Para os CEOs, os dias de desfasamento dos desafios globais estão contados?

O Estudo CEO Imperative 2019 da EY revela que investidores e board esperam que os CEOs respondam aos maiores desafios da humanidade - é o novo imperativo de crescimento. Mas como?

Até hoje, a maioria dos CEOs tem optado por permanecer à margem dos esforços para resolver os desafios globais, mesmo quando os mercados em todo o mundo continuam a ser perturbados por uma série de questões, incluindo políticas económicas protecionistas, atrasos tecnológicos e desastres naturais, resultantes das alterações climáticas.

Estudo CEO Imperative da EY mostra que os gestores já não podem usar velhas desculpas para não agir, perante desafios como este. Nem devem pedir permissão para estar na vanguarda das soluções – há a expetativa que o façam e é um novo imperativo de crescimento.

Contrariando o senso comum, a nossa pesquisa com CEOs, diretores e investidores institucionais das maiores empresas mundiais conclui que:

  • Os investidores institucionais não são um travão à ação empresarial para desafios globais. Estão disponíveis para apoiar os investimentos necessários para que as empresas façam progressos nessas questões e irão cada vez mais levar em consideração a resposta das empresas a estes desafios globais nas suas decisões de investimento.
  • Os membros do conselho de administração também apoiam esse envolvimento – até mais que os investidores.
  • Os CEOs, a nível global, veem mais oportunidades de crescimento do que riscos, em endereçar desafios globais.
  • Nos próximos dez anos vamos assistir a avanços significativos nas parcerias público-privadas, no padrão dos relatórios das empresas e na colaboração intersetorial necessária para enfrentar desafios globais.

Estas são algumas das principais conclusões do Estudo CEO Imperative da EY, que inquiriu CEOs, administradores de empresas e investidores das maiores organizações empresariais a nível mundial. Para compreender as perspetivas sobre o papel das empresas na abordagem aos desafios globais, nestes três círculos-chave, o EYQ dirigiu este inquérito global a:

  • CEOs e administradores independentes de empresas listadas na Forbes Global 2000 e na Forbes Largest Private Company
  • Investidores institucionais — incluindo donos e gestores de ativos — com pelo menos 100 mil milhões de dólares em ativos sob gestão

Neste artigo, exploramos os insights obtidos através dos resultados da pesquisa, reveladores de que, investidores e administradores, esperam que as iniciativas empresariais para endereçar desafios globais vão garantir crescimento a longo prazo e captar novas oportunidades. Os dados do EYQ são enriquecidos com pontos de vista pessoais sobre estas questões, fornecidos por CEOs, investidores e administradores de empresas a nível global, recolhidos através de entrevistas aprofundadas. Finalmente, o estudo fornece um plano de ação para que a sua empresa inicie e acelere o envolvimento com estes desafios globais.

Vista aérea da cidade da China
(Chapter breaker)
1

Capítulo 1

Alinhar a necessidade de uma ação empresarial

CEOs, direções e investidores reconhecem que agir perante os desafios globais é um imperativo para crescer.

O aumento das desigualdades sociais, o desgaste dos sistemas de segurança social e a insegurança económica, que deriva da evolução tecnológica, estão a dar força aos movimentos populistas. As alterações climáticas estão a causar novas ondas de imigração. A discriminação de género está a aumentar a vulnerabilidade, a marginalizar populações e a reduzir o potencial de crescimento económico. A tecnologia está a criar novos desafios em torno da propriedade dos dados, privacidade, ética e confiança. Estes desafios estão além da capacidade de resposta individual de qualquer nação ou ou grupo de interesse.

Os desafios globais representam consequências negativas crescentes para economias, empresas e sociedades, se não forem enfrentados. No entanto, vão existir melhorias concretas se forem endereçados. Por exemplo, as Nações Unidas calculam que os países estejam a desperdiçar uma riqueza de  160 biliões de dólares , a nível global, com a descriminação salarial entre mulheres e homens ao longo da vida. Por coincidência, a adoção global de energias renováveis permitiria economizar uma soma igualmente astronómica — 160 biliões de dólares em custos com alterações climáticas até 2050.

