As segundas coberturas em saúde (decorrentes de seguros, planos de saúde e outros mecanismos semelhantes) contribuíram para uma poupança anual estimada de 1.945 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), em 2023. Este valor resulta da transferência de atividade para o setor privado, que, nesse ano, realizou mais de 9 milhões de procedimentos nas segundas coberturas, aliviando a pressão sobre o sistema público, segundo o estudo “As Segundas Coberturas de Saúde em Portugal e o seu Impacto no Sistema Nacional de Saúde”, realizado pela EY-Parthenon para a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) e a Associação Portuguesa de Seguradores (APS).
Entre 2019 e 2023, o número de apólices de seguros de saúde cresceu 25%, passando de 1,019 milhões para 1,276 milhões, enquanto o número de pessoas seguradas aumentou 30%, de 3,02 milhões para 3,92 milhões. Este crescimento foi impulsionado por fatores como as dificuldades de acesso a serviços do SNS, menor tempo de espera na marcação de atos médicos e possibilidade de acompanhamento por especialistas específicos, aponta o estudo.
No contexto global, e considerando uma despesa do SNS de cerca de 14,5 mil milhões de euros em 2023, estima-se que o impacto das segundas coberturas tenha permitido poupanças para o sistema público na ordem dos dois mil milhões de euros, sem contabilizar efeitos adicionais de médio e longo prazo. Deste montante, 846 milhões dizem respeito a cirurgias, 688 milhões a consultas, 234 milhões a Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica (MCDT), 143 milhões a urgências, 13 milhões a partos e os restantes 21 milhões a outros atos médicos.
O estudo realizado pela EY-Parthenon integrou análise de dados oficiais e setoriais com auscultação de entidades relevantes, sendo a avaliação suportada por um modelo de equilíbrio parcial. Os impactos económicos globais foram ainda estimados através de modelos input-output, captando efeitos diretos, indiretos e induzidos.