Press release
29 mai. 2026 

Quase Tres em Cinco Consumidores Tem ou Antecipam Dificuldades em Pagar as Contas de Energia

  • Estudo Global EY, que incluiu Portugal mostra como os custos da energia estão a ter efeitos profundos no quotidiano das famílias, a afetar a confiança no sistema e a mudar hábitos de consumo
  • 74% das Famílias dizem que já não conseguem fazer mais para reduzir os seus gastos
  • Consumidores mais atentos procuram soluções para baixar os custos, incluindo preferindo que essas sugestões venham dos seus fornecedores

A fatura da energia pesa cada vez mais no bem-estar financeiro das famílias portuguesas e esta pressão está a retirar-lhes confiança no sistema energético. A maioria dos consumidores em Portugal (57%) afirma ter atualmente, ou antecipa vir a ter, dificuldades para pagar as contas de energia ao longo do próximo ano, um valor que coloca Portugal ligeiramente acima da média dos 20 países analisados (55%) no mais recente “Global Energy Consumer Research 2026”, realizado pela EY.

O estudo procurou aferir como estão a evoluir as atitudes dos consumidores em relação às despesas energéticas, e de que forma o seu bem-estar é afetado. Os dados revelam que 87% dos inquiridos em Portugal estão a gastar mais hoje do que alguma vez o fizeram. Mais de metade (55%) alterou os hábitos de despesas não-essenciais para conseguir suportar o aumento das faturas de energia. E enquanto a larga maioria (75%) atribui esta mudança à inflação/aumento de preços, uma parte significativa também aponta o aumento dos lucros dass empresas energéticas (55%).

A confiança no sistema como um todo é, assim, afetada. Em Portugal, o Índice de Confiança do Consumidor de Energia, criado pela EY para medir o nível de confiança no mercado, bem como o otimismo/pessimismo em relação à transição energética, caiu 5,5 pontos percentuais entre 2023 e 2026 para 53,5 – abaixo da média dos países analisados, de 54,4. O inquérito abrangeu mais de 17.200 consumidores em 20 mercados (801 inquiridos em Portugal), com as respostas recolhidas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

O inquérito foi realizado antes da escalada do conflito no Médio Oriente, mas já então era muito evidente que os custos da energia estão no topo das preocupações financeiras das famílias.. O estudo mostra que muitos consumidores sentem hoje uma grande pressão sobre o orçamento familiar e vivem com um elevado nível de incerteza relativamente à evolução futura dos custos energéticos, pedindo respostas, a todo o setor que impactem diretamente o bem-estar financeiro

Famílias estão “esticadas”

A capacidade de os consumidores pagarem as suas contas, bem como a sua perceção da acessibilidade da energia, são influenciadas por um conjunto amplo de fatores. Tendo isso em conta, a EY desenvolveu o Energy Vulnerability Score, de forma a analisar como os consumidores percecionam as alterações nos custos de energia, os desafios que podem dificultar o pagamento das faturas e as suas escolhas e comportamentos económicos. Além da perceção de aumento dos custos e das mudanças nas despesas não-essenciais, a EY olhou para a capacidade de as famílias pagarem regularmente as suas faturas de energia e responderem a despesas imprevistas. Os resultados mostram que quase metade dos consumidores (47%) admitem enfrentar dificuldades regularmente para pagar a fatura energética, enquanto 85% dizem já ter sido confrontados com contas inesperadamente elevadas, o que contribui para o stress e insatisfação das famílias. 

Além disso, apenas 43% dos consumidores portugueses consideram viver em segurança energética, ou seja, não esperam enfrentar problemas para pagar as contas nos próximos 12 meses (45% na média dos países analisados).

As famílias parecem estar quase no seu limite de poupança: 74% dos inquiridos em Portugal dizem que já não conseguem fazer mais para reduzir os seus custos de energia.

Consumidores mais atentos pedem soluções aos fornecedores

Os portugueses revelam, também, estar mais atentos ao tema: oito em cada dez consumidores afirmam ter hoje mais interesse em procurar soluções para baixar os custos de energia do que há um ano. Mas a forma como se querem relacionar com os fornecedores também estár a mudar e a maioria (65%) já prefere usar canais digitais sempre que possível, com uma parte significativa a afirmar ter recorrido a ferramentas de inteligência artificial para tarefas relacionadas com gestão de energia no último ano. 

Porém, apesar do crescente interesse em soluções de gestão energética, persistem várias barreiras à adoção, nomeadamente limitações financeiras (perceção de que a poupança é escassa), falta de informação e desconfiança relativamente à capacidade de os fornecedores ajudarem efetivamente os consumidores a reduzir custos.

O relatório destaca três linhas de ação para os fornecedores de energia: redesenhar a experiência energética em torno do bem-estar do consumidor, indo além de medidas de alívio de curto prazo e garantindo previsibilidade; simplificação e aceleração da adoção de soluções digitais e de Inteligência Artificial (IA); e a reconstrução da confiança no setor.

A energia tem uma dimensão central na qualidade de vida e na estabilidade financeira das famílias. Ao mesmo tempo que os consumidores enfrentam maiores pressões de custo, também esperam uma experiência mais simples, digital e personalizada. O desafio para o setor passa, assim, por conseguir responder aos desafios de acessibilidade e confiança, oferecendo a novas soluções digitais e de IA para ajudar os consumidores a reduzir, gerir e a antecipar melhor os seus custos

Sobre a EY

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