Antes de sair de casa confirmamos se desligámos o gás. Colocamos o cinto de segurança antes de iniciar uma viagem. Fazemos um seguro da casa ou do automóvel. Guardamos algum dinheiro para uma emergência.
Nenhuma destas decisões elimina totalmente o risco. O que fazem é reduzir a probabilidade de um pequeno problema se transformar numa situação difícil.
Nas organizações acontece exactamente o mesmo.
Mas o que é, afinal, um risco? De forma simples, um risco é a possibilidade de ocorrer um acontecimento que possa afectar os objectivos de uma pessoa ou de uma organização. E importa desfazer uma ideia comum: risco não significa apenas ameaça. Em determinadas circunstâncias, um risco bem compreendido pode representar uma oportunidade e permitir decisões mais conscientes e melhor fundamentadas.
É precisamente esse o propósito da gestão de risco. Não pretende evitar desafios nem impedir a tomada de decisões. Pelo contrário, procura criar as condições para que pessoas e organizações assumam os riscos certos, conhecendo as suas consequências e estando preparadas para lidar com elas.
Ao longo das últimas décadas, a natureza dos riscos mudou profundamente.
Se recuássemos trinta ou quarenta anos, as principais preocupações das organizações estavam ligadas a incêndios, roubos, acidentes de trabalho, avarias de equipamentos, perdas financeiras ou incumprimentos contratuais. Eram riscos sobretudo físicos e relativamente fáceis de identificar.
Hoje esses riscos continuam a existir, mas deixaram de ser os únicos. Um ciberataque pode interromper a actividade de uma empresa em poucas horas. Uma notícia falsa pode comprometer anos de reputação. Uma falha num fornecedor localizado noutro continente pode afectar toda a cadeia de abastecimento. Ao mesmo tempo, fenómenos como as alterações climáticas, a inteligência artificial e a crescente dependência tecnológica vieram acrescentar novos desafios a um contexto já de si muito mais complexo.
Costumo resumir esta transformação através de uma analogia simples.
Antigamente preocupávamo-nos sobretudo em colocar grades nas janelas. Hoje continuamos a precisar dessas grades, mas também precisamos de “grades digitais” para proteger sistemas, dados e informação.
Antes protegíamos sobretudo edifícios e equipamentos. Agora é igualmente necessário proteger activos menos visíveis, mas muitas vezes mais valiosos: a informação, a reputação e a confiança.
Esta evolução exige uma nova forma de gerir as organizações.
Uma gestão de risco eficaz não depende apenas de tecnologia ou de regras. Depende sobretudo das pessoas, da forma como as responsabilidades são distribuídas e das pequenas decisões que cada um toma no dia a dia desde quem coloca a matéria-prima numa linha de produção até ao gestor de topo que define e estratégia da empresa.
No centro desta abordagem estão os controlos. Um controlo é qualquer medida que ajuda a prevenir um problema ou a detectá-lo atempadamente, seja uma palavra-passe segura, a segregação de funções ou a exigência de duas aprovações para efectuar um pagamento.
Ao conjunto organizado destes controlos chamamos controlo interno: o sistema que dá à organização a confiança de que as suas operações são fiáveis, as regras são cumpridas e a informação é de confiança.
É neste contexto que surge o conhecido modelo das três linhas.
Podemos imaginá-lo através da analogia de uma casa.
A primeira linha são as pessoas que vivem na casa: fecham as portas e desligam o gás antes de sair. Numa organização, são os colaboradores e gestores que executam as operações e aplicam os controlos.
A segunda linha é o sistema de alarme: acompanha, alerta e ajuda a identificar riscos antes que se tornem problemas. É onde estão áreas como a gestão de risco, a conformidade, a qualidade ou a segurança.
A terceira linha é a inspecção independente. Tal como recorremos a um especialista para confirmar se a casa continua segura, também as organizações beneficiam de uma avaliação imparcial que verifique se os controlos funcionam. É o papel da Auditoria Interna.
Nenhuma destas linhas substitui as restantes. Em conjunto, tornam a organização mais preparada para enfrentar desafios.
Angola continua a apostar na diversificação económica, na transformação digital e na atracção de investimento, esta capacidade torna-se ainda mais decisiva.
A confiança continua a ser um dos activos mais valiosos de qualquer organização. Conquista-se ao longo dos anos, mas pode perder-se em poucos minutos. Por isso, gerir riscos não significa travar a inovação nem evitar o crescimento. Significa criar condições para identificar oportunidades, inovar com responsabilidade, investir com confiança e tomar decisões mais informadas.
As organizações mais resilientes não são aquelas que conseguem evitar todos os riscos. São aquelas que desenvolvem a capacidade de os antecipar, de reagir quando surgem e de aprender com eles.
É por acreditarmos nisto que, na EY, apoiamos as organizações na estruturação dos seus modelos de gestão de risco, das políticas e da governação até à criação de uma verdadeira cultura de risco, ajudando-as a crescer com confiança num mundo em permanente mudança.