3 minutos de leitura 20 mai 2020
EY boy looking at the solar panels

Rethinking sustainability - impacto na ação climática

por

Manuel Mota

Partner, Assurance Services, Energy, Ernst & Young Audit & Associados – SROC, S.A.

Casado e pai de 4 crianças. Adora velejar.

3 minutos de leitura 20 mai 2020

A pandemia colocou desafios nas áreas da sustentabilidade e alterações climáticas. É neste clima que lançamos "Rethinking Sustainability".

Da pandemia da COVID-19 resultou uma redução momentânea dos níveis de poluição e das emissões de gases com efeito de estufa (GEE), com melhorias evidentes na qualidade do ar de muitas cidades. A forte quebra da atividade económica, das deslocações – com queda nos consumos de combustíveis -, a suspensão das ligações aéreas, grande parte das empresas a optar pelo teletrabalho, o encerramento do comércio não essencial, o recuo no consumo de eletricidade (-21% na fase de confinamento, segundo a IEA), são algumas das razões apontadas para a redução.

Dados da Organização Meteorológica Mundial estimam para 2020 uma redução de 6% das emissões globais face a 2019, em resultado da pandemia. Para Portugal, a ZERO estima para março de 2020 a redução de 52 mil toneladas de CO2 por dia (-59% face a março de 2019), em resultado das medidas de contenção adotadas durante o estado de emergência. Será, contudo, incorreto assumir que este abrandamento será a solução para a crise climática atual, já que da recuperação económica resultará um retorno das emissões aos níveis habituais, caso se mantenha o "business as usual".

A pandemia demonstrou ainda o elevado grau de vulnerabilidade das cadeias de valor das organizações, revelando a sua dependência ao nível de certas geografias, indústrias e modos de transporte. Acima de tudo, a disrupção resultante desta crise mundial demonstra a necessidade de redesenhar e adaptar as operações e aumentar a resiliência empresarial. Dada a relevância das emissões da cadeia de valor para a pegada de carbono de uma organização – o "calcanhar de Aquiles" na redução de emissões, como refere o World Economic Forum – a experiência adquirida pela empresa na sua capacidade de se transformar poderá continuar a ser aplicada no futuro. Em particular, esta experiência será fundamental para informar a sua ação climática. Uma maior visibilidade das operações de fornecedores – por vezes indisponível ou incompleta – permitirá avaliar com maior robustez a sua pegada de carbono. Ainda, muitos dos ajustes em análise podem resultar na redução de emissões, com impactos positivos ao nível do seu contributo ambiental e sócioeconómico.

Tal como a crise climática, a recuperação da crise económica exigirá uma coordenação global entre países e necessidades substantivas de investimento. Na resposta europeia à crise, são vários os países a reforçarem a importância de alinhar o fundo de recuperação - do qual se aguarda a proposta por parte Comissão Europeia - com medidas que promovam a transição verde e a transformação digital, de acordo com o objetivo da neutralidade carbónica para 2050 do Pacto Ecológico Europeu.

No novo normal, as empresas devem procurar suportar a análise dos riscos decorrentes das alterações climáticas para os seus negócios – incluindo o risco de disrupção das cadeias de valor. A edição de 2019 do EY Global Climate Risk Disclosure Barometer dá conta do panorama atual da integração das recomendações da Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD) em 970 empresas inquiridas (37 das quais portuguesas) e refere a dificuldade em prestarem informação sobre como as alterações climáticas impactam os seus negócios e qual a sua resposta face à complexidade dos desafios impostos. Ainda, apenas 10% das empresas inquiridas presta informação climática com base em análise de cenários.

De forma a reduzir a vulnerabilidade, é fundamental analisar os riscos climáticos de forma integrada e suportada com ferramentas de cálculo e cenarização que permitam informar a gestão e posicionar os elementos dos seus negócios – operações diretas e atividades a montante e jusante da sua cadeia de valor – no longo prazo, tendo em consideração o impacto de eventuais futuras alterações.

Esta é a altura para as empresas reforçarem conhecimentos sobre os impactos e riscos climáticos e assim impulsionar a sua liderança na descarbonização e na concretização de oportunidades na nova normalidade.

Artigo escrito em coautoria com Beatriz Varela Pinto, Manager EY, Climate Change and Sustainability Services

Resumo

Da pandemia resultou uma redução momentânea das emissões. Contudo, da recuperação resultará um retorno aos níveis habituais, caso se mantenha o "business-as-usual".

A pandemia demonstrou a vulnerabilidade das cadeias de valor e a necessidade de redesenhar e adaptar operações e aumentar a resiliência empresarial.

A experiência adquirida na sua capacidade de se transformar será fundamental para informar a sua ação climática. As empresas devem analisar os riscos climáticos de forma integrada e suportada com ferramentas que informem a gestão e posicionem o negócio no longo prazo.

Esta é a altura para as empresas impulsionarem a sua liderança na descarbonização.

Sobre este artigo

por

Manuel Mota

Partner, Assurance Services, Energy, Ernst & Young Audit & Associados – SROC, S.A.

Casado e pai de 4 crianças. Adora velejar.