Comunicado de Imprensa

18 dez 2020 Lisbon, PT

EY identifica os principais desafios de Portugal para 2021

“É melhor preparar o futuro do que lamentar o passado. Foi com este mote que a EY preparou esta compilação das perspetivas dos nossos especialistas sobre os desafios que nos esperam em 2021”, apresenta João Alves, Country Managing Partner da EY Portugal.

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  • "Conhecer os desafios ajuda a encontrar o caminho?" é o título do mais recente estudo da EY.
  • Estruturada com base em seis grandes áreas – Crescimento, Sustentabilidade, Talento, Digital, Consumidor e Estado – esta publicação contém 23 análises aos principais desafios económicos que os portugueses e Portugal têm pela frente.
  • Fusões e aquisições, planos de investimento, private equity, financiamento e moratórias, imobiliário, setor segurador pós-pandemia, transição climática, renováveis e hidrogénio, futuro do trabalho, cibersegurança, tendências de consumo, sistema de saúde, recuperação e resiliência, ética e Orçamento do Estado são alguns dos subtemas analisados no relatório.

Lisboa, 18 de dezembro de 2020. “É melhor preparar o futuro do que lamentar o passado. Foi com este mote que a EY preparou esta compilação das perspetivas dos nossos especialistas sobre os desafios que nos esperam em 2021”, apresenta João Alves, Country Managing Partner da EY Portugal.

Organizada em seis grandes áreas – Crescimento, Sustentabilidade, Talento, Digital, Consumidor e Estado – esta publicação contém 23 análises aos principais desafios, oportunidades e tendências que temos pela frente no próximo ano.

Para João Alves, "o próximo ano vai trazer dois tipos de desafios: por um lado, vai expor consequências económicas da pandemia que têm vindo a ser mitigadas pelas medidas de apoio do Estado; por outro, vai tornar claro que o mundo pós-pandemia é diferente, com clientes e colaboradores que evoluíram para além do que era o padrão no início de 2020."

De todos os desafios apontados no estudo "emerge uma tendência cada vez mais segura e que a EY já defendia antes da pandemia: fenómenos globais como as alterações climáticas e uma postura mais atenta das novas gerações estão a traduzir-se numa reorientação das prioridades dos investidores, tornando cada vez mais importante a adoção de estratégias de criação de valor a longo prazo, que atendem às necessidades de todos os stakeholders: acionistas, colaboradores, clientes e a sociedade em geral", adianta o Country Managing Partner da EY Portugal.

1. Crescimento

Nesta análise para 2021, por exemplo, a EY prevê que as intenções e os planos de investimento, serão fortemente influenciados pela rapidez na adoção de tecnologia, pelo foco nas alterações climáticas e na sustentabilidade, e pela reconfiguração das cadeias de distribuição.

As operações de fusões e aquisições (M&A) irão continuar a crescer em Portugal, em volume e em valor, com investidores internacionais e portugueses a procurarem oportunidades interessantes para criar ou reforçar o seu posicionamento no mercado.

Neste ano que revelou ser uma prova de fogo para a economia e os empresários, a análise da EY conclui que as empresas que se adaptaram e deram provas de resiliência serão as mais capazes de atrair o investimento de private equity, que, por seu turno, priorizará: a tecnologia, o talento, a responsabilidade social (64% das sociedades gestoras de private equity possuem atualmente uma política de responsabilidade social) e as soluções de investimento tailor made.

No que ao tema das moratórias diz respeito, e "atendendo a que o fim da moratória legal não coincidirá com o fim da crise económica, é expectável que as restrições de liquidez enfrentadas pelas empresas sofram novo agravamento e assim não consigam fazer face ao seu serviço de dívida", lê-se no estudo da consultora.

A moratória legal foi desenhada e pensada, na fase inicial da pandemia, para aliviar a tesouraria das empresas e para lhes dar tempo, na expetativa de que a curva de recuperação económica fosse mais rápida. "Eram tempos de grande incerteza, em que as respostas tinham que ser rápidas. Hoje sabemos, sem grande dúvida, que, a par do lay-off simplificado, a implementação da moratória legal foi uma das medidas de apoio do Estado mais importantes e determinantes para o alívio da tesouraria das empresas". Esta é uma das observações que constam no relatório da EY.

