Comunicado de Imprensa

24 mar 2022 Lisbon, PT

Desafios para crescer em 2022: nas empresas, na banca, na construção, na mobilidade e no consumo

A EY lança a segunda parte da 3.ª edição do estudo “Conhecer os desafios ajuda a encontrar o caminho?”, que faz uma antevisão dos principais desafios para Portugal em 2022, perspetivando as tendências com impacto na economia e nas empresas portuguesas.

Contacto de imprensa
EY Portugal

Firma de serviços profissionais multidisciplinares

  • Segunda parte da 3.ª edição do estudo “Conhecer os desafios ajuda a encontrar o caminho?” é uma antevisão de desafios e tendências com impacto na economia e nas empresas portuguesas.
  • Crescimento deve passar pela aposta nas empresas de rápido crescimento, para que existam mais PME e mais empresas com dimensão para competirem no mercado global, sobretudo através da consolidação empresarial, focando-se no aumento da produtividade, do investimento em inovação e das exportações.
  • É preciso criar condições agressivas de atração de venture capital e private equity especializado de base internacional, e apoiar mais e melhor o acesso de empresas de elevado crescimento e veículos de capital nacionais sofisticados a instrumentos europeus atualmente disponíveis para o efeito.
  • Além dos desafios que enfrentam os setores da banca, da construção e obras públicas, e da mobilidade, a EY identifica um novo consumidor e os principais desafios dos líderes de marketing para 2022.

Lisboa, 24 de março de 2022. A EY lança a segunda parte da 3.ª edição do estudo “Conhecer os desafios ajuda a encontrar o caminho?”, que faz uma antevisão dos principais desafios para Portugal em 2022, perspetivando as tendências com impacto na economia e nas empresas portuguesas. A EY dá especial atenção nesta edição ao crescimento e à importância da escala de operação das empresas.

A análise da EY, sem desvalorizar a importância das PME (Pequenas e Médias Empresas) já existentes, assume a importância de se criar uma atmosfera propícia ao crescimento empresarial – apostando nas empresas de rápido crescimento, para que existam mais PME e, especialmente, mais empresas com dimensão para competirem eficazmente no mercado global.
João Alves
Country Managing Partner, Ernst & Young Audit & Associados – SROC, S.A., Ernst & Young Angola, Lda.

Reconhecendo a “trajetória virtuosa que permitiu promover um investimento crescente das atividades de I&D empresarial”, este relatório da EY sugere que Portugal precisa de aumentar significativamente a capacidade de valorização das atividades de inovação, ganhar quota nos mercados internacionais, sobretudo em setores mais intensivos em tecnologia e conhecimento, conseguir reter e atrair talento qualificado, através da oferta de condições de trabalho atrativas (incluindo salários – os custos com pessoal por pessoa nas médias empresas em Portugal são 20% superiores face às pequenas empresas, sendo ligeiramente superiores nas grandes empresas), e aumentar a robustez financeira das empresas portuguesas, através de uma maior capacidade de diversificação das fontes de financiamento e de uma maior capitalização. “Apesar do progresso desde 2014, cerca de 28% das microempresas têm capitais próprios negativos, 9,4% no caso das pequenas empresas, 6,8% no caso das médias empresas e 5% no caso das grandes empresas”, lê-se na análise da EY.

Outra conclusão referida sublinha o facto de as médias e grandes empresas nacionais serem mais pequenas do que a média da UE27 e de essa discrepância sentir-se principalmente no segmento das grandes empresas. A dimensão do mercado doméstico e/ou o grau de abertura com o exterior são dois fatores que explicam esta diferença, já que os países onde a dimensão média das grandes empresas é superior incluem a França, Alemanha, Espanha, Polónia ou Bélgica.

De acordo com o relatório da EY, é “imperativo criar condições para o crescimento das pequenas e médias empresas, para que elas possam ganhar competitividade internacional, mas também promover o crescimento das grandes empresas, seja por vias não orgânicas, designadamente através de fusões e aquisições, ou pela via orgânica, através da entrada em novos mercados internacionais ou da criação de novas áreas de negócio”.

