4 minutos de leitura 18 dez 2020
EY woman viewing at smart phone stores

Future Consumer Index, Tendências de Comportamento do Consumidor para 2021

por Sérgio Ferreira

Executive Director, Customer & Digital Experiences, Consulting Services, Ernst & Young, S.A.

Integra a equipa de serviços de Human Experience em Consulting em Portugal. Pai de dois filhos, uma rapariga de 15 anos e um rapaz de 21 anos. Adora nadar, ler e passar tempo com a sua família.

4 minutos de leitura 18 dez 2020

A COVID-19 mudou o comportamento dos consumidores, talvez até de forma permanente.

Sumário Executivo
  • 74% dos consumidores portugueses serão mais conscientes e cautelosos com os seus gastos.
  • 43% dos consumidores portugueses comprarão mais marcas próprias.
  • 34% dos consumidores portugueses farão mais compras online de produtos que antes compravam em lojas físicas.

A crise provocada pela COVID-19 mudou a vida das pessoas. O seu impacto promete ser duradouro, alterando a forma como compram, o que compram e como consomem, desde produtos e serviços às experiências sociais. As empresas precisam de prever com urgência que tipos de consumidores estão a surgir, para que possam criar respostas adequadas à crise atual e munir-se dos recursos que a relevância futura exigirá.

Mudança de comportamentos

50%

dos consumidores acreditam que a forma com compram se alterou e permanecerá no futuro. Fonte: EY Future Consumer Index, novembro 2020.

Para responder a esta necessidade, criámos o EY Future Consumer Index o qual nos fornece perceções distintas, valiosas e acionáveis.

Como parte do programa FutureConsumer.Now, nos últimos três anos, imaginámos como seria o futuro consumidor e qual o seu significado para as empresas hoje. Identificámos cenários futuros prováveis e plausíveis e criámos personas de consumo. Esse trabalho de investigação e análise, coloca-nos numa posição de vantagem pela forma única de entender as alterações de consumo em tempo real e, mais importante, projetar cenários futuros pós-crise que daí possam advir.

A COVID-19 está a mudar a forma como os consumidores se comportam em todo o ciclo de necessidades da vida.


Consumidor Inteligente

  • Comprar

    • Crescimento do Comércio Eletrónico
    • Diminuição do Consumo
    • Compras maiores, com menor frequência
    • Mudança de compras para lojas locais
    • Cresce importância da sustentabilidade
    • Preferência por marcas de confiança
  • Viver

    • Um novo estilo de vida centrado na casa
    • Crescimento do online
    • A casa vai continuar a ser o foco para viver, trabalhar e comprar
  • Usar Tecnologia

    • Redução dos contactos pessoais
    • Crescimento da economia sem contacto
    • Mais tempo online
    • Maior consumo de media
    • Crescimento da Touchless Economy
  • Jogar

    • Crescimento do entretenimento digital
    • Mudança do canal de entretenimento para streaming
    • Crescimento do tempo de diversão
  • Trabalhar/Estudar

    • Crescimento do desemprego
    • Trabalho remoto/Escola remota
    • Descréscimo do consumo em mobilidade
  • Mover

    • Redução do turismo de viagens internacionais
    • Aumento do turismo nacional
    • Crescimento da mobilidade sustentável
  • Comer

    • Crescimento da confeção e das refeições em casa
    • Crecimento dos serviços de entrega em casa (comida preparada e de supermercado)
  • Manter-se Saudável

    • Foco na saúde e segurança
    • Acelerar da procura de alimentação
    • Fitness on-demand
    • Crescimento da telemedicina

A pandemia COVID-19 terá um impacto duradouro nos gastos de consumidores em várias categorias de produto:

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A mais recente pesquisa que conduzimos em Portugal junto dos consumidores, a qual decorreu entre a última semana de outubro e a primeira de novembro, revelou-nos um conjunto de insights sobre os hábitos de consumo e decisões emergentes em contexto de pandemia e que mostram a alteração de prioridades dos consumidores portugueses. Dessas mudanças, aquelas que hipoteticamente se irão manter suportam as tendências de consumo para 2021.

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Capítulo 1

Redução do consumo

De regresso ao essencial e à sensibilidade ao preço.

Cerca de 74% dos consumidores portugueses serão mais conscientes e cautelosos com os seus gastos sendo que 67% reduzirão mesmo as despesas em geral, nomeadamente uma redução crescente nos bens e serviços não essenciais. Esta realidade reflete um profundo desconforto em relação ao estado da economia. 