Historicamente, a maioria dos CEOs tem optado por não se comprometer com os desafios globais, particularmente com aqueles que são fonte de fricção política. Chegamos a um ponto de viragem em que os líderes das empresas globais, os seus conselhos de administração e os investidores institucionais estão alinhados em relação à necessidade de agir e, mais importante, que deve ser o CEO a liderar essa ação.

"Hoje, enfrentamos uma série de desafios globais: a luta contra as alterações climáticas e a injustiça social estão no topo da agenda. Temos de começar por reconhecer e dar abertamente nome aos desafios. Este é o pré-requisito central para que possamos encontrar as respostas certas e definir objetivos de longo prazo", observa Oliver Blume, CEO da Porsche AG.

Os maiores riscos para os negócios e para a economia global

CEOs, administradores e investidores institucionais colocam dois desafios globais no topo da lista das questões que ameaçam o crescimento dos negócios e a economia global:

  • Cibersegurança nacional e empresarial
  • Perda de emprego, decorrente da evolução tecnológica e questões associadas à educação e requalificação

Estas representam disrupções imediatas, que influenciam o futuro do trabalho, a confiança dos consumidores e a regulação.

"O crescimento empresarial no futuro depende da confiança, seja entre empresas e clientes, pessoas e tecnologia, ou entre administração e funcionários. O risco crescente de ciberataques e a incapacidade de encontrar o equilíbrio ideal entre digital e humano no local de trabalho prejudica a confiança em todas essas dimensões críticas", diz Gil Forer, lead partner da EY Global Markets Digital and Business Disruption e responsável pelo EYQ.

Os CEOs também enfatizam a desigualdade no nível de rendimentos, provavelmente influenciados pelo impacto da questão nos seus clientes e pela volatilidade política que está a provocar.

Os administradores dão prioridade à ética da IA, enquanto se debatem com as questões de parcialidade e confiança, que estas novas capacidades tecnológicas levantam.

Os investidores colocam as alterações climáticas no topo da lista. Este grupo, aliás, há muito que fez soar os alarmes sobre o risco para o valor a longo prazo das alterações climáticas, que estão a tornar-se cada vez mais evidentes.

"Alterações climáticas, instabilidade geopolítica e conflitos, desemprego juvenil, falta de formação, digitalização e desigualdade são alguns dos desafios globais que os líderes empresariais enfrentam e continuarão a enfrentar a curto e médio prazo", observa Isam J. Al Sager, CEO do National Bank of Kuwait.

CEO Imperative – gráfico 1
Investidores e conselhos de administração são mais favoráveis ao envolvimento das empresas que os CEOs

A maioria dos inquiridos nos três grupos da pesquisa defende que as maiores empresas mundiais deveriam ter um envolvimento "grande" ou "muito grande" na resposta aos principais desafios globais que identificaram.

O que é surpreendente é que há mais investidores institucionais (54%) e diretores (58%), do que CEOs (51%), a defenderem que as grandes empresas deveriam empenhar-se em encontrar soluções para os desafios globais.

"Será cada vez mais evidente que as empresas precisam de ser guardiões das gerações futuras e que os conselhos de administração e os gestores de topo, C-suite, têm a responsabilidade de pensar bem nessas questões e delinear um conjunto de ações que permitam às empresas, enquanto entidades, e aos funcionários, enquanto indivíduos, empenharem-se com eles. As empresas são atores relevantes e podem realmente fazer a diferença", diz Piyush Gupta, CEO do DBS Group, um grupo líder em serviços financeiros com sede em Singapura.

