Como os robôs tornam os edifícios mais humanos?

por Selina Short

EY Global Real Estate, Hospitality and Construction Innovation Leader

Leader of EY Oceania Real Estate & Construction practice. An expert in intelligent buildings and smart cities. Champion of innovation and the strategic importance of cities.

3 minutos de leitura 25 set 2019

Não é fácil reinventar o setor imobiliário, mas a automação inteligente está a chegar — e nenhuma parte do ciclo de vida será deixada intocada.

Menos da metade (47%) das empresas imobiliárias está a automatizar os seus negócios, apesar da inteligência artificial (IA) estar a chegar em força.

Mas isso significa que mais de metade está no caminho da automação – e estamos a começar a assistir a mudanças fundamentais no setor imobiliário em virtude disso.

À medida que nos aproximamos do ponto de inflexão, as empresas imobiliárias que não levam a sério o risco de automação ficam para trás. A curva de maturidade da EY, abaixo, ilustra a forma como as empresas estão já a conseguir vantagem competitiva.

Usar automação inteligente para criar uma vantagem competitiva no setor imobiliário

Gráfico do roteiro

Estes dados, revelados numa pesquisa recente da EY, chamam a atenção para os desafios futuros de um dos setores mais tradicionais e não digitais do mundo.

A EY está a realizar uma série de seminários online com o Laboratório de Inovação Imobiliária do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) (no Laboratório de Inovação no imobiliário (RE) no Center for Real Estate. O nosso webinar mais recente com os nossos clientes explorou  o hype da automação e dissipou alguns mitos.

A cofundadora e diretora do MIT RE Innovation Lab, Dra. Andrea Chegut, admite que há "muita publicidade" em torno da automação, mas sugere que isso é um "forte sinal de aviso para que o nosso setor se prepare e invista".

Um estudo recente do MIT estima que a automação impactará até metade de todas as tarefas atuais até 2030, diz Chegut.

Aplicada adequadamente, a automação inteligente não oferece apenas dividendos em termos de eficiência. Quando a automação inteligente é projetada para humanos, também permite que as pessoas passem mais do seu dia de trabalho em trabalhos de maior valor: conectando, colaborando e procurando soluções criativas para melhorar a experiência do cliente e resolver problemas que ainda não prejudicaram os negócios. 

Impacto futuro da automação nos trabalhos

50%

das tarefas atuais serão aumentadas pela automação até 2030, estima o MIT.

O mercado imobiliário residencial está inegavelmente na dianteira. Os bots já auxiliam os agentes no seu trabalho, ajudam na procura de casas e agilizam o processamento de registo de propriedades, por exemplo.

No entanto, a complexidade do setor imobiliário comercial torna a automação uma proposta desafiadora. O setor imobiliário comercial é ilíquido — não pode ser facilmente vendido ou trocado — e os edifícios que construímos podem existir por muito tempo depois de termos desocupado as instalações. Não é fácil reinventar imóveis e isso cria uma sensação de permanência que pode levar à complacência.

O MIT identificou seis obstáculos que acredita influenciarem a capacidade do setor imobiliário de automatizar: escalabilidade, regulamentação, complexidade das partes interessadas, sinergia do ciclo de vida, liquidez e dificuldade em dar o salto. Pedimos aos participantes do webinar que identificassem as suas maiores barreiras e 35% dos entrevistados indicaram a complexidade dos vários atores, seguido da regulamentação (24%) e escalabilidade (21%). O maior desafio relacionado com a automação que as empresas imobiliárias enfrentam reside na criação de um ecossistema que reúna todos os players.

Imóveis: prontos para a disrupção

Apesar dos desafios, os imóveis para fins comerciais estão prontos para a disrupção. Segundo o MIT, 100 das 750 startups de IA constituídas nos últimos três anos estão viradas especificamente para o setor imobiliário. E aquele que é, sem dúvida, o principal analista mundial de tecnologia imobiliária (proptech), James Dearsley, refere a "explosão de ideias e capital focado na automação", com 46% das mais de 7.000 empresas de tecnologia proptech a nível global a focarem-se na automação. Assim, a “primeira grande onda” de automação está a chegar em força, à medida que as empresas vão desenvolvendo os seus recursos de análise de dados.

Start-ups de IA no setor imobiliário

100

das 750 startups de IA estabelecidas nos últimos três anos visam especificamente o setor imobiliário.

“O setor está a preparar-se para recolher todos esses dados e informações, mas só as empresas pioneiras começaram a automatizar tarefas”, explica Chegut. Cerca de 72 empresas estão a criar algoritmos que permitem acompanhar tarefas físicas e intelectuais, e outras 90 estão a "lançar robôs".

Os robôs que se parecem com C3PO da Guerra das Estrelas ou com Rosie dos Jetsons podem demorar ainda algum tempo a surgir. Os robôs dos nossos dias são mais parecidos com o computador em O Caminho das Estrelas - uma força omnipresente. Fazem cálculos, resolvem problemas e ajudam as empresas a definir a melhor estratégia.