Em termos de peso das empresas de elevado crescimento na economia (aquelas que apresentam um crescimento médio anual superior a 10% durante um período de três anos, medido em termos do número de pessoas ao serviço e onde se incluem as designadas empresas gazelas), Portugal posiciona-se globalmente bem na Europa, quer face à média da UE, quer em relação a países de dimensão próxima como a República Checa, a Hungria ou mesmo a Suécia, a Bélgica e a Áustria. “Contudo, esta realidade agregada esconde detalhes condicionantes para a transformação necessária da economia portuguesa, uma vez que uma grande parte deste tipo de empresas nacionais insere-se em atividades de baixa tecnologia ou baixa intensidade de conhecimento, portanto com reduzido potencial para alterar a estrutura de especialização da economia portuguesa e responder às procuras mais dinâmicas registadas na economia global”.

Já ao nível dos unicórnios (startups que conseguem ultrapassar uma valorização de mercado superior a mil milhões de dólares), a realidade nacional é diferente. De facto, em anos recentes, Portugal conseguiu estimular a emergência de várias startups a este estatuto, realidade que nos colocou entre os 4 países europeus mais bem-sucedidos neste domínio, à frente dos Países Baixos, Suécia, Suíça, Irlanda e Espanha. Farfetch, Talkdesk, Outsystems, Anchorage Digital, Sword Health e Remote conseguiram, assim, elevar de forma significativa a imagem de Portugal e do seu ecossistema empreendedor no mundo, em áreas tecnológicas de ponta.

Uma das recomendações incluídas nesta segunda parte da 3.ª edição do estudo “Conhecer os desafios ajuda a encontrar o caminho?” é a criação de “condições agressivas de atração de venture capital e private equity especializado de base internacional”. Mas não só. É também fundamental apoiar mais e melhor o acesso de empresas de elevado crescimento e veículos de capital nacionais sofisticados a instrumentos europeus atualmente disponíveis para o efeito, e apostar mais no benchmarking internacional face a iniciativas pioneiras ou distintivas.

Desafios na banca, na construção e na mobilidade

No que respeita ao setor da banca, o estudo da EY enumera três focos importantes a ter em conta: no cliente, no clima e na sustentabilidade, e nos ativos digitais. Ao mesmo tempo que os clientes querem cada vez mais uma experiência inteligente que integre todos os seus serviços financeiros (e não financeiros) entre os seus vários bancos, estão também cada vez mais atentos ao impacto, como parte das suas estratégias de investimento ao nível dos critérios ESG (Environmental, Social and Governance). O relatório refere o inquérito da EY às PME, que mostra que quase 60% destas estão interessadas em que o seu banco as ajude a desenvolver modelos empresariais sustentáveis, e que 20% estariam dispostas a pagar uma taxa por este serviço.

Segundo os especialistas da EY, o panorama dos ativos digitais continuará a evoluir, sendo pouco provável que a sua utilidade nos serviços financeiros seja definida por uma única criptomoeda. O aumento da procura por parte dos clientes continuará a levar os bancos e outros prestadores de serviços financeiros a oferecerem serviços de ativos digitais, desde a custódia até aos investimentos e pagamentos, sendo que o aproveitamento destas oportunidades de crescimento exige um investimento significativo em tecnologia. “Tipicamente, cerca de 20% das despesas de funcionamento de um grande banco vão para a tecnologia”, lê-se no estudo.

Em análise ao setor da construção e obras públicas, a EY considera que a falta de talento, a transformação digital, a sustentabilidade e a pressão sobre os preços são dificuldades com que o setor se depara. Em termos de atividade futura, a EY perspetiva crescimento acelerado para o ano de 2022 e seguintes, alicerçado na vertente edificável, em face da consolidada competitividade do residencial, logístico e escritórios à escala internacional, e também nos projetos de infraestruturas induzidas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e Plano Nacional de Investimentos (PNI).

