O novo contexto político global, marcado por tensões no Médio Oriente, com impacto no estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás mundial, veio reacender preocupações sobre segurança energética e vulnerabilidade económica e política, já expostas pela guerra na Ucrânia. A transição energética está em curso, mas permanece condicionada por dependências estruturais que continuam a expor o sistema a riscos geopolíticos.
Por outro lado, a procura energética deverá crescer significativamente até 2050, pressionada pela digitalização, nomeadamente centros de dados e inteligência artificial. Este contexto reforça o papel estratégico da energia na geopolítica global.
Os conflitos geopolíticos reforçam a perceção de que as energias renováveis são não só uma solução climática, mas também uma resposta estratégica para garantir estabilidade económica e geopolítica. Neste novo contexto, países com recursos renováveis abundantes, como Portugal, ganham vantagem competitiva e podem posicionar-se como líderes na nova ordem energética.
Atendendo à crescente importância das energias renováveis no panorama energético global e nacional e o seu papel vital na transição para uma economia mais verde e sustentável, a EY-Parthenon apoiou a APREN no desenvolvimento de um estudo que fornece dados quantitativos e qualitativos que permitem uma compreensão clara do estado atual das energias renováveis em Portugal, das suas perspetivas futuras e dos impactos associados, bem como recomendações estratégicas para otimizar o seu desenvolvimento e maximizar os benefícios socioeconómicos e ambientais associados.
No contexto mundial, o aumento do consumo global de eletricidade (Figura 1) foi impulsionado por fatores como a crescente procura por arrefecimento devido a temperaturas extremas, o aumento do consumo por parte da indústria, a eletrificação dos transportes e a expansão do setor de data centers.
Em 2024, 80% do crescimento da geração de eletricidade a nível global foi assegurado por fontes renováveis e energia nuclear. Juntas, contribuíram com 41% da geração total pela primeira vez, com as renováveis, por si só, a fornecerem 32%.