Comunicado de Imprensa

20 jul 2020 Lisbon, PT

EY Attractiveness Survey Portugal 2020

Portugal bate recorde de Investimento Direto Estrangeiro, com 158 projetos anunciados em 2019.

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Florbela Lima

Partner, EY-Parthenon, GPS, PE, Strategy and Transactions, Ernst & Young, S.A.

Mãe de um casal de pré-adolescentes, gosta de viajar, jardinagem e campo. Relaxa a ouvir música, em particular no carro.

Miguel Farinha

Partner, Strategy and Transactions, Ernst & Young, S.A.

Responsável por quintuplicar a dimensão da equipa de Strategy and Transactions da EY Portugal para mais de 110 pessoas. Casado, pai de três crianças com mais duas emprestadas, adora viajar, o Baleal e o Benfica.

Lisboa / 20 de Julho de 2020. O ano de 2019 assume-se como um marco histórico para Portugal no que ao Investimento Direto Estrangeiro (IDE) diz respeito.

  • O número de projetos de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) em Portugal atingiu, em 2019, um recorde (158), mais do que duplicando face ao ano anterior. O número de postos de trabalho criados (12.549 no total) seguiu a mesma tendência, refere a nova edição do estudo EY Attractiveness Survey Portugal 2020.
  • Análise da EY considera os efeitos da pandemia Covid-19 nos projetos de IDE de 2019, estimando que, dos 158 anunciados, aproximadamente 20% podem estar em risco de serem adiados, fortemente ajustados ou cancelados – um valor bastante inferior à média europeia (35%) e que se explica pelo perfil do IDE na economia nacional.
  • Portugal foi, em 2019, a 8.ª economia da União Europeia mais atrativa para os investidores estrangeiros. A sua performance recorde traduziu-se numa fatia de 2,5% do volume total de IDE em toda a Europa (1,2% no ano anterior), permitindo a Portugal escalar seis posições no ranking das economias europeias mais atrativas (do 17.º lugar para o 11.º posto).

No ano passado, o número de projetos anunciados atingiu 158, um valor recorde que representa uma aceleração de 114% face aos 74 projetos registados em 2018. No total, estes 158 projetos representam 12.549 postos de trabalho, número que mais do que duplicou em relação ao ano anterior (6.100). Estas são algumas das conclusões que a EY Portugal divulga, esta segunda-feira, em mais uma edição do estudo EY Attractiveness Survey Portugal 2020, que anualmente avalia a perceção dos investidores estrangeiros relativamente à atratividade do País enquanto destino de IDE.

Num ano marcado pela incerteza e pela escalada de tensão nas trocas comerciais mundiais, Portugal conseguiu diversificar a origem do IDE e atrair geografias altamente qualificadas. O número de projetos de IDE provenientes de outros países europeus subiu de 59 para 108, mas a proporção do investimento europeu caiu de 80% para 68%, uma vez que a economia nacional conseguiu atrair o triplo do número de projetos com origem em geografias não europeias (de 15 para 50 projetos). Os Estados Unidos tornaram-se, em 2019, no maior investidor em território português, com 26 projetos anunciados. Já a Alemanha (22) e França (21) ocupam as posições seguintes no pódio dos maiores investidores. Uma nota também para o Reino Unido que mais do que duplicou o número de projetos de investimento em Portugal, de seis, em 2018, para 15, no ano seguinte.

Num ano de crescimento generalizado, em que nenhum setor de atividade observou uma quebra nas intenções de investimento estrangeiro, a área do Digital reforçou a sua posição de liderança em termos de atratividade, praticamente triplicando os projetos (de 15 para 42) e aumentando significativamente o número de empregos criados (de 1.610 para 3.766). O setor da Fabricação e Fornecimento de Equipamento de Transporte também cimentou o investimento estrangeiro (31 projetos e 4.148 postos de trabalho), com os Serviços Empresariais a ultrapassarem o setor Agroalimentar e passando a ocupar a terceira posição no ranking dos setores de atividade que mais projetos de IDE atraíram em 2019. Combinados, estes três setores representam mais de metade dos projetos anunciados (59%) e 73% dos empregos criados.

Lisboa posiciona-se como a região que mais IDE atraiu no ano passado, num total de 62 projetos (32 na edição anterior), que proporcionaram 4.090 novos postos de trabalho, sobretudo nos setores do Digital e dos Serviços Empresariais. Já o Norte do País destaca-se pelo número de empregos criados: 5.722 novos postos de trabalho em 51 projetos de investimento angariados para a região (27 em 2018), principalmente nos setores de Fabricação e Fornecimento de Equipamento de Transporte e Digital. A região Centro ocupa o terceiro posto no top regional, atraindo 26 projetos (21, no ano anterior), responsáveis por 1.518 empregos. O Alentejo foi a única área geográfica a registar um decréscimo nas intenções de investimento, passando de 21 projetos de IDE anunciados em 2018 para nove, no ano seguinte.

O impacto da pandemia no IDE em Portugal

Em 2019, Portugal passou para a 11ª posição, entre as economias europeias, em termos de atratividade de IDE, subindo seis posições relativamente ao ranking do ano anterior e alcançando um fatia de 2,5% do total do investimento estrangeiro anunciado para a Europa.