Em paralelo, foram e continuam a ser disponibilizadas linhas de crédito de apoio à tesouraria e à retoma económica, com garantia do Estado. "No entanto, face à escalada do número de casos, decorrente da segunda vaga da pandemia, é expectável uma quebra económica assaz mais vigorosa, e de um impacto ainda mais negativo no desempenho das empresas, em geral, e de alguns setores em particular, como sejam, por exemplo, o do Turismo e o do Retalho", está também referido no estudo.

Especificamente no setor segurador, a EY antecipa, por exemplo, que a nova era do seguro de vida seja bastante diferente. Será necessário que as seguradoras desenvolvam produtos e serviços mais acessíveis, digitais, simples e que apresentem soluções integradas e adaptáveis às necessidades especificas de cada cliente.

no imobiliário o interesse mercado português irá manter-se a médio e longo prazo, antevê a EY, mas "com muitos projetos em pipeline concebidos para uma realidade distinta da que se irá viver após 2021, é de prever que se assista a uma redefinição e alinhamento de estratégias e dos projetos com a nova realidade", lê-se no relatório.

2. Sustentabilidade

Conhecer os desafios para ajudar a encontrar o caminho significa também refletir e analisar o que acontecerá no próximo ano em termos de sustentabilidade.

"A pandemia da Covid-19 veio evidenciar as ligações de interdependência entre a biodiversidade, as alterações climáticas, a sustentabilidade, o bem-estar individual, a saúde pública e a economia, de tal forma que temos vindo a repensar os nossos comportamentos enquanto indivíduos e membros de uma sociedade global", consta no documento da consultora. É o chamado Eco-Living. Cerca de 29% dos consumidores confirmam a intenção de serem mais conscientes sobre as suas ações e o impacto que elas têm no mundo.

"Este despertar de consciência estende-se à forma como comemos, como nos vestimos, trabalhamos, viajamos ou nos mantemos saudáveis. 2021 transformará aquilo que é hoje uma necessidade – a procura pelo bem-estar – num estilo de vida mainstream", conclui o estudo. 

A pandemia provocou também mudanças nas expetativas dos colaboradores, que esperam um maior compromisso por parte dos empregadores – horas de trabalho mais flexíveis, licença remunerada, instalações seguras, formação ou apoio à saúde mental.

Do outro lado da equação, as empresas que definam uma agenda para um crescimento resiliente face às alterações climáticas serão vistas com uma perspetiva mais atrativa em termos da sua capacidade de, no longo prazo, resistir a choques sistémicos. Neste caso, a pandemia Covid-19, em vez de desviar a atenção da necessidade de promover um futuro sustentável, veio reforçar esse imperativo.

Também no setor financeiro, cujo maior desafio é a rentabilidade, a sustentabilidade, alicerçada no digital, é a oportunidade para alterar o paradigma do modelo de negócio e focar na criação de valor de longo prazo, já que os dados estão na base de quase todas as atividades financeiras sustentáveis e, em particular, na base das decisões, da gestão e da divulgação de informação. De acordo com o estudo da EY, "a nova realidade será composta por players diferentes, por aqueles que forem capazes de redefinir e transformar o modelo de negócio e de posicionar-se na vanguarda do desenvolvimento tecnológico."

A um nível global, os desafios que o país enfrenta para garantir que possui os recursos humanos necessários para suportar a transição para uma economia neutra em carbono até 2050 são de grande dimensão. Exigem um investimento substancial e estão relacionados, sobretudo, com os setores já em transição como os da energia, da indústria e da construção, setores primário e terciário.

A análise da EY aponta várias necessidades. O setor da energia é aquele que enfrenta maiores transformações, pois precisa de abandonar não só os recursos fósseis, mas também a maioria dos processos e infraestruturas associados a este modo de produção de energia. A transição para energias renováveis como a solar, a eólica e o hidrogénio requer a requalificação dos trabalhadores de todo o ecossistema deste setor, garantindo que ninguém fica para trás. Já a indústria precisa de trabalho especializado e qualificado para suportar a transição para tecnologias mais eficientes e desenvolvimento de modos de produção inovadores. É preciso capacitar o setor da construção para fazer face ao problema urgente da reabilitação de edifícios, melhorando a sua eficiência energética. É preciso investir na renovação e qualificação do emprego no setor primário. A agricultura, a floresta e a aquacultura (na produção de algas) representam atividades importantes para a neutralidade carbónica pelo seu potencial de captura de carbono.