Michael Lamach, CEO da Ingersoll Rand, que inclui as marcas Trane® e Thermo King®, observa: "Em muitas situações temos empresas a intervir em áreas onde às vezes os governos nem estão e acho que isso é algo poderoso."

Vista aérea de corrida automóvel na areia do deserto
(Chapter breaker)
2

Capítulo 2

CEOs: A temperatura está a subir

Os CEOs enfrentam a pressão dos diferentes stakeholders para agir sobre os desafios globais — e veem vantagens.

Os líderes atuais estão a ser chamados a ir mais longe do que nunca na demonstração de capacidades de liderança, na tomada de posições públicas sobre questões politicamente polémicas, na escolha de estratégias, políticas e medidas pró-ativas, que ajudem a resolver grandes desafios globais.

"As maiores empresas mundiais têm de se envolver", diz Bala Swaminathan, membro do Asia Advisory Board do Westpac Banking Corporation. "A questão não é saber se a empresa cresce ou não cresce. Mas se continuará ou não a existir."

 Algumas das dinâmicas subjacentes incluem o seguinte:

  • Há uma perceção generalizada de que os governos nacionais não conseguirão responder eficazmente (individual ou coletivamente) aos desafios globais. Menos da metade (47%) da população a nível global confia na capacidade dos seus governos para fazerem a coisa certa.
  • As grandes empresas continuam a ganhar cada vez mais poder económico. Só nos EUA, as receitas da Fortune 500 subiram de 35% do PIB norte-americano em 1955, para 72% em 2016. As empresas podem exercer uma influência significativa noutros atores, tanto global como localmente, graças ao seu rasto global e aos seus amplos recursos.
  • À medida que as empresas se tornaram mais poderosas, funcionários, clientes e outros interlocutores esperam que os CEOs liderem uma resposta aos crescentes desafios globais. 71% dos funcionários  em todo o mundo acreditam que é extremamente importante para o seu CEO responder aos desafios globais e 76% da população prefere ter responsáveis das empresas a liderar a mudança, a esperar que os governos ajam.

"O papel das empresas e dos grandes grupos está a ser cada vez mais questionado. Existimos apenas para promover os interesses dos nossos acionistas? Ou temos uma agenda para além dos acionistas, que se alarga à sociedade em geral, às comunidades e ao prisma dos vários stakeholders? Acho que, muito claramente, precisamos nos posicionar do lado dos stakeholders", diz Gupta do DBS Group.

Quanto maior é a empresa, maior a pressão dos stakeholders

Os CEOs do nosso estudo sentem a pressão, com 67% a reportarem uma pressão moderada a extrema dos diferentes interlocutores, para se envolverem na resposta aos desafios globais. O número sobe para 77% entre os CEOs das empresas de maior dimensão, com receitas iguais ou superiores a 20 mil milhões de dólares. Entre membros dos conselhos de administração, a percentagem é igualmente alta, com 75% dos gestores a admitirem que sentem esse nível de pressão.

"Quanto maior a empresa, maiores e mais diversificados são os seus grupos de interesse e, portanto, maior é a sua responsabilidade em promover mudanças sociais positivas – enquanto se eliminam riscos para garantir sucesso no futuro", observa Al Sager do National Bank of Kuwait.

Os clientes são o principal grupo de pressão, de acordo com a maioria dos CEOs (52%). Os executivos também incluem os acionistas (40%), os empregados (40%) e o público (39%) entre os grupos que exercem maior pressão.

CEOs, conselhos e investidores veem mais oportunidades do que riscos em endereçar os desafios globais

A iniciativa empresarial sobre desafios globais tem oportunidades e riscos. Por um lado, fazer progressos na resolução de desafios globais ajuda a lançar as bases para um crescimento sustentável a longo prazo e oferece a oportunidade de aprofundar relações com clientes, funcionários e outros interlocutores importantes. Por outro lado, nem todos os interlocutores estão necessariamente de acordo em relação àquilo que são as medidas certas a pôr em prática e há riscos na execução.

