Press release
24 mar. 2026 

Economia de €246 Bi com Eletrificação de Frotas na Europa até 2030

  • Estudo da EY e da Eurelectric estima que, só em combustível, as empresas possam poupar entre 130 mil milhões e 140 mil milhões de euros até ao final da década com a eletrificação das suas frotas
  • Impactos no ambiente também são significativos: eletrificação completa pode evitar a emissão de mil milhões de toneladas de CO2 até 2030
  • Quatro obstáculos podem abrandar a transição elétrica: custos de aquisição elevados; a incerteza; incentivos públicos pouco consistentes e atrasos na expansão da infraestrutura de carregamento
  • Estudo defende uma ação coordenada em todo o ecossistema: operadores, fabricantes e decisores políticos (que devem garantir previsibilidade fiscal e regulatória)
  • O ano de 2025 foi um ponto de viragem na mobilidade elétrica, com os novos registos de veículos elétricos a ultrapassarem os de combustão pela primeira vez 

Apenas 6% da frota automóvel das empresas é elétrica, conclui o mais recente estudo da EY e da Eurelectric, que estima poupanças significativas caso as organizações acelerem a eletrificação dos seus veículos. Mas o caminho não parece totalmente desimpedido, com a EY a identificar quatro obstáculos que devem ser endereçados pelos vários intervenientes para fomentar a transição.

Segundo o relatório Fleet forward: powering the transition to electric mobility, a transição das frotas empresariais europeias para veículos elétricos tem potencial para gerar perto de 246 mil milhões de euros em poupanças acumuladas nos custos operacionais até 2030, o equivalente a cerca de 49 mil milhões de euros por ano.

O impacto climático também é relevante: a eletrificação total das frotas poderia evitar até mil milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono (CO2) até 2030. Só com combustível, estima-se uma poupança de entre 130 mil milhões e 140 mil milhões até ao final da década, no total, com base nos preços médios de combustível na UE.

As vantagens económicas já começam a tornar-se visíveis em vários segmentos. Os veículos elétricos ligeiros de passageiros e comerciais conseguem apresentar custos operacionais por quilómetro inferiores aos equivalentes com motor de combustão interna, sobretudo quando o carregamento é feito em instalações próprias das empresas. Também no transporte de pesados, os camiões elétricos podem alcançar custos operacionais mais baixos em rotas específicas.

Apesar deste potencial, o estudo conclui que os benefícios operacionais, por si só, não são suficientes para impulsionar uma adoção em larga escala pelas empresas, com quatro obstáculos identificados: os preços de aquisição elevados; a incerteza sobre o valor residual; a existência de incentivos públicos inconsistentes; e atrasos na ligação à rede elétrica ou na expansão da infraestrutura de carregamento. 

Constantin M. Gall, EY Global Aerospace, Defense & Mobility Leader, afirma que 

A eletrificação das frotas já garante vantagens a nível dos custos operacionais em vários segmentos”. “Mas o custo total continua condicionado por limitações estruturais próprias de um ecossistema ainda em desenvolvimento e do processo de adaptação em curso. Desvantagens no custo inicial, risco associado ao valor residual, políticas fragmentadas e constrangimentos na rede elétrica continuam a atrasar decisões de investimento em veículos elétricos. A forma como estes obstáculos forem resolvidos determinará a velocidade da transição

José Roque, Energy Segment Lead EY Portugal, refere que 

A eletrificação das frotas das empresas deve ser encarada como uma oportunidade estratégica para a Europa reforçar a sua competitividade industrial e energética. Para concretizar esse potencial, é preciso um planeamento integrado entre os sistemas de transporte, energia e infraestruturas digitais para acelerar a mobilidade elétrica, garantindo que a transição acontece de forma coordenada em todo o ecossistema

Com a curadoria de profissionais da EY – e a sua vasta experiência nos setores energético, automóvel, governamental e tecnológico –, este estudo baseia-se em entrevistas com fabricantes de automóveis, empresas gestoras de postos de carregamento para viaturas elétricas e empresas de flexibilidade e tecnologia, fornecedores de energia, retalhistas de energia, operadores das redes de distribuição (ORD) e organismos da indústria. Tem também por base os conhecimentos de profissionais do organismo europeu do setor da energia Eurelectric e dos seus membros.

Registos de elétricos já ultrapassaram os de combustão na Europa

As frotas empresariais desempenham um papel central na transição energética do setor automóvel. Na União Europeia, seis em cada dez novos veículos são adquiridos por empresas, sendo responsáveis por 71% das emissões de CO2 associadas aos automóveis. 

O potencial de poupança económica e de redução de emissões é, por isso, enorme. Uma estratégia bem desenhada pode acelerar a procura por veículos elétricos e fortalecer a indústria europeia e a independência energética

Neste contexto, o estudo defende uma ação coordenada em todo o ecossistema: desde os operadores, que devem maximizar o carregamento inteligente (identificado no relatório como um fator-chave para reduzir custos e melhorar as margens operacionais); aos fabricantes, que devem reduzir a diferença de preço inicial e aumentar a transparência da informação sobre as baterias para reforçar a confiança dos consumidores; e aos decisores políticos, que têm de garantir previsibilidade fiscal e regulatória; entre outros.

O ano de 2025 marcou um “ponto de viragem” para a mobilidade elétrica a nível global – e na Europa em particular. As vendas de carros elétricos atingiram cerca de 23,7 milhões de unidades em todo o mundo, representando já um quarto (26%) do mercado automóvel mundial. Na Europa, os automóveis elétricos representam 29% do mercado, acima dos 12% registados nos EUA, mas ainda abaixo dos 48% na China. Em dezembro, pela primeira vez, os novos registos de veículos elétricos ultrapassaram os de carros a combustão em território europeu (22,6% vs. 22,5%).

A evolução do enquadramento regulatório europeu também deverá acelerar esta tendência. A proposta de regulamento relativo às normas de emissão de CO2 para os automóveis de passageiros e os veículos comerciais ligeiros, apresentada pela Comissão Europeia em dezembro de 2025, no âmbito do Pacote Automóvel, prevê metas vinculativas para a adoção de veículos de emissão zero ou emissões reduzidas por grandes empresas a partir de 2030, aproveitando o peso das frotas corporativas para acelerar a descarbonização do transporte rodoviário.

Postos de carregamento elétrico sobem 19% em 2025

A acompanhar esta tendência, a infraestrutura de carregamento continua a expandir-se. A rede pública ultrapassa atualmente 1,2 milhões de pontos de carregamento, um aumento de 19% face a 2024 e três vezes mais do que em 2021. No caso específico dos camiões, os pontos de carregamento cresceram 30% no último ano, para 937, um aumento de seis vezes desde 2021.

A eletrificação das frotas está, assim, a dar passos largos, mas o pleno potencial desta transição dependerá da capacidade de coordenação entre empresas, setor energético, indústria automóvel e decisores políticos. 

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