Famílias estão “esticadas”
A capacidade de os consumidores pagarem as suas contas, bem como a sua perceção da acessibilidade da energia, são influenciadas por um conjunto amplo de fatores. Tendo isso em conta, a EY desenvolveu o Energy Vulnerability Score, de forma a analisar como os consumidores percecionam as alterações nos custos de energia, os desafios que podem dificultar o pagamento das faturas e as suas escolhas e comportamentos económicos. Além da perceção de aumento dos custos e das mudanças nas despesas não-essenciais, a EY olhou para a capacidade de as famílias pagarem regularmente as suas faturas de energia e responderem a despesas imprevistas. Os resultados mostram que quase metade dos consumidores (47%) admitem enfrentar dificuldades regularmente para pagar a fatura energética, enquanto 85% dizem já ter sido confrontados com contas inesperadamente elevadas, o que contribui para o stress e insatisfação das famílias.
Além disso, apenas 43% dos consumidores portugueses consideram viver em segurança energética, ou seja, não esperam enfrentar problemas para pagar as contas nos próximos 12 meses (45% na média dos países analisados).
As famílias parecem estar quase no seu limite de poupança: 74% dos inquiridos em Portugal dizem que já não conseguem fazer mais para reduzir os seus custos de energia.
Consumidores mais atentos pedem soluções aos fornecedores
Os portugueses revelam, também, estar mais atentos ao tema: oito em cada dez consumidores afirmam ter hoje mais interesse em procurar soluções para baixar os custos de energia do que há um ano. Mas a forma como se querem relacionar com os fornecedores também estár a mudar e a maioria (65%) já prefere usar canais digitais sempre que possível, com uma parte significativa a afirmar ter recorrido a ferramentas de inteligência artificial para tarefas relacionadas com gestão de energia no último ano.
Porém, apesar do crescente interesse em soluções de gestão energética, persistem várias barreiras à adoção, nomeadamente limitações financeiras (perceção de que a poupança é escassa), falta de informação e desconfiança relativamente à capacidade de os fornecedores ajudarem efetivamente os consumidores a reduzir custos.
O relatório destaca três linhas de ação para os fornecedores de energia: redesenhar a experiência energética em torno do bem-estar do consumidor, indo além de medidas de alívio de curto prazo e garantindo previsibilidade; simplificação e aceleração da adoção de soluções digitais e de Inteligência Artificial (IA); e a reconstrução da confiança no setor.