Com a fragmentação da mobilidade, o que deve ser unificado?

8 minutos de leitura 14 set 2018
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Estamos a testemunhar o surgimento de uma era completamente nova no que diz respeito à mobilidade pessoal — baseada não no carro enquanto produto, mas na mobilidade enquanto serviço. 

Quatro futuros possíveis muito diferentes surgem agora. No entanto, de momento, o mais importante não são os pontos de diferença, mas os pontos comuns. Porque todos eles — e os vários cenários possíveis de futuro que não exploramos — estão a ser guiados pelas mesmas forças. Forças que já se estão a fazer sentir em todo o mundo.

Em primeiro lugar e mais importante, as nossas cidades têm de lidar com as consequências da urbanização. À medida que cada vez mais pessoas se aglomeram em áreas urbanas, as autoridades enfrentam grandes e urgentes desafios relativamente à qualidade do ar, congestionamento de tráfego e alocação de recursos. A poluição do ar na China causa cerca de 1,6 milhões mortes por ano.O tempo de viagem na Austrália — uma geografia conhecida pelo seu vasto espaço — aumentou 15% entre 2002 e 2011.

As respostas de cidades como Londres, Seul e Singapura, deixam claro que as autoridades destas cidades irão desempenhar um papel central na definição do futuro da mobilidade. É ainda claro que a MaaS tem o potencial para resolver muitos dos problemas identificados, reduzindo o congestionamento e a poluição, através de frotas de veículos menos poluentes, menor número de viagens e um uso mais eficiente de recursos finitos, como as estradas e lugares de estacionamento.

As atitudes e comportamentos dos clientes estão também a mudar. Em vez de considerar a posse de veículo como um emblema de liberdade, as gerações Milleninal e Geração Z são mais propensas a analisar o custo, impacto ambiental e os problemas associados. Perguntam frequentemente se não existirá uma solução “do it for me” melhor, mais perfeita e prontamente disponível para smartphones. As viagens multimodais serão geridas a partir de um único local — as viagens de carro, comboio e táxi, por exemplo, serão integradas num único sistema de reservas e pagamentos.

Os investidores estão a encarar estas mudanças de forma muito mais vigorosa do que a indústria automóvel — Venture Capital e Private Equities detêm cerca de 53 mil milhões de dólares em mobilidade com base na procura e integração de mobilidade. As empresas de tecnologia e de engenharia aparecem num distante segundo lugar com cerca de 9,3 mil milhões de dólares em investimentos. A indústria automóvel tradicional conseguiu apenas 2,3 mil milhões de dólares.

As empresas que desejem ser bem-sucedidas na próxima era de Mobility-as-a-Service (MaaS) terão de enfrentar quatro desafios fundamentais:


  • Escalabilidade. Terá de desenvolver sistemas que poderão aumentar ou diminuir de dimensão rapidamente, facilmente e com o mínimo de implicações ao nível de custo.
  • Dados. A recolha, integraçãoe monetização da utilização de dados será crucial para oferecer a mobilidade como um serviço, não apenas em termos de angariação de receitas, mas também no planeamento e desenvolvimento de novos serviços.
  • Propriedade do consumidor. Aproximar-se e manter-se próximo do cliente será vital para desenvolver novos serviços de mobilidade e novas fontes de receita.
  • Confiança. Os utilizadores devem estar confiantes que existe uma tecnologia de segurança fiável e fidedigna a proteger os seus dados.

  • Todos podem ser abordados com a tecnologia certa — blockchain. A combinação de blockchain com um ledger seguro e distribuído, com a cripto moeda, contratação inteligente e com o design open source, apresentam um valor único para enfrentar estes desafios.

    É uma mudança fundamental na antiga estrutura de sistema de comando e controlo de transportes para um mercado totalmente distribuído onde os utilizadores fazem pouca ou nenhuma distinção entre o transporte “público” e “privado”. Os prestadores de serviços de mobilidade multimodal assumem um papel central.

    Assim sendo, existem muitos desafios complexos a enfrentar, e muita incerteza sobre o detalhe dos mesmo. Mas existe também uma oportunidade sem precedentes de moldar o futuro. Como é que se deve abordar esta oportunidade? Deixamos aqui algumas observações com base na nossa experiência:

    A cidade comocliente. Abordar cidades como clientes e parceiras. Perceber o seu papel cada vez mais importante enquanto promotor e regulador dos novos mercados de mobilidade. Fazer experiências com as cidades de forma a desenvolver novos serviços de mobilidade.

    Investimento ambicioso. Desenvolver uma estratégia para investimentos ousados, em que o espírito da disrupção real substitua o espírito da mera inovação incremental.

    Perspetiva holística. O objetivo da empresa deve mudar de “fazer” para “ser”. Estratégias discretas para o digital e inovação, por exemplo, devem ser substituídas por perspetivas de negócio integradas e holísticas.

    Foco no modelo de negócios.Haverá muitas iniciativas para acompanhar e gerir. Devemos que assegurar que o modelo de negócios se mantém central para todos.

    Sistemas centrados no Humano. Os novos modelos de negócio de mobilidade serão orientados por mudanças no comportamento e necessidades humanas. Assegure-se que os processos e mecanismos estão à altura do desafio de capturar as novas tendências nesse campo.

    No entanto, para além dessas considerações, está um princípio abrangente com que trabalhamos na EY, porque acreditamos que é o fator de sucesso mais importante:

    Estabeleça e mantenha um diálogo aberto em todo o ecossistema de mobilidade.

    Porque retirar o máximo proveito do futuro da mobilidade irá depender, não só de um conhecimento limitado em áreas tradicionais como a engenharia ou o marketing, mas também de uma rede verdadeiramente diversificada e de uma vasta amplitude de parceiros que colaboram entre si.

    Resumo

    O futuro da indústria automóvel tradicional está posto em questão. Para se preparar para o sucesso neste novo mundo, mudanças drásticas devem ser feitas agora, de modo a conseguir capitalizar as vastas oportunidades que o futuro da mobilidade trará.  

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