Vários gigantes da tecnologia estão a entrar agora no sector dos imóveis para fins residenciais, comerciais e de escritórios, assinando parcerias que, com o tempo, criarão ofertas completas de serviços com empresas físicas, produtos para o lar, portais habilitados para IA, criptomoeda e muito mais.

Criar mais valor ao longo da cadeia

Existem dois tipos de automação: cadeia de valor principal e serviços empresariais.

As equipas da EY têm vindo a acompanhar esta questão ao longo dos anos à medida que a automação robotizada de processos (RPA – Robotic Process Automation) automatizava uma série de funções administrativas, desde processos fiscais até testes de receitas de alugueres. A RPA não é exclusiva do setor imobiliário e muitas vezes as empresas não consideram esta tecnologia seja "automação real".

Mas a RPA está a mudar a forma como os nossos clientes imobiliários tomam decisões em todas as estruturas até ao conselho de administração. Automatizar os seus processos administrativos pode fazer com que coloque a sua empresa mais rapidamente na senda da maturidade. Alguns processos passaram de exigir três semanas para serem concluídos para apenas 28 segundos.

Assumir a automação de processos administrativos com o menor risco possível pode prepará-lo para dar um salto ainda maior na cadeia de valor do setor do imobiliário para fins comerciais. O MIT identificou 132 tecnologias que acredita transformarão o setor imobiliário. Alguns dos exemplos favoritos de Chegut incluem:

  • HyperCell, um sistema de montagem automática que promete atender à necessidade de implantação rápida de novos edifícios. Cada célula está "consciente" do que a rodeia. Isso significa que pode subir, rolar, mudar de forma e juntar forças com outras células para criar novas estruturas. Imagine um escritório que pode evoluir e adaptar-se instantaneamente para atender às novas necessidades dos ocupantes.
  • A Geophy utiliza imagens de satélite, dados de vendas, ligações de transporte, espaços verdes, densidade, taxas de criminalidade e um banco de dados de 150 milhões de registos de propriedades para determinar o verdadeiro valor de mercado de um edifício. Imagine uma carteira de propriedades que pode ser avaliada instantaneamente e diariamente. Imagine como isso pode melhorar os seus procedimentos de negócios.
  • A Affectiva traz a inteligência emocional para o mundo digital, analisando expressões faciais. A Affectiva criou o maior banco de dados de emoções do mundo — quatro milhões de rostos em 75 países e 50 mil milhões de pontos de dados de emoções. Imagine como essa tecnologia pode ajudar os proprietários a compreender e reagir ao estado de humor de seus inquilinos.

Aliviar a ansiedade provocada pela automação

As placas de sinalização apontam numa direção. A automação está a influenciar todo o ciclo de vida do setor imobiliário, da preparação de terrenos à sua eliminação nenhuma parte ficará intacta.

A automação está a influenciar todo o ciclo de vida do setor imobiliário, da preparação de terrenos à sua eliminação nenhuma parte ficará intacta.

O setor imobiliário está a passar por um momento de incerteza, mas dois terços (63%) dos entrevistados afirmam estar entusiasmados com o futuro da automação.

Apenas 2% acham que isso destruirá empregos e empresas. Mas 35% afirmam esperar para ver como tudo se desenrola – e essa pode ser a postura mais perigosa de todas. Este não é o momento para ficar a assistir.

Perspetivas do setor imobiliário

63%

do setor imobiliário está entusiasmado com a automação.

A única forma de se preparar para o amanhã é agir hoje. O que podemos fazer hoje? Tornar-se numa organização virada para os dados requer recursos humanos e técnicos. A EY desenvolveu um roteiro de automação inteligente, com várias etapas de desenvolvimento da sua estratégia de automação:

  1. Opte por vitórias rápidas: analise os seus processos e identifique atividades orientadas para certas tarefas em toda a organização
  2. Escolha a tecnologia certa: atente na tecnologia necessária para desempenhar determinadas tarefas.
  3. Fique atento aos sinais no horizonte: adote a automação hoje, mas perceba que a tecnologia continua a evoluir.
  4. Invista numa uma cultura de inovação: ao criar uma cultura que incentive o pensamento criativo, que se centra nos clientes e analisa estrategicamente os seus riscos e oportunidades, estará pronto para qualquer futuro.

Há muito trabalho a fazer. Segundo a pesquisa da EY, 43% dos entrevistados do setor imobiliário estão a contratar cientistas de dados e especialistas em machine learning. Mas 30% dizem que "ainda estão a aprender sobre automação" antes de agir; 6% não conseguem encontrar as aptidões certas; e 5% não acham que a IA e a automação tenham impacto sobre quem empregam nos seus negócios. 16% dos entrevistados "não sabem" se a automação mudará a forma como operam.

Na EY, estamos a trabalhar com clientes para preparar os seus negócios para um futuro autónomo, porque, como diz Chegut: “No laboratório, nunca dizemos nunca. Dizemos sempre, ainda não.”

Resumo

O maior desafio da IA vai além da tecnologia; é uma questão de gestão da mudança.

Sobre este artigo

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