7 minutos de leitura 24 mar 2020
Homem de negócios a examinar modelo

Como está o FA a passar de hype a game changer

Autores
Glenn Steinberg

EY Global and EY Americas Supply Chain Leader

Helping companies transform, create value and optimize business performance. Thirsty for knowledge. Ski enthusiast. Husband and father of two Michigan Wolverines.

Stefana Karevska

EY Global Consulting Additive Manufacturing/ 3D Printing Leader

Additive Manufacturing enthusiast. Passionate about helping EY clients to reinvent their business with additive manufacturing. Debate coach. Table-tennis player.

7 minutos de leitura 24 mar 2020

Uma pesquisa da EY mostra que cada vez mais empresas estão a usar a tecnologia — e que o processo de produção nunca mais será o mesmo.

Há três anos, o FA (Fabrico Aditivo) estava no radar das empresas que pesquisámos, mas apenas 24% tinham experimentado a tecnologia. Agora, essa percentagem subiu para 65%, e qualquer ceticismo inicial sobre o potencial transformador das técnicas de FA e a possibilidade de ser apenas uma moda foi posto de lado, com 18% das empresas a usarem-nas para fazer produtos finais.

A crucial "maioria precoce" — cuja adesão é essencial para o sucesso de qualquer nova tecnologia — foi conquistada. Este momento na evolução do FA (também conhecido como impressão 3D ou 3DP) é comparável ao ponto em que, há um século, a indústria passou da energia a vapor para a eletricidade. Nessa altura, quem hesitou em fazer a transição foi ficando para trás. Será que as empresas que resistem ao FA enfrentarão o mesmo destino — e as que abraçam a tecnologia, como utilizadores ou como vendedores, vão tornar-se nos novos líderes da indústria?

Explorámos esta questão, e muitas outras, no relatório global da EY, 3D printing: hype or game changer? (pdf), para fornecer uma visão completa e informada sobre o mercado de FA hoje. Ao partilhar uma visão atualizada da indústria e insights informados sobre o seu desenvolvimento, o relatório baseia-se na pesquisa contínua da EY e na perspetiva de 900 executivos de 13 países e 9 indústrias.

E a tecnologia ainda não atingiu o seu zenith. Dezenas de subtecnologias surgiram e obter uma visão clara num mercado tão fragmentado pode ser um desafio. Interessa avaliar, por exemplo, o quanto a indústria transformadora sabe sobre a tecnologia, que aplicações estão a ser usadas, que desafios as empresas estão a enfrentar e como irá a tecnologia e o mercado evoluir. O nosso relatório fornece uma fotografia completa (pdf), e partilhamos alguns destaques abaixo.

Detalhe de uma impressora 3D
(Chapter breaker)
1

Capítulo 1

FA chega ao centro das operações

Entre particulares e empresas, os níveis de awareness e adoção da tecnologia têm aumentado.

Uma em cada quatro empresas inquiridas pela EY, na pesquisa de ano 2019, está nas fases iniciais da sua jornada com a impressão 3D, ainda a testar ou a experimentar a tecnologia. Contudo, há um enorme crescimento no número de empresas que encaram o FA como estrategicamente importante para o negócio e com um plano claro para o integrarem no negócio — de 4% há três anos, para 20% em 2019.

Interesse crescente

27,000

participantes na edição de 2018 da primeira feira anual mundial de impressão industrial 3D, a Formnext em Frankfurt, na Alemanha — contra 8.982 em 2015.

Embora o conhecimento e a utilização das tecnologias 3DP tenham aumentado globalmente, o entusiasmo e o interesse variam significativamente entre regiões e entre países. Em 2016, as empresas alemãs eram as que mais usavam o FA, com a tecnologia a garantir uma penetração de 37% na indústria. Hoje, embora essa percentagem tenha subido para 63%, a Alemanha tornou-se num dos três países onde o nível de utilização é mais baixo.

