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Seguros PET em Portugal: Baixa Penetração, Alto Potencial

O mercado de seguros para animais de companhia atravessa uma forte fase de crescimento global. Enquanto vários países europeus evoluem de forma estruturada, Portugal mantém baixos níveis de penetração.


De acordo com o artigo “Petpulse Insights” de 2025, mais de metade dos lares portugueses têm animais de companhia e existem mais de cinco milhões de animais registados. Ainda assim, apenas uma minoria, 15%, está protegida por seguro, colocando Portugal significativamente atrás de várias economias europeias.

A baixa penetração pode resultar de uma falha de oferta e estratégia das seguradoras, sendo agravada por padrões de comportamento e níveis de perceção limitados entre os consumidores.

Em Portugal, a maioria dos tutores continua a recorrer ao veterinário sobretudo em situações de emergência, ao contrário do que acontece noutros países europeus onde a prevenção e o acompanhamento regular são práticas comuns. Este padrão revela não apenas uma menor valorização da medicina preventiva, mas também níveis reduzidos de literacia financeira e de saúde animal.

Para inverter esta tendência, o desafio é necessariamente partilhado, mas pode exigir uma atuação mais proativa do setor segurador.

É fundamental tornar os custos dos principais procedimentos veterinários mais transparentes, evidenciando de forma clara o impacto financeiro e as poupanças que um seguro pode gerar.

Em Portugal, os seguros disponíveis concentram-se essencialmente na proteção contra acidentes e doenças, com poucas opções de cobertura completa. Os plafonds anuais situam-se normalmente entre €1.000 e €2.500, sendo frequentes exclusões relacionadas com doenças pré‑existentes, idade avançada ou raças consideradas de maior risco. A cobertura de cuidados preventivos — como vacinas, saúde dentária ou check‑ups — raramente é incluída, e serviços adicionais, como linhas de apoio 24/7, pagamentos diretos a veterinários ou telemedicina, continuam muito limitados ou inexistentes.

Os consumidores manifestam um desejo crescente por coberturas mais completas e flexíveis, bem como por menos exclusões, podendo evidenciar uma desconexão entre a evolução das expectativas dos tutores e a oferta atualmente disponível no mercado.

A pandemia de COVID‑19 trouxe este tema para o centro do debate, com muitos animais adotados durante os períodos de isolamento a apresentarem, mais tarde, problemas de socialização, ansiedade de separação e comportamentos disruptivos. Estas situações têm impacto direto não só no bem‑estar dos animais, mas também na frequência de visitas ao veterinário e nos custos associados.

Em mercados mais maduros, como o Reino Unido, onde cerca de 25% dos animais de companhia estão cobertos por seguro, ou a Suécia, que apresenta taxas de cobertura superiores a 40% — chegando a valores ainda mais elevados no caso dos cães —, o seguro PET está fortemente associado a uma lógica de prevenção e acompanhamento regular, uma realidade ainda distante do contexto português.

Se Portugal convergisse com níveis médios europeus de penetração, o número de animais segurados poderia duplicar ainda nesta década, com impacto direto no volume de prémios e na diversificação das receitas não-vida.

Para as seguradoras, o seguro PET apresenta características especialmente atrativas: elevada ligação emocional, forte retenção e potencial de relacionamento a longo prazo com agregados familiares mais jovens.

Para ganhar escala, as seguradoras poderão apostar em modelos modulares, seguros integrados (donos e animais de estimação), soluções digitais simples, integração com parceiros clínicos e propostas claras de valor orientadas para a prevenção e a conveniência.

Desta forma, a janela de oportunidade mantém-se aberta, mas a experiência noutros mercados mostra que não permanecerá assim por muito tempo.

Resumo

Só 15% dos animais de companhia em Portugal têm seguro, abaixo da média europeia. A oferta é limitada e a medicina preventiva pouco valorizada O mercado pode crescer se as seguradoras oferecerem coberturas mais flexíveis e focadas na prevenção.

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