Energy Shot com Vítor Santos, Professor do ISEG: “Portugal pode ganhar a revolução industrial verde”
Neste episódio do Energy Shot, Hermano Rodrigues, Principal na EY-Parthenon, conversa com Vítor Santos, Professor de Economia no ISEG, sobre o papel de Portugal na nova revolução industrial impulsionada pelas energias verdes e renováveis. Com uma análise profunda e estratégica, Vítor Santos identifica os recursos, os riscos e as oportunidades que o país tem para liderar esta transição.
“Portugal perdeu sempre o comboio das revoluções industriais. Mas, pela primeira vez, tem os recursos endógenos.”
Portugal e a nova revolução industrial
“Temos potencial eólico e solar bastante expressivo, e minerais críticos como o lítio e o cobre.”
Portugal tem uma oportunidade única de se posicionar como líder na transição energética, graças à sua dotação de recursos naturais e à crescente maturidade do setor elétrico.
Inovação e investimento direto estrangeiro
“Não temos ainda inovação tecnológica ao nível exigido. O capital é finito, mas podemos atrair investimento direto estrangeiro.”
Mais do que intenções, Vítor Santos defende a importância de anúncios concretos de investimento para acelerar o desenvolvimento industrial.
Cadeias de valor verdes e setores difíceis de descarbonizar
“Temos o biometano, o hidrogénio verde, a mobilidade elétrica, a digitalização das redes e a inteligência artificial.”
“Há setores que têm de descarbonizar e têm dificuldade em fazê-lo: aço, cimento, petroquímica, transportes pesados e marítimos.”
Riscos e condições para a competitividade
“Estamos perante indústrias nascentes, com desvantagens de custo. Mas temos uma vantagem: custos de energia mais baixos graças às renováveis.”
Portugal está bem posicionado no setor elétrico, com 71% do consumo já assegurado por fontes renováveis.
O Pacto para a Indústria Limpa
“É uma estrutura notável, com 100 mil milhões de euros de dotação e uma abordagem bottom-up que envolveu a indústria.”
O pacto europeu visa reduzir o gap tecnológico com os EUA e a China, compatibilizar descarbonização com competitividade e reforçar a autonomia tecnológica da Europa.
“Portugal tem de se chegar à frente para aproveitar esta oportunidade de forma eficaz e eficiente.”