5 minutos de leitura 14 jan 2019
Luzes noturnas da cidade de Manhattan

Quatro estratégias para os bancos que se preparam para a regulação na era digital

5 minutos de leitura 14 jan 2019
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A nossa perspetiva regulamentar global para 2020 apresenta temas relevantes para os bancos no seu percurso rumo a um quadro de gestão de risco e compliance do século 21.

Este artigo faz parte da nossa Perspetiva Regulamentar Global

Os reguladores, a nível mundial, estão cada vez mais a redirecionar a sua atenção das reformas pós-crise para um novo conjunto de riscos e prioridades emergentes. As agendas dos supervisores estão a ser reescritas tendo em conta uma vasta gama de elementos disruptores precipitados pela pandemia Covid-19. Novas questões colocam-se sobre a utilização e a propriedade de dados, limites da regulação, transformação do modelo de negócio, revisão de mecanismos de resiliência operacional e os desafios geopolíticos com impacto sobre as condições de mercado relevantes para o crescimento e o investimento.  

As Instituições Financeiras estão a responder com a introdução de novos talentos, processos e tecnologias para fortalecer a gestão do risco e compliance, ao mesmo tempo que melhoram a experiência do cliente. A regulação está também a transformar-se, à medida que as Instituições Financeiras e os Reguladores integram novas tecnologias e uma maior utilização de dados em processos, modelos de negócio, supervisão e reporte regulatório.

Na nossa visão, existem quatro áreas de foco para os Bancos e Reguladores na sua jornada em direção a uma estrutura adequada de gestão de risco e compliance digital.

Ajuste de questões antigas e riscos emergentes

Antes mesmo do atual enquadramento de Covid-19, os maiores bancos mundiais melhoraram significativamente as suas posições de capital e liquidez após a crise financeira, com reforço das práticas de gestão de risco. Embora se tenham registado progressos nas principais questões de risco sistémico de resolução e transparência no mercado de derivados, ainda existe um longo caminho a percorrer e certamente será acompanhado pela adoção de medidas extraordinárias de gestão de capital e de liquidez enquanto mecanismo crucial para responder ao impacto na atividade global resultante do cenário de pandemia.

A implementação da nova agenda de gestão de riscos enquanto se aperfeiçoa a antiga será um ato de equilíbrio para os bancos, reguladores e governos.

Quatro áreas de foco para os bancos em 2020:

Reformar as estruturas atuais e desenvolver novos processos: As reformas regulatórias estruturais estão em grande medida implementadas. O desafio atual é fazer com que o trabalho de reestruturação funcione na prática e garantir que as instituições financeiras cumpram as expetativas com vista à continuidade operacional num cenário de fortes restrições operacionais e impacto na atividade financeira. Questões antigas (legacy) que foram transportadas para o novo cenário mantêm-se em foco. Muitas delas estão ligados à resiliência operacional e à continuidade do negócio.

O recente contexto do Covid-19, constitui um novo paradigma com impactos na atividade financeira e nos vários reportes regulamentares (p.e. planos de financiamento e de capital, relatório de controlo interno, processos internos de avaliação de adequação de capital e liquidez - ICAAP e ILAAP – risco de concentração relatório de imparidade – IFRS 9 – entre outros), exigindo ajustes para permitir capturar:

  • Os efeitos decorrentes de uma situação de emergência sanitária que despoleta uma crise económica cuja duração e magnitude ainda é indeterminada
  • As medidas de apoio governamental sem precedentes
  • O cenário dinâmico e de elevada incerteza, com limitações no acesso a “informações razoáveis e confiáveis” para prever as perdas a médio e longo prazo na economia e posições/contrapartes

Reforçar a governação e a resiliência operacional: A Era da transformação digital trouxe vários desafios, tais como, a crescente ameaça de ataques cibernéticos, desafios internos de substituição de sistemas legacy de TI e respetivo staff, medidas de risco inconsistentes e a incapacidade em agregar dados. Novas tecnologias e produtos estão a testar a eficácia dos processos existentes. As empresas precisam de concentrar a sua atenção no reforço da capacidade de resiliência operacional, acessos remotos, melhorando os padrões de testes de esforço, revendo os níveis de tolerâncias de impacto e refinando as métricas de desempenho. Ter uma estrutura sólida de gestão de risco de contraparte para serviços de outsourcing e fornecedores é mais importante do que nunca.

