4 minutos de leitura 20 mai 2020
EY employee analyzing the data in Ipad

Transformação digital na função fiscal das seguradoras

por

Luís Pinto

Associate Partner, Tax Financial Services, Ernst & Young, S.A.

Casado e pai de 3 filhas. Adora futebol, ouvir música e viajar com a família. Gosta de correr ao ar livre, pelo menos duas vezes por semana.

4 minutos de leitura 20 mai 2020

A situação extraordinária que atravessamos, irá acelerar a necessidade de transformação digital na função fiscal das seguradoras, para dar resposta aos desafios que se colocam.

Asituação particular e extraordinária que atravessamos, até há pouco meses inimaginável, tem suscitado inúmeros "novos" desafios que as empresas do sector financeiro, e em particular as do sector segurador, têm sido obrigadas a enfrentar, procurando manter a sustentabilidade da sua atividade corrente e garantido a melhor resposta possível às necessidades dos clientes.

Formas de trabalho alternativas, de que o teletrabalho é um exemplo, sendo atualmente uma realidade, trouxeram novamente à discussão a necessidade de repensar a forma como tradicionalmente o negócio se encontra estruturado, não apenas ao nível da reorganização das funções mais focadas na vertente do cliente, mas também das tarefas de suporte que garantem o funcionamento de uma estrutura, por vezes ainda demasiado pesada, mas essencial para o desenvolvimento da atividade.

Neste contexto, a (nova) função fiscal na atividade seguradora, assente numa estrutura financeira dinâmica e complexa, apresenta ainda mais desafios tendo presente a crescente tendência de digitalização das administrações fiscais, as constantes alterações regulatórias/prudenciais e a necessidade da transparência (fiscal, financeira ou regulatória), que convergem num aumento exponencial de dados e informação cada vez mais detalhada, sendo cada vez mais a base de qualquer organização.

É, portanto, perante este new normal que importa dotar a função fiscal de ferramentas e sistemas tecnológicos mais adaptados às atuais circunstâncias, visando um maior controlo da informação e maior eficiência no seu tratamento, evitando tarefas time consuming e com pouco valor acrescentado (como sejam, reclassificações, reconciliações e agregação ou desagregação de dados, entre outros).

Por outro lado, e segundo uma tendência que começa a ser generalizada, as empresas do sector segurador necessitam de estar cada vez mais focadas em diversas fontes de informação, na estruturação de dados ao nível da operação e na melhoria substancial da qualidade dos mesmos, não só numa ótica de produto ou serviço, mas também, na perspetiva financeira e fiscal, sendo, por isso, crucial a intervenção da função fiscal na estruturação e desenho dos sistemas de informação das organizações.

Tais constatações levam-nos a concluir que as competências e capacidades da função fiscal nas entidades do sistema segurador estão, de facto, em mudança, sendo este um processo irreversível.

E essa mudança, sendo desejada e bem-vinda, exige a necessidade de recursos com competências técnicas diversificadas, agora mais vocacionadas para o tratamento analítico e visualização de dados (assumindo um papel de verdadeiro intérprete da informação), assegurando, assim, não apenas a continuidade do tempestivo e adequado cumprimento do manancial de obrigações fiscais existentes, mas também a capacidade de produção de análises com efetivo valor acrescentado para a organização.

O plano de transformação digital da área fiscal deve, portanto, ser encarado como uma verdadeira necessidade, cuja crise atual veio acentuar de forma ainda mais visível, e que poderá diferenciar decisivamente o desenvolvimento sustentado das instituições nos próximos anos.

Artigo escrito em coautoria com Tiago Silva, Senior Manager EY, Global Compliance & Reporting

Resumo

A situação particular e extraordinária que atravessamos, irá alterar, de forma inequívoca, a necessidade de adaptação dos mercados e de todos os agentes económicos que neles operam de forma global. Neste âmbito, a necessidade de implementação de uma verdadeira transformação digital na função fiscal das Companhias de Seguros, para fazer face aos diversos desafios que se irão colocar e responder adequadamente ao "novo normal" é imperativa.

Sobre este artigo

por

Luís Pinto

Associate Partner, Tax Financial Services, Ernst & Young, S.A.

Casado e pai de 3 filhas. Adora futebol, ouvir música e viajar com a família. Gosta de correr ao ar livre, pelo menos duas vezes por semana.