No setor da mobilidade, a EY verifica que a pandemia trouxe ainda mais disrupção, com mudanças nos comportamentos em resultado da quebra da confiança social, preferência por meios de transporte de ocupação única, e maior abertura para partilhar dados pessoais. “A continuação, ou não, destes comportamentos, num período em que se espera o “aliviar” da pandemia, é uma das principais incertezas para 2022”, refere o relatório.

Os especialistas da EY identificam e detalham na análise quatro principais desafios com que o ecossistema de mobilidade nos grandes centros urbanos em Portugal poderá ter de lidar em 2022 e nos anos seguintes: a gestão do tráfego urbano, a acessibilidade dos transportes públicos, a otimização das infraestruturas energéticas e redes de transporte, e a mobilidade alternativa.

O novo consumidor e os principais desafios dos líderes de marketing para 2022

Após dois anos de instabilidade social e económica provocada pela pandemia, a análise remete para o 8ª inquérito do EY Future Consumer Index, mostrando que os consumidores se habituaram a viver com a incerteza e a disrupção destes novos tempos. A EY identifica três mudanças no consumidor que vão moldar um novo normal. Primeiro, a experiência de viver esta pandemia durante dois longos anos mudou a forma como os consumidores pensam e sentem o risco. Segundo, os consumidores estão a definir novas prioridades na forma como e quando usam o seu dinheiro e o seu tempo, valorizando mais a qualidade e indicando que querem consumir menos no geral (59% dos consumidores estão a pensar com mais cuidado sobre como gastam o seu dinheiro e 53% dizem que são mais propensos a reparar um bem do que a substituí-lo, se puderem). E terceiro, a pandemia mudou a relação do consumidor com as tecnologias digitais.

Passados dois anos disruptivos com impactos profundos no comportamento dos consumidores, marcados pela extensão do mundo digital às esferas pessoal e profissional, “2022 promete o regresso da tão aguardada experiência em retalho físico”, analisam os especialistas da EY. Mas também se espera mais e melhor no que toca às práticas sustentáveis das marcas – os consumidores estão a evitar gastar em produtos e experiências desnecessárias, procurando soluções mais circulares (aluguer, subscrição ou revenda) e melhores para o planeta – e querem sentir-se em controlo de todos os aspetos da sua vida, exigindo das marcas maior transparência, clareza e flexibilidade para poderem tomar decisões de compra mais informadas. “Cada vez mais, as marcas são menos importantes no processo de decisão de compra (49% para os Millennials e 47% para a Geração Z) e, nesse sentido, estas terão de trabalhar arduamente para ganharem a confiança dos consumidores, equilibrando credibilidade (da informação) e autenticidade (na missão)”, lê-se nesta análise da EY.

No setor da moda, por exemplo, nota-se uma mudança no mindset dos consumidores, estando mais sensíveis a opções circulares, como o aluguer de roupa, os marketplaces de revenda ou as lojas em segunda mão. De igual modo, depois de um largo período de confinamento, “os consumidores estão desejosos de voltar ao retalho físico à procura de momentos de alegria e prazer”, indicam os especialistas da EY. Contudo, querem sentir-se especiais e esperam das marcas maior proximidade e atenção às suas necessidades e desejos. Para tal, “as marcas terão de apostar na criação de experiências mais interativas, significativas e com impacto” e assistiremos “a um aumento de marcas a dissociarem-se do conceito de “Black Friday”, optando por alternativas social e ambientalmente mais responsáveis como o #GivingTuesday, #GreenDay ou #GreenWeeks ou #BuyNothingDay”.

A EY considera, assim, que temas como a privacidade e os regulamentos de dados do cliente, a concorrência crescente, a mudança das expetativas dos clientes e os desafios induzidos pela pandemia estão no topo da agenda dos líderes de marketing para 2022.

As prioridades e os desafios vão passar pela construção de infraestruturas de dados inteligentes, pelo desenho de uma experiência centrada em pessoas, pela conquista dos clientes com base na autenticidade, pela mudança para uma mentalidade mais colaborativa, pela construção de organizações ágeis e inteligentes, e pela ideia de que o propósito é o novo crescimento sustentável.

Contactos: Telma Franco

 

Telma Franco


Sobre a EY
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