A resiliência é o novo teste de esforço ou plano de resolução.
Risco executivo, participante no questionário anual de risco bancário

Os colaboradores do front-office deverão ter formações sobre gestão de risco com os responsáveis do compliance a apoiar a função de controlo na primeira linha de defesa. Os reguladores esperam que as Instituições Financeiras coloquem a resiliência operacional e financeira como prioridades do Conselho de Administração. Os Conselhos de Administração terão de adotar uma mentalidade: “É provável que isto aconteça, por isso vamos estar preparados.”

Gerir e proteger dados: A Banca é uma indústria dependente de dados. Os Bancos exigem dados oportunos, exatos e significativos e os clientes requerem ferramentas de comunicação fáceis de usar. Os investidores e o mercado em geral exigem maior acesso e transparência. No futuro, os bancos terão de gerir melhor os dados e também enfrentar exigências cada vez mais rigorosas em matéria de privacidade de dados. Foi feito um investimento significativo em armazenamento e acessibilidade, mas os Bancos precisam de se concentrar mais na arquitetura de dados, nas capacidades analíticas e no desenvolvimento de uma estrutura integrada de privacidade de dados com políticas completas de gestão de risco.

Prioridade de risco

93%

dos participantes no nosso questionário anual sobre o risco bancário identificou a melhoria da qualidade dos dados como uma das principais prioridades de gestão de risco para os próximos 3 anos.

Abordar os fatores responsáveis por condutas impróprias: Iniciativas para melhorar a cultura e a ética do setor financeiro serão sempre de impacto limitado sem uma abordagem de responsabilização. O desafio para a agenda de conduta é passar de uma abordagem “liderar a partir do topo” para a incorporação e incentivo de uma cultura e comportamento positivos em toda a organização.

O caminho para um melhor compliance

Os bancos necessitam de gerir e antecipar os riscos emergentes. A transformação digital ajudará, mas, como destaca o nosso questionário anual sobre a gestão de risco bancário (2019), os gestores de risco devem acelerar o ritmo a que adotam e implementam novas tecnologias.

A exigência de responsabilização é cada vez maior. As questões ambientais, sociais e de governação, e particularmente a agenda financeira sustentável, têm que tornar-se elementos chave no planeamento estratégico e na definição de perfis de risco. A mudança é essencial mas, pode e deve, ser conduzida a partir do topo.

Ao nível do Conselho de Administração, uma maior diversidade está a tornar-se não só uma expectativa regulamentar, mas uma necessidade operacional. Os indivíduos cujo conhecimento vai além dos riscos financeiros e da regulação serão posicionados para quebrar barreiras e implementar uma governação corporativa e uma supervisão de risco mais profunda e ampla.

Chegou o momento de a gestão implementar estruturas de governação e gestão de risco que proporcionem melhor alinhamento, melhor qualidade dos dados e novos modelos de negócios que permitam resultados sólidos no mercado e nos clientes. O objetivo é obter os stakeholders certos para avaliar as implicações de risco numa base end-to-end das decisões operacionais, estratégicas e empresariais ao longo da cadeia de valor, incluindo o ciclo de vida do produto, marketing, segmentação de clientes, preços e remuneração.

Se os Conselhos de Administração e os quadros superiores se tornarem proativos perante o futuro, se construírem as competências certas e desenvolverem novas formas de trabalho, podem oferecer uma estrutura de risco e de compliance mais ágil e eficiente, equipada com as mais recentes tecnologias, estruturas de governação melhoradas e novas funções. Estes são fatores que se revelam cruciais para resposta e adaptação do modelo de negócio em situações diruptivas, como a que envolve o cenário de Covid-19, mas também como fator de vantagem competitiva de mercado.

Resumo

Enquanto os bancos e os reguladores ainda estão a lidar com questões regulamentares não resolvidas, a tecnologia continua a transformar o setor de forma imprevisível. As empresas precisam de responder em simultâneo a questões antigas, bem como aos riscos emergentes com tecnologias, melhor governação e com o talentos certo. 

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