Por outro lado, a exposição à tecnologia entre as empresas asiáticas subiu em espiral, especialmente na Coreia do Sul e na China. Das empresas sul-coreanas e chinesas pesquisadas, a familiaridade com o FA cresceu de 24% em 2016, para 81% e 78%, respetivamente, em 2019, tornando-as nas nações que mais usam o FA, percurso que é provavelmente um reflexo das melhorias no seu desenvolvimento económico.

Dentro de setores específicos, a indústria aeroespacial é a que mais recorre ao FA, com 78% das empresas a usarem já a tecnologia. Mesmo indústrias com uso limitado de FA — onde a sua aplicação significaria modelos de negócios totalmente novos, como na logística e transportes ou na construção — revelam-se já bem informadas sobre o potencial da tecnologia. O interesse e utilização do FA entre as empresas de logística e transporte, por exemplo, é agora seis vezes maior do que em 2016.

O que está a impulsionar a adoção do FA é a consciência de que a tecnologia evoluiu para além da prototipagem e pode ser usada para fazer peças funcionais. Vejamos como o FA evoluiu do laboratório para a montra da loja.

Impressora 3D a criar uma jarra
(Chapter breaker)
2

Capítulo 2

Produção em série com técnicas de FA descola

Outrora tema de entusiastas e visionários, a tecnologia tem agora um campo amplo de aplicações.

Quase um terço das empresas pesquisadas aplica o 3DP para produzir pelo menos um destes três tipos de peças funcionais:

  • Componentes e peças finais, que vão integrar produtos finais, usados pelo cliente ou consumidor, (18% das empresas pesquisadas, contra 5% em 2016) — como por exemplo, braçadeiras de liga de titânio
  • Ferramentas, moldes e muito mais, para processos de fabrico tradicionais (15%)
  • Peças de substituição, feitas por encomenda a armazéns virtuais (14%)

Quando visa a produção de peças de substituição, o FA endereça boa parte dos requisitos de custos mais relevantes do negócio, no pós-venda e na reparação: stocks elevados, constrangimentos no acesso/custos de peças mais antigas, necessidade de ter peças desatualizadas ou sem aproveitamento em armazém e transporte.

Tecnologia

17%

de todas as empresas do setor automóvel já usam FA na produção pelo enorme potencial de poupanças de custos que daí resulta.

A nossa pesquisa mostra que o FA atingiu — e ultrapassou — um ponto crucial de viragem, e deixou de ser tema de entusiastas e visionários, para se tornar numa tecnologia com um campo amplo de aplicações. Esta adoção e este crescimento parecem ter condições para continuar: 46% das empresas inquiridas na pesquisa esperam aplicar a tecnologia nas suas linhas de produção em série até 2022, com as empresas asiáticas a liderarem, mais uma vez, o caminho. Por setores, as ciências da vida e a química lideram neste campo: 22% das empresas consultadas usam o FA em produtos finais.

Admitimos dois cenários: O FA vai substituir as tecnologias tradicionais de produção, ou tornar-se-á numa tecnologia adicional de produção. Se substituir outras tecnologias, é provável que seja porque permite uma produção mais económica ou, por outro lado, porque valida processos de produção mais dispendiosos, ao acrescentar valor a produtos que respondem melhor às necessidades dos clientes. Se continuar a coexistir com outras tecnologias de produção, provavelmente posicionar-se-á como uma decisão orientada à aplicação.

Entre os entrevistados na nossa pesquisa, 34% acreditam que o FA vai afirmar-se como uma tecnologia adicional de produção e apenas 12% entendem que substituirá outras tecnologias.

Independentemente disso, o crescente interesse e uso do FA assentam numa série de benefícios significativos, que vale a pena explorar em maior detalhe.

Mulher a inspecionar o trabalho
(Chapter breaker)
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Capítulo 3

Como pode o FA traduzir-se numa vantagem competitiva

Os entrevistados falam em melhores formas de responder aos requisitos dos clientes e na possibilidade de criar protótipos rapidamente — e ver mais benefícios à frente.

