O ecossistema português de inovação
A análise do ecossistema mais alargado de inovação em Portugal tem estado em constante evolução: desde as fundações iniciais nos anos 80, com universidades e centros de I&D como atores principais, até à atual fase de consolidação de políticas de missão, que conta como redes de interface (CoLAB, CTI e Clusters), consórcios e plataformas de inovação. No entanto, apesar deste progresso institucional, persistem fragilidades estruturais e uma excessiva fragmentação de players, que tem aumentado ao longo dos vários ciclos de programação da política de coesão europeia.
Em particular, as empresas continuam a atuar muito sozinhas no processo de inovação, financiando cerca de 87% da sua própria I&D, em contraste com os setores não empresariais, que dependem excessivamente do financiamento público.
Ainda assim, apesar da elevada proporção de empresas na rede global de inovação em Portugal, as entidades académicas e de interface desempenham papéis centrais na rede, ao assegurarem a articulação entre atores. Este enquadramento reforça o facto de o desafio de Portugal residir, não tanto no investimento em I&D isoladamente, mas sim na colaboração efetiva entre empresas e sistema científico e tecnológico.
À luz da análise da evolução dos níveis de TRL (Technology Readiness Level) e IRL (Innovation Readiness Level) ao longo do ciclo de maturidade, a progressão de uma dada tecnologia está associada a menor risco tecnológico e a um maior relevo do risco de mercado. É nesta transição, da prova de conceito à escala industrial e adoção comercial, que Portugal continua a perder valor. É fundamental passar a centrar muito mais as políticas de C&T, I&D e Inovação no “Innovation Readiness Level” e nas suas falhas de mercado, focando a sua atuação em “novos” mecanismos de financiamento, designadamente em “venture capital”, “private equity” e acesso ao mercado de capitais.
Este desafio levanta questões críticas que merecem reflexão e que colocam a lente de análise focada na necessidade de desenvolver capacidades para transformar, difundir e financiar a inovação ao longo do ciclo.