Trata-se de uma performance muito positiva que, como acontece a nível global, deverá ser afetada pelos efeitos da Covid-19. Na verdade, por toda a Europa, já se sente o impacto imediato da pandemia nos projetos de IDE – apesar de em menor grau do que o esperado para os novos projetos planeados para 2020. De acordo com uma ronda que a consultora EY fez por várias agências responsáveis pela promoção do investimento externo, dos 6.142 projetos de IDE anunciados nas diversas economias europeias, no ano passado, 35% estão em risco de serem adiados, fortemente ajustados ou até cancelados. Contudo, em Portugal, o impacto esperado deverá ser menos severo, com 20% dos 158 projetos anunciados potencialmente em risco.

"Naturalmente, Portugal não está imune às ondas de choque provocadas pela pandemia de Covid-19, um acontecimento que vem perturbar, sem precedentes, a vida das pessoas e da atividade económica, que está altamente dependente de setores que estão a ser fortemente afetados pela crise, nomeadamente o Turismo e Lazer, ou a Aviação. Neste contexto, o IDE será certamente impactado. Todavia, a nossa análise mostra que o IDE em Portugal poderá ser mais resiliente no curto prazo do que na maioria das economias congéneres europeias, devido ao perfil dos projetos que o País tem conseguido atrair. Tratando-se de uma economia orientada para os serviços, em que uma larga fatia dos projetos de IDE se destina a atividades ligadas ao desenvolvimento de software, Investigação & Desenvolvimento ou à criação de centros de serviços partilhados, é expectável que o impacto a curto-prazo seja menos severo", nota Miguel Farinha, partner da EY Portugal e responsável pela área de Strategy and Transactions. Acrescenta: "A economia portuguesa também beneficia de ativos sólidos, incluindo a robusta e sólida infraestrutura digital ou uma força de trabalho qualificada e adaptável, o que tenderá a promover a resiliência destes setores de atividade mesmo em cenário de crise."

A resiliência a curto prazo do IDE e a atratividade de Portugal a longo prazo vão, assim, depender da capacidade do País em reforçar os seus pontos fortes e a sua notoriedade enquanto destino de IDE. Num inquérito lançado a investidores estrangeiros em março passado, quando os efeitos da pandemia de Covid-19 ainda não se faziam sentir em toda a sua plenitude, embora várias economias – incluindo a portuguesa – se preparassem para entrar em período de confinamento, 47% dos inquiridos mostravam-se, então, confiantes de que a atratividade de Portugal iria continuar a melhorar nos próximos três anos; 36% afirmavam que se iria manter estável e apenas 10% apontavam para uma deterioração no mesmo período.

Florbela Lima, partner da EY Portugal e líder da EY-Parthenon, afirma: "Estes níveis de confiança muito positivos dos investidores derivam do reconhecimento que Portugal detém um conjunto de ativos sólidos que, a par do desempenho económico favorável que tem vindo a demonstrar nos últimos anos, têm levado a uma perceção cada vez positiva do País enquanto destino atrativo de investimento externo. Por isso, sendo certo que a pandemia impactará negativamente as intenções de investimento a curto prazo, Portugal pode beneficiar face a outras economias se se mantiver focado em melhorar os fatores de atratividade que mais influenciam os investidores – e que incluem, entre os mais favoráveis, a qualidade de vida, a estabilidade social ou a pool disponível de talento. Mas, tão ou mais importante, o Governo e as autoridades locais terão de rápida e eficazmente trabalhar os fatores a que têm sido apontadas algumas deficiências pelos investidores. Felizmente, de acordo com os resultados do estudo, tem havido um progresso notório em temas como a flexibilidade laboral ou a tributação às empresas."

O inquérito aos investidores mostra que Portugal não só reforça a performance dos seus recursos mais atrativos – a qualidade de vida, as infraestruturas de transporte e de telecomunicações ou o potencial de aumento de produtividade, entre outros – como também melhora substancialmente outros fatores, incluindo a flexibilidade da legislação laboral; os incentivos oferecidos pelas autoridades municipais e regionais ao investimento; a tributação às empresas; a estabilidade e transparência política, legal e regulatória; e os incentivos oferecidos pelo Governo.

"O atual contexto de pandemia irá acelerar as mega tendências em curso: a digitalização da economia e a aceleração tecnológica; o maior peso dos temas da sustentabilidade e das alterações climáticas nas decisões de investimento; e a reconfiguração e maior proximidade das cadeias de fornecimento. Nesse sentido, tendo em conta a apetência tecnológica e digital da economia portuguesa e a sua localização geográfica privilegiada, Portugal poderá, apesar das circunstâncias, assumir-se como um destino cada vez mais privilegiado para o IDE. Por isso, há que manter o investimento na inovação e na indústria tecnológica, apostando no desenvolvimento da educação e das competências e, simultaneamente, oferecendo um enquadramento tributário mais amigo do investimento. Estes são algumas das medidas consideradas mais relevantes pelos investidores. Garantir a competitividade da economia portuguesa é garantir a permanência e resiliência do IDE, uma das chaves para a recuperação económica que temos pela frente", conclui Florbela Lima.

Para mais informações, consulte a versão completa do estudo EY Attractiveness Survey Portugal 2020.

Faça download do estudo completo (PDF 6.8 MB)

Sobre a EY

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