Press release
23 abr. 2026 

Internamentos Socials Sobem Quase 20% Num ano e Custam mais de 350 Milhóes de Euros ao Estado

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  • Décima edição do Barómetro de Internamentos Sociais revela que 13,9% das camas do SNS estão ocupadas com internamentos inadequados, ou seja, com doentes que não deveriam estar internados num hospital
  • Aumento significa um agravamento de mais de 60 milhões de euros nos custos para o Estado
  • Falta de resposta das Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) justifica a maior parte dos dias de internamentos inapropriados
  • Mais de 439 mil dias de internamentos inapropriados, com uma demora média de 157 dias por episódio, continuam a pressionar a capacidade hospitalar, sobretudo nas regiões Norte e Lisboa e Vale do Tejo

Os internamentos sociais continuam a representar uma parte significativa dos internamentos em Portugal. Entre março de 2025 e março de 2026, o número de camas ocupadas no SNS por este motivo aumentou 19%, para 2.807, revela a 10.ª Edição do Barómetro dos Internamentos Sociais (BIS) da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), realizada em parceria com a EY Portugal, e com o apoio institucional da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP) e da Ordem dos Assistentes Sociais (OAS).

Os internamentos inapropriados representam já 13,9% dos internados nos hospitais públicos. Há dois anos, o chamado índice de inapropriação do internamento estava nos 11,1% e, no barómetro do ano passado, nos 11,7%. Este índice reflete, agora, um custo anual para o Estado de 351 milhões de euros por ano, mais 63 milhões do que no barómetro anterior. Os cálculos são feitos com base nos dados registados até 19 de março.

Considera-se internamento inapropriado todos os dias que um doente passa no hospital após alta clínica e quando não existe um motivo de saúde que justifique a sua permanência em ambiente hospitalar. Ao todo, os serviços do SNS registaram 439.871 dias deste tipo de internamentos no espaço de um ano, mais 20% do que na análise anterior. Já o tempo médio dos internamentos sociais manteve-se praticamente inalterado (157 dias por episódio a nível nacional), embora se observem variações relevantes entre regiões, que vão dos 239 dias na Região Norte ou 124 em Lisboa e Vale do Tejo aos 32 dias no Alentejo.

A análise revela também que as regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte são responsáveis por 85% do total dos internamentos inapropriados a nível nacional. A Região Centro apresentou o maior rácio entre o número de internamentos inapropriados e o número de camas disponíveis, com a situação a agravar-se significativamente face ao barómetro do ano passado.

A nível nacional, a falta de resposta da Rede Nacional de Cuidados Continuados (RNCCI) foi responsável pela maior parte (45%) dos internamentos inapropriados, acima dos 38% do ano anterior. Este é o principal motivo de internamento social em todas as regiões do país.

Quando a análise é feita aos motivos dos dias de internamento social o destaque vai para a falta de resposta em Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI), que tem um impacto relevante no prolongamento dos internamentos em grande parte do país, com especial destaque para Lisboa e Vale do Tejo e Algarve. Outras causas relevantes, como situações sociais e familiares complexas, também têm um peso significativo.

Segundo Xavier Barreto, Presidente da APAH

Os internamentos sociais continuam a pressionar de forma considerável a capacidade de resposta do SNS, com impacto direto na eficiência dos serviços e no acesso aos cuidados”. “É fundamental apostar no reforço da capacidade instalada fora do hospital e uma agilização dos processos legais, em particular no que toca ao Regime do Maior Acompanhado, que continua a constituir um bloqueio à alta. O investimento no apoio domiciliário e nos cuidadores deve também ser encarado como uma prioridade estrutural

acrescenta.

Paulo Luís Silva, Health Sciences and Wellness Leader da EY Portugal, afirma que 

Os resultados apontam para a necessidade de uma abordagem mais preventiva e coordenada, que passe pela identificação atempada de situações de risco social e por um planeamento de altas mais eficaz”. “É aconselhável reforçar a articulação entre diferentes setores e apostar em soluções de proximidade, como o apoio domiciliário, para reduzir a dependência do internamento hospitalar. Ao mesmo tempo, a otimização da gestão de camas e a melhoria dos sistemas de monitorização são medidas essenciais para garantir uma utilização mais eficiente dos recursos

defende ainda.

As instituições possuem algumas alternativas aos internamentos sociais, nomeadamente a aplicação da portaria 38-A/2023, de 2 de fevereiro. Atualmente, a nível nacional, existem 27 instituições com alternativas, sendo que no dia 19 de março estavam 1.035 doentes em vagas contratualizadas, e 714 tinham sido integrados no âmbito da aplicação da referida portaria.

Os dados mostram, também, que a situação de internamento indevido incide igualmente sobre os dois sexos. Nota-se, porém, com maior incidência em doentes com mais de 65 anos (72%), em internamentos de índole médica (71%) e no serviço de medicina interna (46%).  

O 10.º Barómetro de Internamentos Sociais, desenvolvido pela APAH em parceria com a EY Portugal, contou com a participação de 41 unidades hospitalares do SNS, num total de 20.383 camas, representando 97% do total do SNS. 

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