro nos próximos dois anos e que isso é uma prioridade em todas as áreas.

    Os líderes dos departamentos financeiros devem definir as aptidões e capacidades necessárias, com base na estratégia das suas empresas, bem como na necessidade de manter ou aumentar a transparência e criar valor a longo prazo.

    As principais funções financeiras estão a auditar os recursos existentes das suas equipas para compreender as lacunas que enfrentam. Isto deve incluir tanto as aptidões necessárias para explorar novas tecnologias e dados quanto às aptidões interpessoais e estratégicas.

    A vantagem da experiência com inteligência artificial

    72%

    de todos os entrevistados os líderes dos departamentos financeiros afirmam que os especialistas em IA serão críticos para impulsionar a inovação nos departamentos financeiros e de reporte nos próximos dois anos

    Pergunta: Qual será a importância dos especialistas em IA na inovação digital do setor financeiro e das suas obrigações de reporting nos próximos dois anos?

    Aborde a contratação, o desenvolvimento de talentos e os recursos de forma mais inovadora

    Muitas organizações consideram que estão a exigir novas aptidões e perfis, mas geralmente deixam de procurar talentos em lugares diferentes e não usam novas táticas para desenvolverem os seus quadros de pessoal. Muitas vezes ficam presas às práticas tradicionais: usam os mesmos métodos que existem há anos e que foram usados para os recrutar e desenvolver.

    Os departamentos financeiros devem fazer mais no sentido de desafiar essas abordagens e visões arreigadas sobre o que constitui boas capacidades financeiras. A indústria automóvel, por exemplo, respondeu com ousadia ao desafio da disrupção digital e das viaturas conectadas.

    Os líderes financeiros neste estudo reconhecem que devem ser criativos quanto à forma como originam e desenvolvem pessoas: 76% dizem que a área das finanças deve expandir a sua rede de recrutamento para encontrar pessoas com formação não tradicional.

    • Executivos financeiros mais jovens dão prioridade a recursos de ponta

      Este estudo da EY mostra que, embora todos os entrevistados acreditem que as novas áreas de conhecimento em tecnologia serão essenciais para impulsionar a inovação digital, os executivos financeiros mais jovens valorizam mais esta área. Por exemplo, no caso dos executivos da área financeira com 39 anos ou menos, mais de um quarto (27%) afirma que os roboticistas serão "muito importantes" para a inovação digital em finanças. No caso dos inquiridos com 50 anos ou mais, isso cai para 16%. Verificou-se que os executivos financeiros mais jovens também têm maior probabilidade de sentir que os cientistas e os cientistas de dados serão muito importantes quando se trata de impulsionar a inovação digital. Talvez isso reflita o facto de que as gerações mais jovens estão muito cientes do impacto das novas tecnologias e estão mais abertas ao recrutamento na área financeira para terem a experiência necessária para responder.

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    Capítulo 4

    O caminho a seguir

    Ao explorar o manancial de dados disponíveis, a função financeira pode fornecer informações sobre os negócios e dar consubstanciar o valor a longo prazo para as partes interessadas

    A confiança pode levar uma vida inteira a desenvolver e segundos a perder. Embora a reconstrução dependa de muitos fatores, os relatórios podem desempenhar um papel crucial.

    As equipas de relato financeiro devem poder explorar os dados ricos e multidimensionais aos quais agora têm acesso. Ao usar a tecnologia digital e as habilidades de análise, pode fornecer informações nos relatórios que dão visibilidade às partes interessadas no negócio e contribuem para o valor a longo prazo.

    Para que os relatórios desempenhem esse papel, os líderes financeiros devem considerar três ações críticas:

    Compreenda como a sua abordagem aos relatórios e à transparência se assemelha à dos seus pares

    Deve comparar sua abordagem ao relato financeiro com a de colegas e líderes nesse campo. Isso pode ajudar a estimular o seu pensamento sobre a criação de um quadro estruturado para reportar valor a longo prazo aos principais stakeholders. Deve também considerar a forma como abordam a garantia não-financeira para que os stakeholders e os conselhos externos confiem nessas informações. Deve também considerar como gerir riscos e aproveitar oportunidades para melhorar os processos e sistemas de suporte.

    Crie uma visão convincente, mas pragmática, de como a área financeira pode utilizar os novos avanços tecnológicos

    Nos próximos anos, é provável que os sistemas inteligentes tenham um papel cada vez maior em mais processos e tarefas de relato financeiro, transformando a capacidade das equipas da área financeira de obterem informações a partir dos seus dados. Para perceber o potencial dos sistemas inteligentes, deve agir agora para identificar os problemas de geração de relatórios que essas tecnologias podem resolver e definir como podem transformar a sua abordagem. Isso pode transmitir ao departamento financeiro uma visão atraente e um roteiro prático para a mudança. Isso também pode ajudá-lo a superar a resistência organizacional e envolver-se com os principais stakeholders, como é o caso dos conselhos de supervisão e dos comités de auditoria.

    Contrabalance a difícil tarefa de mitigar dados como o risco e explore isso como uma oportunidade

    Existe um equilíbrio importante a considerar entre "dados como risco" e "dados como oportunidade". Deve impulsionar a inovação de dados enquanto evita falhas na segurança de dados e ameaças à privacidade dos seus clientes. Isto implica criar a cultura interna correta em termos de dados, com todos a seguirem uma estratégia clara de dados sustentada por um código de conduta e uma estrutura de governança de dados. E, em vez de ver estruturas regulatórias para proteção e privacidade de dados, como exercícios de compliance, considere a sua reformulação como uma oportunidade de adotar uma abordagem positiva aos dados.

    Resumo

    As organizações têm de desenvolver urgentemente a transparência no relato financeiro por forma a gerarem confiança e ajudarem a explicar como criam valor a longo prazo, explorando os dados à sua disposição e transformando-os num ativo estratégico.

    Para ajudar a recuperar a confiança, as organizações devem recorrer às novas tecnologias para organizarem e analisarem dados e adotarem novas competências para além das aptidões contabilistas tradicionais para fornecer relatórios assentes no valor.