Tecnologia continua a liderar o investimento
À semelhança dos anos anteriores, as atividades intensivas em conhecimento continuam a ser a principal base do IDE em Portugal. Em 2025, os setores de Software e Serviços de IT e de Serviços às Empresas e Serviços Profissionais representaram, em conjunto, 44% dos projetos de investimento estrangeiro captados pelo país.
Ainda que os projetos de software tenham registado uma ligeira redução, os serviços empresariais reforçaram a sua presença, confirmando a importância crescente das atividades de elevado valor acrescentado para a economia portuguesa.
A tendência é reforçada pela intenção futura dos investidores. Entre as empresas do setor tecnológico, 66% afirmam ter planos para estabelecer ou expandir operações em Portugal durante o próximo ano, um aumento de 11 pontos percentuais face à edição anterior do estudo da EY.
Inteligência Artificial e centros de dados lideram o futuro
Quando questionados sobre a plataforma estratégica que Portugal deverá priorizar para maximizar o IDE nos próximos cinco anos, 20% dos investidores apontam o “ecossistema de Inteligência Artificial, cloud e centros de dados”, mas também a “logística e cadeias de abastecimento” (16%) e a “reindustrialização sustentável e indústria avançada” (15%).
Para os inquiridos, os principais fatores que podem posicionar o país neste domínio incluem a capacidade de atrair talento internacional, a disponibilidade de energia renovável, a estabilidade política e um ambiente regulatório favorável.
Esta oportunidade surge num momento em que os projetos de investimento relacionados com Inteligência Artificial cresceram 96% na Europa, reforçando a relevância deste segmento para o futuro posicionamento económico do continente.
Energia renovável reforça diferenciação
A qualidade de vida continua a ser o atributo mais valorizado pelos investidores internacionais, mas é a disponibilidade de energia verde e de baixo carbono que regista um dos maiores crescimentos enquanto fator diferenciador.
Já 30% dos investidores identificam a energia renovável como uma das principais vantagens competitivas de Portugal, acima dos níveis registados no ano passado.
Apesar disso, o custo da energia mantém-se entre as principais preocupações dos investidores. 44% consideram que Portugal está ainda longe de encontrar o equilíbrio adequado em matéria de acessibilidade dos preços da energia.
Confiança mantém-se alinhada com a Europa
Num contexto internacional mais prudente, 57% dos investidores afirmam ter planos para investir ou expandir operações em Portugal nos próximos 12 meses, um valor ligeiramente superior à média europeia (54%).
Ao mesmo tempo, apenas 22% dos inquiridos referem ter adiado, cancelado ou reduzido planos de investimento em Portugal durante o último ano, abaixo dos 34% observados na Europa, sugerindo uma maior resistência do país perante os choques recentes.
Já 56% acreditam que a atratividade de Portugal irá melhorar nos próximos três anos.
Acesso a capital lidera as prioridades
O acesso a capital surge como a principal prioridade identificada pelos investidores para reforçar a competitividade portuguesa.
Seguem-se o apoio às pequenas e médias empresas, o reforço da inovação digital e o apoio a setores estratégicos como inteligência artificial, energia limpa e defesa.
O estudo da EY conclui ainda que, para transformar a atual resiliência em crescimento sustentado, Portugal deverá concentrar esforços na melhoria das condições para financiar, executar e escalar investimentos, apostando simultaneamente em áreas de elevado potencial, como inteligência artificial, infraestruturas digitais, serviços de elevado valor acrescentado e reindustrialização avançada.