Mas são as energias renováveis que têm estado no centro do palco do combate ao efeito das alterações climáticas. O confinamento que resultou da Covid-19 permitiu, de certa forma, antecipar o futuro, no que à contribuição das energias renováveis para a matriz energética diz respeito. A menor procura por eletricidade, aliada ao acesso prioritário à rede deste tipo de fonte, levou à sua maior preponderância em diversas geografias. Durante o período generalizado de confinamento, a contribuição das renováveis ultrapassou 50% da geração total no continente europeu.

"O contexto pandémico levou a que apenas um leilão solar se tenha realizado em 2020, no entanto o setor público tem planos para lançar dois leilões por ano, com uma respetiva atribuição de capacidade de 1GW em cada período anual. Será seguramente um tema fulcral para que seja possível atingir a meta de 80% da capacidade instalada em renováveis até 2030", lê-se na publicação da consultora.

Outro tema que marcará seguramente o futuro das renováveis é o hidrogénio verde. O atual momento constitui, aliás, uma oportunidade para construir uma versão descarbonizada do tecido empresarial, em particular, pelas que resultam da transição climática.

O Plano Preliminar de Recuperação e Resiliência (PRR), apresentado à Comissão Europeia em outubro, surge com o objetivo de controlar a pandemia, recuperar da crise social e económica daí resultante e fazê-lo de forma alinhada aos objetivos estratégicos de resiliência, sustentabilidade, coesão e prosperidade, assim como ao objetivo da neutralidade carbónica para 2050. Como avalia o estudo da EY, a oportunidade apresenta-se em forma de projetos, sendo que serão elegíveis aqueles que se enquadrem nas dimensões estruturantes do Plano, exequíveis até 2026, sem recurso ao endividamento, com efeito conjuntural e estrutural e executáveis em parceria com autarquias, empresas e academia.

3. Talento

O contexto pandémico veio também alterar a forma como os portugueses trabalham. Os níveis de stress, a solidão e a perda de qualidade foram acentuados de forma generalizada. Como resposta a este problema, as empresas procuram criar programas de bem-estar que façam frente a este declínio, adquirir competências digitais, ser mais flexíveis.

Segundo um estudo da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), elaborado pela EY, do universo das empresas que podiam optar por implementar políticas de trabalho remoto, 92% escolheu fazê-lo e, dessas empresas, 52% equaciona manter o teletrabalho de forma permanente. "Podemos concluir que, desde que possível, o trabalho remoto veio para ficar", lê-se no estudo da consultora. Num contexto em que o trabalho é muitas vezes realizado sem a presença física, será cada vez mais relevante uma cultura centrada nas pessoas, alicerçada num propósito comum.

4. Digital

A crise pandémica que estamos a viver contribuiu de forma determinante para que a cibersegurança se tornasse um tema prioritário na agenda dos líderes da sociedade portuguesa.

A nível transversal assistiu-se a uma forte aceleração do processo transformativo digital, com o trabalho remoto a ser fortemente potenciado e generalizado, e os incidentes de phishing, bem como outras ameaças cibernéticas, a registaram aumentos muito significativos face a períodos anteriores.

A maioria dos responsáveis pela cibersegurança nas empresas espera que estes acontecimentos tenham reflexos nos seus orçamentos, com cerca de metade a considerar que o investimento irá aumentar ou, no pior dos cenários, permanecerá o mesmo. A expetativa é que a sua função se torne ainda mais relevante nas organizações, com um maior enfoque na cibersegurança ao nível executivo.

A este nível digital, o setor segurador é um dos que enfrenta grandes desafios, fruto do impacto da pandemia Covid-19 nos resultados da generalidade dos ramos, mas também devido a problemas já antigos ao nível da digitalização, tecnologia, eficiência e relação com o cliente. É neste contexto que muitas seguradoras estão a investir na criação e exploração de ecossistemas, capazes de trazer novas fontes de receita, inovação e experiências aos seus clientes. De acordo com a publicação da EY, "os ecossistemas são uma realidade cuja expansão deverá continuar. Têm provado ser capazes de impulsionar a inovação em escala no setor segurador, para além de ajudarem as seguradoras a superar desafios".