Olhando para o equilíbrio entre oportunidade e risco, a maioria dos CEOs vê mais oportunidades que riscos, em ter um papel mais ativo perante estes desafios globais. Conselhos de administração e investidores não ficam muito atrás, com uma larga fatia de ambos os grupos a identificarem mais oportunidades. Nenhum dos três grupos vê mais riscos que oportunidades em avançar com medidas.

CEO Imperative – gráfico 2

Atrair os melhores talentos é para os CEOs a maior oportunidade de crescimento que resulta de uma postura mais ativa, face aos desafios globais. Melhorar a posição competitiva da empresa (34%) e atrair novos ou tipos diferentes de investidores (33%) também são aspetos muito destacados.

Os CEOs de empresas com receitas de 20 mil milhões de dólares ou mais têm uma visão distinta das oportunidades de crescimento. Defendem que a criação de novos modelos de negócios e serviços que ajudem a enfrentar os desafios globais é a principal oportunidade de crescimento (40%), vinculada à atração dos melhores talentos. Apenas 18% das empresas de menor dimensão apontam os novos modelos de negócios e serviços como uma das principais oportunidades de crescimento.

Angela Rodell, Chief Executive Officer da Alaska Permanent Fund Corporation refere: "Eu vejo-os através de uma lente mais positiva que negativa. Penso nas oportunidades de crescimento. Embora estes desafios sejam realmente dolorosos, a mudança é realmente dolorosa, dessa [mudança] saem algumas formas realmente interessantes de pensarmos onde queremos crescer."

acima da ponte ANZAC em Sidney
(Chapter breaker)
3

Capítulo 3

Investidores querem valor a longo prazo, mais do que retornos a curto prazo

Os investidores estão a dar cada vez mais atenção à resposta das empresas aos desafios globais e apoiam a alocação de recursos ao tema.

Os investidores institucionais há muito que são vistos como um freio às decisões empresariais que não geram retorno a curto prazo. No entanto, nos últimos anos, o quadro começou a mudar. O Projeto Embankment, para identificar e criar novas métricas para medir e demonstrar valor de longo prazo para os mercados financeiros, tem o apoio de alguns dos maiores donos e gestores de ativos do mundo. A carta anual ao CEO de Larry Fink, CEO da empresa de gestão de ativos BlackRock, vai nesse sentido e apela aos executivos da empresa para se concentrarem na criação de valor a longo prazo.

"É vital que as empresas estejam empenhadas em enfrentar estes desafios globais pela simples razão de que é essencial para a criação de valor a longo prazo. As empresas não se envolveram o suficiente no passado em questões a longo prazo", diz Mark Delaney, Chief Investment Officer da AustralianSuper.

"As empresas são um dos muitos stakeholders que operam numa economia mundial, afetada por desafios globais. Na nossa opinião, qualquer atividade da empresa que contribua para um agravamento dos desafios sociais e/ou ambientais irá, a prazo, desencadear uma reação numa série de diferentes atores, tais como governos, reguladores, funcionários, clientes, etc.", explica Petra Pflaum, Chief Investment Officer for Responsible Investments and EMEA Co-Head of Equities, do DWS Group. "Isso acabará por ter impacto no potencial de criação de valor de uma empresa."

A nossa pesquisa, realizada junto de investidores institucionais a nível global, mostra que os investidores cada vez mais consideram questões ligadas à criação de valor a longo prazo, como a resposta das empresas aos desafios globais.

Praticamente todos (98%) os investidores entrevistados relatam que a resposta de uma empresa aos desafios globais foi com alguma frequência relevante para as suas decisões de investimento nos últimos dois anos. Mais da metade (55%) afirma que os desafios globais influenciaram essas decisões com frequência ou com muita frequência.

CEO Imperative – gráfico 3

O foco do investidor nos desafios globais deverá aumentar. Olhando para o futuro, 83% dos investidores institucionais admitem que a resposta das empresas aos desafios globais vai tornar-se mais importante nas suas decisões de investimento, ao longo dos próximos cinco anos.