As empresas reconhecem cada vez mais que o FA (Fabrico Aditivo) não é apenas uma forma nova de produzir à antiga. Reconhecem que a tecnologia permite projetar e desenhar peças muito mais complexas e flexíveis, para os mais diversos fins.

Por exemplo, conseguem criar diferentes tipos de estruturas geométricas aperfeiçoadas, para responder a necessidades específicas. Conseguem fazer produtos leves com estruturas biónicas ou produzir peças únicas, que antes eram montadas a partir de várias peças – e até integrar estruturas internas que antes estavam confinadas a espaços inacessíveis.

O FA pode proporcionar três níveis escaláveis de benefícios para as empresas:


  • Eficiência. O FA é integrado na cadeia de valor e de operações existente para melhorar eficiência (por exemplo, ter melhores protótipos, moldes, peças de máquinas, ou como estratégia de produção de peças em lote). Neste nível não há redesenho de produtos.
  • Crescimento. O FA permite o (re)design e a criação de produtos finais com funcionalidades melhoradas, ou que até agora não era possível criar, satisfazendo necessidades dos clientes por endereçar e conquistando novos mercados.
  • Transformação. O FA oferece às empresas a oportunidade de ampliar ou transformarem os seus modelos de negócios, reposicionando-se na cadeia de valor ou mesmo ganhando vantagem competitiva com a tecnologia, tornando-se num fornecedor de serviços de FA.

  • Estas valências dão às empresas uma vantagem competitiva: 43% dos inquiridos afirmam que o FA os ajuda a melhor satisfazer as expetativas dos clientes. Isto contribuiu sem dúvida para o crescimento do número de organizações que agora utilizam a tecnologia para produzir componentes finais.

    E o número parece condenado a crescer ainda mais, já que em 2022, 56% dos inquiridos esperam estar a responder melhor às exigências dos seus clientes, via FA. Além disso, até à mesma altura, 34% esperam estar a usar a tecnologia para fabricar produtos complexos que não podiam fazer no passado.

    O valor original do FA, enquanto tecnologia de prototipagem, ainda é relevante para muitos negócios. Trinta e oito por cento das empresas pesquisadas consideram que ter processos de R&D mais rápidos e eficientes são benefícios da tecnologia e 54% acreditam que ainda será assim em 2022.

    Além da prototipagem, as empresas tradicionalmente utilizavam as técnicas de FA para melhorar processos de fabrico existentes. Ao permitir fazer matrizes e moldes com estruturas internas e com ferramentas personalizadas, peças de máquinas, gabaritos e acessórios, a tecnologia aprimorou os sistemas tradicionais de fabrico e manutenção. Isto continua a ser visto como um grande avanço: 32% das empresas entrevistadas citam-no como um dos principais benefícios do FA.

    A capacidade de fabricar produtos onde e quando forem necessários terá um impacto significativo na logística da empresa, permitindo que as organizações reduzam os seus inventários de armazém, esforços de handling e transporte. Mais de um quarto (26%) dos inquiridos afirmam já ter tirado partido destes benefícios.

    Na rápida evolução desta Era da Transformação, pode-se esperar que o fabrico aditivo continue a ganhar importância, com a entrada de novos players no mercado e o surgimento de novos use cases. No nosso relatório completo, Impressão em 3D: hype ou game changer? (pdf), pode encontrar mais sobre tendências, desenvolvimentos e desafios do FA — e o que esperar deste mercado no futuro.

    Resumo

    Com quase uma em cada duas empresas inquiridas à espera de fazer produtos aditivos até 2022, o cenário industrial está a enfrentar uma rápida metamorfose. O fabrico e o design de produto serão transformados, uma nova cadeia de valor será desenvolvida e novos e inovadores modelos de negócios surgirão.

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    Glenn Steinberg

    EY Global and EY Americas Supply Chain Leader

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    Additive Manufacturing enthusiast. Passionate about helping EY clients to reinvent their business with additive manufacturing. Debate coach. Table-tennis player.