3 minutos de leitura 23 jul 2021
An abstract view of the reservoir dam

Os desafios da integridade corporativa durante uma pandemia

por Pedro Subtil

Energy Segment Leader and Forensics & Integrity Services Leader for Portugal, Ernst & Young Audit & Associados – SROC, S.A.

Líder da área Forensics da EY Portugal. Pai de duas raparigas, Beatriz e Sofia com 23 e 20 anos respetivamente. É apaixonado por viagens, gastronomia, arquitetura, design e xadrez.

3 minutos de leitura 23 jul 2021
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Ao nível corporativo, a pandemia da COVID-19 tem deixado a sua marca em todos os setores da sociedade. Quer seja na forma como as pessoas se sentem a nível motivacional, quer seja na reformulação dos vários negócios e das suas operações, ou até na extinção de alguns negócios que não conseguiram aguentar o peso que a pandemia acarretou.

Exemplos de algumas tensões que se têm observado são porventura as perturbações que cadeias de fornecimento têm sofrido ou as pressões que, individualmente, colaboradores de diferentes organizações sentem para corresponder a metas que no passado já eram desafiantes.

Um dos temas quentes que Portugal observa atualmente é a prevenção da corrupção, seja pelas notícias de casos disseminados de forma extensa nos media, seja pela responsabilização que a nível regulatório se tem vindo a observar. Exemplo disso é a recente Estratégia Nacional Anticorrupção, para cujos requisitos regulatórios as organizações têm de preparar respostas.

Para responder a requisitos regulatórios, bem como para se capacitarem de qual o estado de maturidade na área da integridade, as organizações necessitam conhecer-se de forma detalhada.

Nesse sentido, o Relatório de Integridade 2021 | Portugal que a EY publicou recentemente apresenta insights que são obrigatórios para qualquer organização de considerar a fim de refletir sobre a sua própria realidade.

É importante referir que a pandemia amplificou substancialmente os riscos de comportamentos antiéticos. Comportamentos esses que tanto podem passar por observar colaboradores disponíveis para secundarizar procedimentos éticos, como pela incapacidade de ter controlos eficientes, abrindo espaço para novos tipos de atos ilícitos.

Observar o tecido corporativo e a forma como o mesmo se tem vindo a sentir não só antes da pandemia, mas nomeadamente neste momento que vivemos, é de extrema importância. Uma crise como a que o vírus da COVID-19 promoveu aumenta exponencialmente as pressões que os colaboradores vivem. Essas pressões podem originar comportamentos antiéticos que, se identificados, deverão ser obrigatoriamente reportados. No entanto continua a identificar-se uma larga percentagem de colaboradores (em especial de ranks juniores) que temem represálias por reportarem determinados comportamentos antiéticos. Tão ou mais importante que este ponto é o facto de se observar uma significativa disparidade nesta perceção por membros de Conselhos de Administração. Com a transposição da Diretiva Europeia de Whistleblowing, as organizações necessitam de se preparar para providenciar meios seguros para que qualquer pessoa, independentemente do seu rank, possa reportar um comportamento antiético.

Mas não é apenas a nível interno que as organizações deverão preocupar-se. Com a pandemia, Portugal e o mundo assistiram a uma roda-viva de negociações de M&A. As organizações que realizam movimentos de aquisição têm por norma a necessidade de conduzir as suas due diligence, no entanto importa referir que mais do que nunca realizar due diligence de integridade é uma tarefa que embora se possa mostrar como mais um investimento, poderá salvaguardar a reputação das organizações a médio/longo prazo. Prova disso são alguns dos negócios que foram realizados e em que posteriormente as organizações que efetuaram as aquisições descobriram situações de irregularidade e ou comportamentos antiéticos que se mostraram significativamente mais dispendiosos do que a realização de uma due diligence atenta e focada na integridade da operação, pessoas e processos da organização a adquirir.

Faça o download do estudo completo em "Portugal: Desafios para 2021 - 2ª edição - Parte I ".

Resumo

O mote do estudo resume bem o que é necessário considerar: Fazer o que está certo, porque é a coisa certa a fazer. Embora pareça algo extremamente simples e de fácil compreensão, a integridade corporativa está, hoje mais do que nunca, sob uma grande pressão. As necessidades regulatórias começam a surgir bem como as consequências para quem não cumprir as mesmas. As pressões individuais e tensões de negócio aumentam. As variáveis parecem estar a alinhar-se para que tudo possa correr mal. A solução passa por considerar este tema não apenas como algo que fique bem para a opinião pública (greenwashing), mas tratar de endereçar os desafios que se observam. Mesmo que paulatinamente, e de acordo com a dimensão de cada organização, é importante que não se ignore o tema da integridade.

Sobre este artigo

por Pedro Subtil

Energy Segment Leader and Forensics & Integrity Services Leader for Portugal, Ernst & Young Audit & Associados – SROC, S.A.

Líder da área Forensics da EY Portugal. Pai de duas raparigas, Beatriz e Sofia com 23 e 20 anos respetivamente. É apaixonado por viagens, gastronomia, arquitetura, design e xadrez.

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