O sistema energético português assenta atualmente na complementaridade entre diferentes vetores e infraestruturas, cuja articulação é determinante para garantir segurança de abastecimento, competitividade económica e uma transição energética sustentável:
- A rede elétrica, que desempenha um papel central na integração da eletricidade renovável e na eletrificação progressiva de vários setores da economia.
- A rede nacional de distribuição de gás — considerada uma das mais modernas da Europa —, que assegura fiabilidade, capilaridade e capacidade de resposta em picos de procura, sendo simultaneamente um vetor preparado para transportar gases renováveis.
- Os consumidores domésticos, industriais, dos serviços e do primário, que beneficiam de um sistema integrado que combina diferentes fontes energéticas, com impactos diretos no custo final da energia e na qualidade de serviço.
- O quadro regulatório europeu (e.g. Fit for 55, REPowerEU, RED III, European Hydrogen Bank, Clean Industrial Deal), que converge para um sistema equilibrado entre eletricidade e gás, no qual todos os vetores energéticos são relevantes.
A rede nacional de distribuição de gás representa um ativo do Estado português avaliado em mais de mil milhões de euros, plenamente operacional e tecnicamente preparado para a descarbonização do consumo energético. Trata-se de uma infraestrutura recente, subterrânea e com elevada resiliência, cuja capilaridade permite alcançar os principais centros urbanos e industriais do país.
Esta infraestrutura é, além disso, um vetor estratégico para a integração de gases renováveis, com destaque para o biometano e o hidrogénio. Portugal tem potencial para substituir até 60% do gás natural consumido por biometano de produção nacional, reforçando a autonomia energética e contribuindo para a resolução do problema dos resíduos orgânicos, o desenvolvimento regional e a valorização do setor agrícola.
Neste contexto, emerge a importância de preservar a rede de distribuição de gás como uma infraestrutura viva e dinâmica, capaz de assegurar a segurança de abastecimento, a integração de gases renováveis e a estabilidade tarifária de longo prazo, em complementaridade com o sistema elétrico.