EY e um café com... António Gameiro Marques, Diretor-Geral do Gabinete Nacional de Segurança
Neste episódio da rubrica “EY e um café com...”, Jorge Libório, Partner da EY e Cybersecurity Leader, senta-se à conversa com António Gameiro Marques, Diretor-Geral do Gabinete Nacional de Segurança, sobre cibersegurança, confiança digital, liderança e... o luxo de tempo com os amigos e a família. Com uma carreira que passou pela Marinha Portuguesa e pela alta direção pública, o Contra-almirante António Gameiro Marques partilha a sua visão sobre os desafios da era digital e o papel das instituições na proteção da sociedade.
Qual é a missão do Gabinete Nacional de Segurança?
“A nossa missão é, através da segurança da informação, criarmos confiança na sociedade e nas pessoas que a compõem. Queremos garantir os três atributos fundamentais da segurança da informação: confidencialidade, integridade e disponibilidade. Fazemo-lo com o propósito de promover essa confiança nos meios digitais e na tramitação da ação, independentemente da sua natureza.”
Como pode Portugal preparar-se para os riscos crescentes de cibersegurança?
“Portugal tem feito um caminho interessante. Os portugueses têm melhorado nas suas capacidades digitais, como mostram os indicadores da União Europeia. Mas os desafios das forças do mal são cada vez maiores e mais sofisticados. Precisamos de maior capacitação e de políticas públicas robustas, que este ano serão divulgadas. Há também um perigo crescente: o consumo de informação deturpada, que altera significativamente a forma como percebemos a sociedade. A desinformação é um risco que não estamos a encarar com a devida atenção.”
Como foi a transição de militar para gestor público?
“Levei comigo os valores e a postura da Marinha Portuguesa. Frequentei o programa de Alta Direção de Empresas da AESE para perceber como aplicar essa vivência num contexto de gestão pública. Há muitas semelhanças: motivação para o propósito, disciplina, liderança inclusiva. A bordo, enfrentamos um inimigo comum — o mar — e isso cria coesão. Acredito que, ao endereçarmos os sentimentos e necessidades das pessoas, criamos equipas mais motivadas. Os pilares que carrego são a lealdade e o compromisso.”
E nos tempos livres, quem é o senhor Almirante?
“Sou um indivíduo perfeitamente banal. Gosto de cinema, de boas exposições, de ler. Mas o verdadeiro luxo para mim é ter tempo de qualidade com a minha família mais próxima e com os meus amigos de sempre. Isso retempera-me, devolve-me um pouco do que sou e do que gosto de ser. É um luxo simples, mas precioso.”