Neste contexto, o estudo defende uma ação coordenada em todo o ecossistema: desde os operadores, que devem maximizar o carregamento inteligente (identificado no relatório como um fator-chave para reduzir custos e melhorar as margens operacionais); aos fabricantes, que devem reduzir a diferença de preço inicial e aumentar a transparência da informação sobre as baterias para reforçar a confiança dos consumidores; e aos decisores políticos, que têm de garantir previsibilidade fiscal e regulatória; entre outros.
O ano de 2025 marcou um “ponto de viragem” para a mobilidade elétrica a nível global – e na Europa em particular. As vendas de carros elétricos atingiram cerca de 23,7 milhões de unidades em todo o mundo, representando já um quarto (26%) do mercado automóvel mundial. Na Europa, os automóveis elétricos representam 29% do mercado, acima dos 12% registados nos EUA, mas ainda abaixo dos 48% na China. Em dezembro, pela primeira vez, os novos registos de veículos elétricos ultrapassaram os de carros a combustão em território europeu (22,6% vs. 22,5%).
A evolução do enquadramento regulatório europeu também deverá acelerar esta tendência. A proposta de regulamento relativo às normas de emissão de CO2 para os automóveis de passageiros e os veículos comerciais ligeiros, apresentada pela Comissão Europeia em dezembro de 2025, no âmbito do Pacote Automóvel, prevê metas vinculativas para a adoção de veículos de emissão zero ou emissões reduzidas por grandes empresas a partir de 2030, aproveitando o peso das frotas corporativas para acelerar a descarbonização do transporte rodoviário.
Postos de carregamento elétrico sobem 19% em 2025
A acompanhar esta tendência, a infraestrutura de carregamento continua a expandir-se. A rede pública ultrapassa atualmente 1,2 milhões de pontos de carregamento, um aumento de 19% face a 2024 e três vezes mais do que em 2021. No caso específico dos camiões, os pontos de carregamento cresceram 30% no último ano, para 937, um aumento de seis vezes desde 2021.
A eletrificação das frotas está, assim, a dar passos largos, mas o pleno potencial desta transição dependerá da capacidade de coordenação entre empresas, setor energético, indústria automóvel e decisores políticos.