Os internamentos sociais continuam a representar uma parte significativa dos internamentos em Portugal. Entre março de 2025 e março de 2026, o número de camas ocupadas no SNS por este motivo aumentou 19%, para 2.807, revela a 10.ª Edição do Barómetro dos Internamentos Sociais (BIS) da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), realizada em parceria com a EY Portugal, e com o apoio institucional da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP) e da Ordem dos Assistentes Sociais (OAS).
Os internamentos inapropriados representam já 13,9% dos internados nos hospitais públicos. Há dois anos, o chamado índice de inapropriação do internamento estava nos 11,1% e, no barómetro do ano passado, nos 11,7%. Este índice reflete, agora, um custo anual para o Estado de 351 milhões de euros por ano, mais 63 milhões do que no barómetro anterior. Os cálculos são feitos com base nos dados registados até 19 de março.
Considera-se internamento inapropriado todos os dias que um doente passa no hospital após alta clínica e quando não existe um motivo de saúde que justifique a sua permanência em ambiente hospitalar. Ao todo, os serviços do SNS registaram 439.871 dias deste tipo de internamentos no espaço de um ano, mais 20% do que na análise anterior. Já o tempo médio dos internamentos sociais manteve-se praticamente inalterado (157 dias por episódio a nível nacional), embora se observem variações relevantes entre regiões, que vão dos 239 dias na Região Norte ou 124 em Lisboa e Vale do Tejo aos 32 dias no Alentejo.
A análise revela também que as regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte são responsáveis por 85% do total dos internamentos inapropriados a nível nacional. A Região Centro apresentou o maior rácio entre o número de internamentos inapropriados e o número de camas disponíveis, com a situação a agravar-se significativamente face ao barómetro do ano passado.
A nível nacional, a falta de resposta da Rede Nacional de Cuidados Continuados (RNCCI) foi responsável pela maior parte (45%) dos internamentos inapropriados, acima dos 38% do ano anterior. Este é o principal motivo de internamento social em todas as regiões do país.
Quando a análise é feita aos motivos dos dias de internamento social o destaque vai para a falta de resposta em Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI), que tem um impacto relevante no prolongamento dos internamentos em grande parte do país, com especial destaque para Lisboa e Vale do Tejo e Algarve. Outras causas relevantes, como situações sociais e familiares complexas, também têm um peso significativo.
Segundo Xavier Barreto, Presidente da APAH