5. Consumidor

A situação em que a sociedade e a economia operam foi permanentemente alterada pela Covid-19. Passou a definir-se por interações sem toque, medidas de saúde e segurança sanitária, novos comportamentos humanos e mudanças permanentes no mercado. O que dará origem a novos segmentos de clientes, para os quais as empresas têm de olhar com atenção, para poderem vencer e ter sucesso no mercado.

O consumo em casa vai manter níveis elevados por um extenso período, sendo que 74% dos consumidores portugueses serão mais conscientes e cautelosos com os seus gastos.

O consumidor da economia sem contacto ("touchless", através da tecnologia e da inovação de serviços) define o novo normal. Este novo consumidor adotará tendencialmente, em 2021, os seguintes comportamentos de consumo: compras rápidas e sem contacto (34% dos consumidores portugueses farão mais compras online de produtos que antes compravam em lojas físicas), vida consciente em casa (74% serão mais conscientes e cautelosos com os seus gastos), experiências em lojas sem contacto (26% vão fazer pedidos online e recolhê-los em loja com mais frequência) e vida experiencial em casa (27% irão gastar mais em experiências no longo prazo).

As transações sem contacto são a tendência de pagamentos mais significativa a emergir com a Covid-19, com 56% dos consumidores portugueses a dizerem que usarão menos dinheiro físico depois da pandemia. Esta mudança de comportamentos é para permanecer, já que 50% dos consumidores acreditam que a forma como compram se alterou e permanecerá no futuro.

6. Estado

Esta análise da EY para 2021 revela que a crise pandémica que atravessamos está a colocar uma enorme pressão sobre todo o sistema de saúde e em particular sobre o SNS.

"É necessário repensar o modelo de financiamento de um sistema que já se encontra sobre grande pressão, sentida em particular de forma excessiva pelos agregados familiares, sendo possível e desejável encontrar soluções, a partir da experiência de outros países, que se enquadre na realidade nacional. É também necessário refletir no aprofundamento da colaboração e coordenação entre todos os prestadores de saúde, públicos e privados, definindo uma estratégia nacional, com regras claras, otimizando a capacidade instalada e capacitar o sistema para melhor responder no futuro a situações como a da atual pandemia", conclui o estudo da consultora.

Ainda de acordo com o documento da EY, e depois de um 2020 inesperadamente dramático, "o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com financiamento comunitário, é a principal resposta pública aos impactos mais visíveis da crise, tendo também uma preocupação de fundo de que os investimentos a realizar, nomeadamente em matéria de transição climática e de transição digital, deixem a economia e as empresas melhor preparadas para o futuro e mais competitivas". Os grandes desafios deste PPR, todavia, são o curto prazo de implementação a pressão para obter resultados no curto prazo, identifica a EY.

Também os temas da ética e da integridade – do combate à corrupção – têm tido destaque ao longo dos últimos anos, e estão na agenda do Governo, tendo sido apresentada a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção, no final do mês de setembro de 2020. Para a EY, "ao nível da prevenção, prevê-se um maior envolvimento do setor privado, em complemento ao envolvimento do setor público. Neste âmbito, revela-se fundamental a instituição de uma entidade com poderes de regulação e fiscalização."

Em relação ao Orçamento do Estado para 2021, “afastado que foi (para já) o cenário de uma crise política potencialmente resultante do chumbo do OE2021, o Governo continua a ter pela frente um contexto económico complexo e extremamente desafiante”, lê-se no estudo da consultora. E mais: "A conclusão legítima que se pode retirar é que o OE2021 é muito mais focado na área das famílias (com algumas medidas importantes ao nível dos apoios sociais) do que nas empresas. No entanto, é igualmente legítimo entender que o contexto em que o OE2021 é apresentado é tudo menos linear e por isso poder-se-á admitir que o OE2021 não seja suficiente para responder aos desafios da crise, pois o Estado tem recursos escassos e limitados para gerir".

Para saber mais informações, contacte: Telma Franco

Telma Franco

Sobre a EY

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