Comunicado de Imprensa

12 jan 2022 Lisbon, PT

Estudo EY | Ética: Empresas portuguesas menos suscetíveis a atuar à margem das regras do que a média global

De acordo com o 2022 EY Global Integrity Report, as empresas portuguesas mostram-se menos suscetíveis a violar padrões éticos e a atuar à margem das regras do que a média global.

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EY Portugal

Firma de serviços profissionais multidisciplinares

  • 6% dos colaboradores e líderes de empresas inquiridos em Portugal admitiram aceitar ou oferecer um suborno em benefício próprio, abaixo de 8%, a nível global, de acordo com o 2022 EY Global Integrity Report.
  • Estudo, que conta com mais de 4.700 entrevistas, incluindo 102 feitas em Portugal, revela que os padrões de integridade não melhoraram nos últimos 18 meses. 
  • A mudança nas formas de trabalhar durante a pandemia criou um risco elevado de fraude e comportamento antiético. O trabalho híbrido dificulta a realização de uma monitorização de compliance eficaz, e os fatores de risco de fraude geralmente aumentam em tempos de crise porque as empresas e os indivíduos enfrentam mais pressões financeiras.
  • Portugueses estão mais dispostos a denunciar situações de conduta impróprias nas suas organizações do que a média global e sentem menos pressão para não o fazer. 

Lisboa, 12 de janeiro de 2022. As empresas portuguesas mostram-se menos suscetíveis a violar padrões éticos e a atuar à margem das regras do que a média global, de acordo com o 2022 EY Global Integrity Report, que analisou as opiniões de mais de 4.700 colaboradores, gestores e administradores de 54 países e territórios sobre os padrões de integridade das suas organizações. 

A pesquisa, que incluiu 102 entrevistas realizadas em Portugal, revela que apenas 6% dos inquiridos no nosso país estariam dispostos a aceitar ou oferecer um suborno para melhorar a progressão de carreira ou o pacote salarial, o que compara com 8% a nível global. Da mesma forma, 5% admitiram a possibilidade de prestar informações falsas à gestão, 5% de falsificar registos financeiros e 4% de ignorar condutas impróprias por parte de terceiros, como fornecedores e distribuidores, abaixo dos 8%, 7% e 10%, respetivamente, a nível global. 

Em termos gerais, o estudo evidencia uma desconexão em matéria de comportamento, demonstrando uma maior disposição entre os executivos seniores para atuar à margem das regras. Os administradores entrevistados revelaram uma probabilidade cinco vezes maior do que os colaboradores de falsificar registos financeiros (15% vs. 3%) e seis vezes maior de estarem dispostos a enganar agentes externos, como auditores (18% vs. 3%).

Uma agenda de integridade progressiva vai além de estruturas e políticas - as empresas não devem encará-la como uma obrigação, mas sim concentrarem-se na criação de uma cultura de integridade em todos os níveis dentro das suas organizações. Os líderes não devem ter a ilusão de que a integridade é uma solução fácil; no entanto, o primeiro passo é definir o tom certo de cima para baixo.
Andrew Gordon
EY Global Forensic & Integrity Services Leader

Integridade é muito importante para 82% das empresas portuguesas, mas padrões não melhoraram

Mais de 8 em cada 10 inquiridos (82%) em Portugal reconheceram ser ‘muito importante’ demonstrar que a sua empresa atua com integridade, uma percentagem superior à média geral (72%) e à média registada na Europa Ocidental (66%).

Apesar disso, 60% dos funcionários e líderes de empresas entrevistados no país acreditam que os padrões de integridade corporativa permaneceram inalterados ou pioraram nos últimos 18 meses, uma percentagem ligeiramente superior à média global de 55%. A pandemia é apontada como um dos principais responsáveis, com 41% dos inquiridos a admitirem que a COVID-19 está a tornar mais difícil atuar com integridade nas relações comerciais.

