Será o cromossoma X o fator X para a liderança nos negócios?

Descubra porque é que as empresas lideradas por mulheres estão a crescer mais que o mercado.

As ambições de crescimento das mulheres CEO superam significativamente as dos líderes masculinos, apesar dos seus contínuos desafios no acesso ao capital. Quase uma em cada três (30%) empresas lideradas por mulheres tem como objetivo crescer mais de 15% nos próximos 12 meses, em comparação com apenas 5% das empresas lideradas por homens. No entanto, mais de metade das empresas lideradas por mulheres (52 %) dizem que não têm acesso a financiamento externo. 

  • Metodologia de pesquisa

    A EY encomendou à Euromoney Institutional Investor Thought Leadership a realização de um estudo online que abrangeu 2,766 respondentes (60% CEOs, fundadores ou diretores executivos) em empresas de 21 países e com receitas anuais entre $1m-$3b. O estudo foi realizado entre 15 de janeiro – 1 de março. A EY convidou ainda a sua rede global de ex-participantes do EY Entrepreneur Of The Year ™ para participarem no estudo. O estudo esteve disponível em inglês e em seis outras línguas. Foram realizadas entrevistas aprofundadas adicionais entre março e abril de 2018 para obter outras informações específicas.

Descubra mais sobre a falta de financiamento no nosso artigo abaixo.

mulher a olhar através de um modelo
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Capítulo 1

Foco no cliente: um mecanismo de crescimento

Empresas geridas por mulheres estão mais focadas em aumentar a sua quota de mercado para se tornarem líderes nas suas indústrias, em comparação com as empresas geridas por homens.

De acordo com um estudo independente de 2.766 líderes de médias empresas, as empresas dirigidas por mulheres estão mais concentradas em aumentar a sua quota de mercado para se tornarem líderes nas suas respetivas indústrias, em comparação com as empresas dirigidas por homens. Esta estratégia é sustentada por uma forte motivação para compreender as necessidades dos clientes e melhorar a sua experiência global. Vinte e cinco por cento das CEO femininas dizem que melhorar a experiência do cliente é o objetivo mais importante do seu investimento em tecnologia (em linha com os líderes masculinos, com 26%). Enquanto isto, mais do dobro das CEOs femininas que os homens citam a procura dos clientes como o maior impulsionador de inovação (34% contra 16%). “Quando se trata de crescer, a experiência do cliente é a primeira e mais importante porque os clientes existentes serão sempre a principal fonte de crescimento”, diz Julia Beardwood, sócia fundadora da Beardwood & Co., uma agência criativa com sede em Nova Iorque, focada na construção de marcas. "Conhecer as suas prioridades e como lhes proporcionar experiências excecionais é fundamental."

As mulheres líderes também parecem dirigir as suas empresas com uma abordagem mais colaborativa do que os homens, sendo mais propensas a procurar alianças com parceiros externos como um caminho para alimentar a inovação (25% contra 22%). A empresa australiana de produtos de consumo SourceHub Group é um exemplo desta abordagem, transformando com sucesso o modelo de fornecimento ao retalhista, co-criando produtos com os seus consumidores e retalhistas. A fundadora e CEO global da SourceHub Vanessa Garrard diz: “Ao invés de fornecer o mesmo produto para o maior número possível de retalhistas, fazemos parcerias com os nossos clientes para desenvolver gamas exclusivas baseadas nos valores da marca e perfis dos clientes. O processo tem visto muitos dos nossos produtos entrarem no mercado como os primeiros do mundo para um determinado produto ou categoria.”

Esta abordagem virada para o exterior e centrada no cliente pode muito bem revelar-se crítica nos próximos anos. As tendências dos consumidores, como a personalização e o acesso “a qualquer hora, em qualquer lugar”, significam que é vital para as empresas estarem abertas e serem responsivas. Enquanto isto, os rendimentos globais das mulheres alcançaram cerca de 18 triliões de dólares em 2018 (pdf), e até 2028, espera-se que as mulheres controlem quase 75% dos gastos (pdf) em todo o mundo. É discutível que empresas diversas com ecossistemas significativos estarão em melhor posição para compreender e envolver esta base de clientes em rápida evolução, enquanto as salas de administração menos diversas, dominadas por homens, correm o risco de perder essa ligação.

Taxas de crescimento previstas no próximo ano
Profissionais a conversar numa reunião
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Capítulo 2

Capital limitado: uma barreira significativa

As mulheres CEOs ainda lutam para desbloquear capital que está muito mais prontamente disponível para empresas geridas por homens.

A ambição das mulheres CEOs é ainda mais impressionante dado que estas lutam para desbloquear capital que está mais prontamente disponível a empresas geridas por homens. Um desafio persistente no acesso ao financiamento numa fase inicial do ciclo de vida do negócio para uma grande proporção de empresas lideradas por mulheres pode estar a impedi-las de explorar mais oportunidades de financiamento. 