Mas será que os investidores vão de facto fazer o que defenderam e apoiar o investimento empresarial para enfrentar desafios globais? As respostas dos investidores institucionais sugerem que chegou a hora de reavaliar uma visão que dá prioridade ao desempenho de curto prazo, em detrimento do crescimento de longo prazo. A maioria dos investidores (60%) apoia investimentos de longo prazo para endereçar desafios globais, mesmo que o desempenho a curto prazo seja afetado.

CEO Imperative – gráfio 4

Ainda que a maioria dos investidores defenda o investimento corporativo na resposta a desafios globais, também reconhecem que o seu setor podia ser mais eficaz neste contributo: 86% dos entrevistados admitem que há uma oportunidade nas suas classes de ativos para alterar modelos e práticas de investimento e melhorar o alinhamento entre interesses empresariais e a resposta a desafios globais.

CEOs, conselhos e investidores preveem progressos significativos nos próximos 5-10 anos nas parcerias, modelos de reporting das empresas e colaboração necessária para enfrentar desafios globais

Os desafios globais são aqueles que não podem ser resolvidos por nenhum país ou grupo de interesse individualmente. CEOs, diretores e investidores antecipam um mundo com progressos significativos nas parcerias público-privadas, padrões de reporting das empresas e na colaboração intersetorial necessárias para enfrentá-los com sucesso:

  • 80% dos CEOs acreditam que o governo, as empresas e o público vão recompensar as empresas que adotem medidas relevantes em relação aos desafios globais, o que significa que a vantagem competitiva pode ser obtida através da liderança nestas questões.
  • 83% dos diretores dizem que as parcerias público-privadas para enfrentar os desafios globais vão tornar-se mais comuns, o que sugere que a capacidade de colaborar com governos a diferentes níveis tende a tornar-se uma capacidade cada vez mais importante.
  • 84% dos investidores institucionais acreditam que os relatórios das empresas vão passar a estar focados na estratégia de longo prazo, no crescimento e na sustentabilidade. Isto ressalta a força desta mudança para um foco na criação de valor a longo prazo e um afastamento das metas de curto prazo.
Via Láctea Vale Sentado Hen Butte dos Deuses Utah
(Chapter breaker)
4

Capítulo 4

Plano de ação para o crescimento da sua empresa

Agir sobre os desafios globais é um novo imperativo de crescimento para as empresas. Qual é o seu plano?

Os grandes desafios globais representam riscos diretos para o crescimento empresarial. Os mercados locais em todo o mundo continuam a ser perturbados por uma série de desafios, incluindo políticas económicas protecionistas, atraso tecnológico e desastres naturais causados pelo clima. De um ponto de vista económico, faz sentido que as empresas se envolvam e tomem medidas em relação a estas questões. E os riscos de não agir – para o crescimento das organizações – tendem a agravar-se, num ambiente em que os atores com poder digital estão preparados para recompensar as empresas que lideram a resolução destes problemas e para punir as que não o fizerem.

Para viabilizarem o seu crescimento futuro, as empresas têm de ser proativas na formulação de planos de curto e longo prazo, que comprovadamente trabalhem para resolver os complexos desafios globais que enfrentamos. Os CEOs e as empresas líderes não podem continuar a dar-se ao luxo de ficar à margem.

"Os CEOs têm de entrar nesta agenda", diz Gupta do DBS Groups. "E francamente, eu mesmo e os meus pares temos de admitir que algumas das principais questões, relacionadas com os cidadãos e outras, só entraram no nosso radar nos últimos anos."

A onda de interesse das empresas neste tema está a crescer, à medida que as organizações buscam soluções para enfrentar as ameaças ao crescimento empresarial e económico e respostas para as expectativas de liderança neste domínio, dos diferentes stakeholders. Igualmente importantes são as oportunidades que se desenham para aumentar a competitividade, excedendo as expetativas de aprofundar relações com talentos e clientes, e desenvolver novos modelos de negócio que integrem soluções para os desafios globais.