Mais de quatro em cada dez administradores (42%) concordam que o comportamento antiético de gestores seniores e profissionais de alto desempenho é tolerado nas suas organizações (o que compara com 34% em 2020). Além disso, mais administradores (34%) assumem que é mais fácil contornar as regras na sua organização do que em 2020 (25%).

A pandemia da COVID-19 teve um grande impacto nos padrões de integridade das empresas em todo o mundo. A mudança nas formas de trabalhar durante a pandemia da COVID-19 criou um risco elevado de fraude e comportamento antiético. O trabalho híbrido dificulta a realização de uma monitorização de compliance eficaz, e os fatores de risco de fraude geralmente aumentam em tempos de crise porque as empresas e os indivíduos enfrentam mais pressões financeiras.
Andrew Gordon
EY Global Forensic & Integrity Services Leader

Crescimento dos programas de compliance não melhorou a gestão do comportamento antiético

Nos últimos 12 meses, houve um maior investimento em iniciativas de integridade e compliance: 53% das organizações entrevistadas a nível global têm um código de conduta em vigor, em comparação com 47% há 18 meses. Regista-se igualmente um aumento nos programas de formação, com 46% das empresas a oferecerem formação regular em requisitos regulatórios ou profissionais relevantes, em comparação com 38% em 2020.

Com o recém-publicado DL 109-E/2021, no mês passado, espera-se que haja um impulso, junto das empresas públicas e privadas, com mais de 50 colaboradores, no sentido de instituírem programas de cumprimento normativo e na adoção de um Plano de Prevenção de Riscos de Corrupção e Infrações Conexas (PPR), sob pena de incorrerem em contraordenações.
Pedro Subtil
Energy & Resources Leader, Ernst & Young S.A.

No entanto, a pesquisa destaca que esse aumento de investimento não está a ser comunicado de forma eficiente e que as administrações têm uma confiança excessiva na eficácia dos seus programas de integridade corporativa. Por exemplo, enquanto 60% dos administradores entrevistados dizem que a sua organização comunicou a importância de se comportar com integridade com frequência nos últimos 18 meses, menos de um terço (30%) dos colaboradores entrevistados recorda-se de ter visto alguma comunicação sobre o assunto.

Existe também uma divergência entre as opiniões dos administradores e dos colaboradores em relação ao conhecimento das políticas de teletrabalho (80% vs. 51%) e de formação sobre normas de privacidade de dados (52% vs. 35%).

A par com a falta de consciencialização, parece haver uma compreensão limitada da importância crítica da integridade, além do cumprimento de regras e regulamentos. Apenas um terço (33%) dos entrevistados disse que uma característica importante da integridade é comportar-se de acordo com padrões éticos.

Portugueses denunciam mais situações de conduta imprópria

Quatro em cada dez entrevistados (40%) em Portugal afirmaram já ter denunciado uma situação de conduta imprópria dentro da sua organização, acima de 35%, a nível global. Entre os portugueses considerados na pesquisa, 68% admitiram não ter sentido pressão para evitar expor essas situações, uma percentagem muito superior a 50%, considerando o total de colaboradores e líderes inquiridos em todo o mundo.

Os entrevistados no estudo afirmam que o principal motivo para não denunciarem uma conduta imprópria na sua organização é o receio de que não seja tomada qualquer medida a esse respeito: 38% revelam essa preocupação (contra 33% em 2020), com quase um terço (32%) dos entrevistados a citarem receios quanto à progressão na carreira dentro da sua organização.

Também nesta vertente, a recente transposição da Diretiva de Proteção do Denunciante, através da Lei n.º 93/2021, exige um conjunto de requisitos sobre a efetividade dos Canais de Denúncia, nomeadamente, sobre os tempos de resposta (até 7 dias) e de informação sobre as diligências (até 3 meses), que deve reverter estas motivações.
Pedro Subtil
Energy & Resources Leader, Ernst & Young S.A.

Contactos: Telma Franco

Telma Franco

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