A pesquisa constatou que uma em cada cinco mulheres CEOs (20%) não tem planos de obter capital, em comparação com apenas 3% dos CEOs masculinos. Mais de metade das empresas lideradas por mulheres (52%) não têm qualquer financiamento externo, em comparação com 30% das empresas lideradas por homens. E 41% das mulheres CEO dizem ainda não ter considerado ou planeado uma IPO, em comparação com 23% das empresas lideradas por homens, embora isso possa ser parcialmente explicado pelo facto de uma maior proporção de empresas lideradas por mulheres ter menos de cinco anos (26% das empresas lideradas por mulheres são start-ups, em comparação com 11% das lideradas por homens).

Porque é que a falta de financiamento é importante

Um relatório publicado na revista Venture Capital em 2017 concluiu que 97% do financiamento total de capital de risco foi destinado a empresas com um CEO masculino, sendo as possíveis razões para tal a obtenção de negócios através de redes industriais entrincheiradas, dominadas por homens, e o processo de seleção mais duro aplicado às mulheres empresárias. No entanto, um relatório de 2016 da TechCrunch sobre investimento de capital de risco constatou que, entre 2010 e 2015, apenas 10% dos fundos aplicados por venture capital em todo o mundo foram para startups com uma ou mais fundadorasdo sexo feminino. Kiyomi Tsuchiya, MD da Sound-F Co e da STOCK POINT Inc, comenta: “Numa situação em que há dois indivíduos com exatamente as mesmas habilidades e um é uma mulher e o outro é um homem, é mais provável que o homem seja escolhido.”

Esta falta de financiamento é importante porque as empresas com elevado potencial de crescimento que não conseguem assegurar um investimento precoce podem ter mais dificuldade em  crescer . Todas as mulheres CEO estão demasiado conscientes de que as oportunidades limitadas de financiamento estão a atrasar as suas empresas. Quase três vezes mais mulheres do que homens dizem que o financiamento é o fator mais significativo na construção da agilidade das suas empresas (17% contra 6%), enquanto 17% acreditam que o custo e a disponibilidade de equity finance é a maior barreira ao crescimento, em comparação com 11% dos seus colegas masculinos.

Fatores que aumentam a agilidade das empresas
Mulher em reunião
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Capítulo 3

A diversidade representa uma vantagem competitiva

As equipas de liderança nos negócios com uma CEO feminina são compostas por 41% de mulheres.

De acordo com um estudo recente do Peterson Institute for International Economics e da EY, cerca de uma em cada três empresas a nível global não tem mulheres em posições de C-suite ou no seu conselho de administração, enquanto que pouco mais de metade de todas as empresas globais não tem uma única mulher (pdf) nesta mesma posição. As empresas lideradas por mulheres fazem muito melhor do que isto. As equipas de liderança nos negócios com uma CEO feminina são compostas por 41% de mulheres, enquanto o número é de apenas 22% nas empresas com chefe masculino. Esta conquista confere uma importante vantagem competitiva: as empresas lideradas por mulheres são livres para se concentrarem em encontrar talentos com habilidades especializadas, uma alavanca vital para o crescimento, enquanto que empresas lideradas por homens dizem que a sua principal prioridade de recrutamento é a construção de uma força de trabalho mais diversificada. Isto está claramente relacionado com o facto de empresas com equipas de liderança diversas terem melhores resultados daquelas que são mais homogéneas.

A cultura mais diversificada da empresa e o seu foco estratégico no cliente podem também ajudar a explicar porque as mudanças demográficas são menos preocupantes para as empresas dirigidas por mulheres: um terço (33%) dos líderes masculinos mencionaram-na como a megatendência mais perturbadora, em comparação com menos de uma em cada cinco mulheres líderes (18%). Entretanto, empresas lideradas por mulheres, veem a digitalização como a tendência com maior impacto nos negócios – 36%, contra apenas 14% de empresas lideradas por homens. 

Na nossa pesquisa, uma proporção significativamente maior de empresas lideradas por mulheres eram empresas familiares (32% contra 12%), sugerindo que as empresas familiares proporcionam um ambiente propício para o desenvolvimento de líderes femininas. Esta é uma constatação apoiada pelo recente relatório da EY Women in leadership: The family business advantage, que constatou que as empresas familiares estão a promover mais mulheres e a fazê-lo mais rapidamente do que as suas concorrentes não-familiares.

Prioridades de recrutamento

Resumo

Mais de metade das empresas lideradas por mulheres não têm financiamento externo, em comparação com menos de um terço de empresas lideradas por homens. Esta falta de financiamento é importante, pois as empresas com um elevado potencial de crescimento que não conseguem assegurar um investimento precoce têm mais dificuldade para crescer.

Sobre este artigo

por

EY Angola

Firma de serviços profissionais multidisciplinares