 

Agenda de ação

A liderança nos desafios globais é o novo imperativo do crescimento. Uma agenda de ação deve promover uma transformação organizacional, orientada para a resposta aos desafios globais mais relevantes para a empresa.

Lamach da Ingersoll Rand aconselha: "A primeira coisa que eu diria a qualquer CEO é para identificarem pontos em alinhamento com a sua estratégia e manterem-se fiéis a eles. Acho que a sustentabilidade é muito mais genuína e tem muito mais peso quando está ligada à estratégia, ao negócio, à missão, aos investimentos da empresa e à sua estratégia de fusões e aquisições."

1. Identifique os seus desafios globais e dê respostas autênticas. As perguntas a fazer a si mesmo incluem:

  • Quais são os desafios globais mais importantes nas nossas áreas operacionais? E para as nossas partes interessadas?
  • Direta ou indiretamente, como estamos a agravar os desafios globais? Controlamos as nossas externalidades?
  • Onde podemos ter maior impacto? Quais são as nossas lacunas em termos de capacidades?

2. Alinhe gestores C-suite, conselho de administração e investidores num mesmo ponto de vista e plano de ação para os desafios globais. Considere questões tais como:

  • Que nível de pressão exercem os stakeholders? Quem são os que mais pressionam?
  • Quadros C-level, conselho de administração e investidores têm perceções distintas da pressão exercida pelos diferentes interlocutores?
  • Qual é o saldo entre oportunidade e risco na ação e na inação? Que oportunidades existem para aprofundar relações com clientes, colaboradores e potenciais talentos?
  • Há uma oportunidade para atrair investidores diferentes?

3. Fazer uma mudança transformacional. Você deve liderar soluções; ser menos um problema já não é o que se espera. Fazer esta mudança requer uma transformação interna, que irá permitir ações externas:

  • O propósito da empresa deve estar ligado a desafios globais, mas não pode ficar por aí. O propósito deve dar o mote para uma transformação interna que permita refletir na cultura e nas operações da empresa a sua postura e objetivos face aos desafios globais — ou seja, é preciso passar das intenções às ações.
  • Para isso, a estratégia empresarial deve integrar uma visão de curto e longo prazo sobre os riscos, oportunidades e respostas da organização aos desafios globais.
  • Incentivos organizacionais, governance e métricas devem ser ligados aos progressos nos desafios globais, para impulsionar ações relevantes.
  • A gestão de topo deve ser evangelizadora e representar com autenticidade a posição da empresa em relação aos desafios globais.
  • Selecionar e desenvolver métricas e narrativas que expressem o valor a longo prazo das iniciativas da empresa para enfrentar os desafios globais.

O Estudo CEO Imperative da EY mostra que os CEO e as empresas que lideram, já não podem permanecer à margem dos desafios globais que ameaçam o crescimento dos negócios e da economia. E também não devem pedir permissão para estar na vanguarda das soluções — é o que se espera e um novo imperativo de crescimento.

Contrariando o senso comum, investidores e conselhos são mais favoráveis ao envolvimento das empresas que os CEO. Por sua vez, os CEO sentem a pressão dos stakeholders para agir sobre os desafios globais e vêm nisso mais aspetos positivos do que o risco. Chegamos a um ponto de viragem em que os líderes das empresas globais, os seus conselhos de administração e os investidores institucionais estão alinhados em relação à necessidade de agir e, mais importante, que deve ser o CEO a liderar essa ação.

Resumo

Para viabilizarem o seu crescimento futuro, as empresas devem ser proativas na formulação de planos de curto e longo prazo, que comprovadamente trabalhem para resolver os complexos desafios globais que enfrentamos.

Sobre este artigo