A força de trabalho atualmente nunca foi tão multigeracional. Hoje, coexistem até cinco gerações: Tradicionalistas, Baby Boomers, Geração X, Millennials, e Geração Z, sendo que cerca de 75% da força de trabalho é composta por colaboradores da Geração X e Millennials. Cada uma destas gerações tem diferentes motivações, preferências comunicacionais, hábitos, e valores – esta diversidade pode representar desafios, mas também oportunidades de aprendizagem, inovação e crescimento coletivo (Forbes, 2025).
O desafio: Alinhar sem uniformizar
Existem gerações como os Tradicionalistas que valorizam estabilidade e reconhecimento formal, enquanto outras, como a Geração Z, procuram propósito, flexibilidade e rápida progressão de carreira, exigindo às lideranças que se adaptem a diferentes realidades.
O problema surge quando se tenta aplicar um modelo de cultura “one size fits all”, desvalorizando estas diferenças e provocando desmotivação nas equipas. Consequentemente, a falta de estratégias para integrar diferentes expectativas aumenta o risco de rotatividade, principalmente nas gerações mais jovens, que procuram ambientes inclusivos (Gallup, 2024).
O potencial: Complementaridade e inovação
Quando bem gerida, a diversidade geracional torna-se uma vantagem competitiva. Segundo um estudo do World Economic Forum, AARP (American Association of Retired Persons) e da OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development) (2020), investir em forças de trabalho multigeracionais pode aumentar o PIB per capita em quase 19% ao longo de três décadas.
Para além do impacto económico, o respeito mútuo entre gerações promove um ambiente de confiança e compreensão, essencial para evitar conflitos e fortalecer relações no trabalho (Forbes, 2025).
A complementaridade de gerações exige intenção, e envolve uma liderança empática capaz de reconhecer que o conhecimento não tem idade, que a inovação não é exclusiva das novas gerações, e que a estabilidade não é sinónimo de resistência à mudança.
Como é que os líderes podem criar valor num ambiente multigeracional?
1. Comunicação inclusiva: Utilizar múltiplos canais (digitais ou presenciais) para corresponder às preferências comunicacionais de cada geração e assegurar que as mensagens são transmitidas de forma clara e percetível.
2. Upskilling adaptado: Oferecer formação contínua e adaptada às necessidades de cada um (por exemplo, gamificação para mais jovens e programas estruturados para mais séniores), com foco em competências digitais e soft skills, assegurando que todos têm oportunidades de crescimento.
3. Equipas multigeracionais: Criar equipas com elementos de diferentes gerações, proporcionando um ambiente inclusivo, estimulando oportunidades de mentoria cruzada (em ambos os sentidos), fortalecendo o conhecimento técnico e a colaboração.
4. Gestão sem viés geracional: Avaliar o desempenho com base em critérios claros e definidos, evitando estereótipos relacionados com a idade do colaborador.
5. Flexibilidade: Implementar políticas híbridas, planos de carreira adaptáveis e benefícios personalizados para diferentes fases da vida.
6. Cultura de propósito: Comunicar qual o propósito da estratégia da empresa, e qual o contributo que cada um tem para os objetivos, reforçando motivação e alinhamento, algo que é importante principalmente para as gerações de Millennials e Geração Z.
O futuro do trabalho é intergeracional
Com a saída gradual da Geração de Tradicionalistas e a entrada da Geração Alpha, é expectável que os desafios ganhem novas dimensões. Esta geração valoriza educação e equidade, vive num mundo digital e espera respostas rápidas e inclusivas. Por isso, é essencial que as empresas adotem estratégias que conciliem necessidades distintas, promovendo uma cultura inclusiva e adaptativa.
A diversidade geracional não é um problema a resolver, mas sim uma realidade a integrar. Organizações que implementem medidas para promover a união de diferentes gerações em torno de um propósito comum desenvolvem equipas mais resilientes, ágeis e preparadas para o futuro.