Com o decréscimo de consumo, a intenção de compra em categorias essenciais está a aumentar. Mesmo entre os consumidores com rendimentos mais elevados, vemos que, embora o essencial mostre dinâmica nos gastos, a intenção de comprar produtos discricionários diminuiu significativamente. À medida que o impacto da crise diminui, assistimos a um aumento nos gastos online em categorias não essenciais, como vestuário e calçado - um efeito claramente mais forte entre os segmentos de rendimentos mais elevados e a Geração Z.

Os consumidores querem valor pelo seu dinheiro, especialmente em categorias essenciais. Ligado à preocupação com o estado da economia está um crescente foco do consumidor no preço.

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Capítulo 2

Alteração nas preferências de consumo

Entramos na era da acessibilidade.

A crise provocou o surgimento de novos hábitos, com 91% dos consumidores portugueses consultados a afirmarem mudanças de comportamento de consumo como resposta às pressões económicas, ao encerramento das lojas e à alteração de prioridades.

Esta mudança geral de comportamento também se refletiu numa quebra de lealdade pelas marcas, com 21% dos consumidores a experimentarem outras marcas de produtos como sinal de apoio à economia/empresas locais e 21% a comprarem mais produtos de marcas próprias. O estudo indica-nos que 68% dos consumidores portugueses estão abertos a experimentar novas marcas ou produtos.

Quando questionados sobre o que farão daqui para a frente no que respeita à compra de bens essenciais, 43% afirmam que comprarão mais marcas próprias, com especial incidência sobre os produtos para cuidar da casa, comida embalada, frescos e bebidas não alcoólicas, indicando-nos também que pretendem continuar a usá-las assim que a crise da COVID-19 terminar. 

Os consumidores estão, também, a comprar de forma mais consciente, tendo em atenção o impacto ambiental das suas decisões de compra, com uma crescente procura por produtos nacionais e que estejam alinhados com os seus valores.

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Capítulo 3

Digitalização do consumo

O consumo online veio para ficar.

O distanciamento físico e o maior tempo passado em casa foram catalisadores de novos métodos de compra para todos os segmentos de consumo. Durante a pandemia da COVID-19, o consumo online aumentou significativamente em várias categorias. Uma que continua a aumentar, especialmente em bens essenciais e em categorias de entretenimento em casa. Para 34% dos consumidores portugueses, estes hábitos parecem manter-se com a intenção de compra online de produtos que antes compravam em lojas físicas, mesmo após a COVID-19. Entre as categorias de maior expansão online incluem-se a tecnologia, a beleza e os cuidados pessoais, o vestuário, o calçado e os acessórios.

 

Um novo estilo de vida centrado na casa

A pandemia parece ter criado um novo estilo de vida, mais centrado na casa. De acordo com os consumidores portugueses entrevistados, será um estilo de vida que tende a consolidar-se.

Os resultados do estudo mostram que para os consumidores nacionais a casa vai continuar a ser o foco para viver, trabalhar e comprar a longo prazo. 

48% dos entrevistados esperam trabalhar mais a partir de casa, 61% irão cozinhar para si e para a sua família com maior frequência, 38% optará por planear as refeições durante a semana para cozinhar em casa e 26% afirma que farão mais compras de supermercado online.

É preciso ter em consideração que esta preferência por uma vida mais na centrada em casa se dá num momento de recomposição dos rendimentos familiares, onde este espaço ganha relevância para momentos de interação pessoal física ou remota.

Estes novos comportamentos implicam que as marcas e os retalhistas tenham de obrigatoriamente levar os seus produtos e serviços para a casa dos consumidores, apostando numa presença forte nos canais digitais.

Faça o download do estudo completo em "Portugal: Desafios para 2021".

Resumo

De acordo com o último EY Future Consumer Index, mais de 50% dos consumidores acredita que a forma como trabalham e a forma como compram se alterou devido à pandemia e assim permanecerá no futuro.

Sobre este artigo

por Sérgio Ferreira

Executive Director, Customer & Digital Experiences, Consulting Services, Ernst & Young, S.A.

Integra a equipa de serviços de Human Experience em Consulting em Portugal. Pai de dois filhos, uma rapariga de 15 anos e um rapaz de 21 anos. Adora nadar, ler e passar tempo com a sua família.