10 minutos de leitura 3 jun 2019
Jovem mulher a usar um smartphone na baixa da cidade

Oito formas pelas quais a adoção das FinTech continua em ascensão

Aumentar a consciencialização e o envolvimento dos consumidores e das PME com as FinTech (Financial Technology) está a impulsionar um crescimento concreto nas taxas de adoção.

As FinTech registaram um crescimento notável nos últimos anos. O que antes era considerado uma forma complexa de gestão das finanças é agora usado por milhões de pessoas em todo o mundo devido ao crescimento de serviços bancários online e de plataformas para dispositivos móveis.

Este ano, na terceira edição bienal de tendências de adoção de FinTech publicada pela EY, 96% dos 27.000 consumidores inquiridos (em 27 mercados globais) relataram que estavam pelo menos cientes de um serviço de transferência de fundos ou de pagamentos através de FinTech – e 75% usavam um desses serviços. O estudo também aponta para um crescimento no mercado de PME nas principais categorias: serviços bancários e de pagamento, gestão financeira, crédito e seguros.

Para obter mais informações sobre a crescente adoção e influência das FinTech, analise os estudos que estão na base do relatório e a metodologia do mesmo.

Com a crescente adoção, cresce também a influência – as FinTech estão não só a angariar negócio próprio como também a impelir os incumbentes e as organizações não financeiras a desenvolverem os seus próprios produtos e serviços de FinTech. Embora alguns desafios ainda não tenham sido superados, tudo indica que o crescimento no espaço das FinTech continua a ser constante. 

Multidão a caminhar
(Chapter breaker)
1

Capítulo 1

FinTech de consumo atinge ponto de inflexão

As conclusões revelam que o segmento de consumidores está muito mais interligado com as propostas das FinTech.

A terceira edição do Índice de Adoção de FinTech revela oito tendências acerca do crescimento das FinTech entre os consumidores globais.

1. As FinTech ganharam popularidade a nível global. 

Penetração

64%

dos consumidores globais adotaram as FinTech.

Com a adoção global das FinTech a atingir 64%, as FinTech estão claramente a tornarem-se comuns em todos os mercados pesquisados (Figura 1). Quando comparado com as taxas de adoção de estudos anteriores em 2015 e 2017, esse número representa uma curva de crescimento consistente nos últimos cinco anos. Nos seis mercados pesquisados nesse período, as taxas de adoção aumentaram de 16% em 2015, para 31% em 2017, para 60% em 2019 – um aumento de quase 100% a cada dois anos.  

Infográfico Adoção da FinTech pelos consumidores em 27 mercados

2. A consciencialização do consumidor está no nível histórico mais elevado 

Consciencialização

96%

dos consumidores ouviram falar dos serviços de transferência de fundos e de pagamento prestados por FinTech.

Apenas 4% dos consumidores globais afirmaram desconhecer os serviços de transferência de fundos e de pagamento das FinTech. Em certos mercados, este número foi ainda menor: na Índia e na Rússia, apenas 0,5% dos inquiridos afirmaram desconhecer estes serviços.

Surpreendentemente, este nível de consciencialização não é idêntico entre todas as categorias de serviço. Por exemplo, 29% dos entrevistados desconheciam os serviços de orçamentação e planeamento financeiro. Mas o conhecimento deste setor como um todo permanece elevado. 

3. As FinTechs estão a ser comumente usadas pelos consumidores, com a China a liderar

Estabelecer as FinTech

75%

dos consumidores usaram um serviço de transferência de fundos ou de pagamento prestado por uma FinTech.

Com os serviços de FinTech a serem agora comumente usados pelos consumidores de todo o mundo, as FinTechs tornaram-se fornecedores reconhecidos de serviços financeiros. Os serviços mais usados foram as transferências de fundos e de pagamento, com cerca de três quartos dos consumidores a usarem um serviço nesta categoria A prevalência da utilização destes serviços é particularmente elevada na China, com taxas de utilização de 95%. Outros serviços frequentemente utilizados incluem os serviços de poupança e investimento, orçamentação e planeamento financeiro, seguros e financiamento. 

Os números indicam que ainda há espaço para crescer em segmentos específicos. Por exemplo, a adoção de serviços de poupança e investimento é de apenas 27% entre as mulheres, face a 40% entre os homens.

4. As plataformas consolidadas têm maior vantagem

Balcões únicos

60%

dos consumidores preferem aceder aos serviços através de uma plataforma única.

Ao que parece os consumidores pretendem aceder às suas ferramentas financeiras por meio de uma única aplicação ou portal online, com 60% dos aderentes a indicarem que essa é a sua preferência. Mas os consumidores nem sempre preferem uma abordagem assente meramente em tecnologia – quando se trata de atendimento ao cliente, só 27% dos aderentes das FinTech em todo o mundo afirmaram que prefeririam falar com o seu banco através de uma rede social do que através dos canais tradicionais de contacto pessoal.

Portanto, ao mesmo tempo que estão a empoderar e a impulsionar a adoção de plataformas e mercados centralizados por meio da tecnologia as FinTech podem beneficiar também de parcerias e aquisições de bancos que, por sua vez, beneficiam do desenvolvimento interno. E esta colaboração gera assim uma melhor experiência para o cliente. 

5. O custo continua a ser o elemento mais importante

Vantagem competitiva

27%

dos consumidores dizem que taxas competitivas são a sua principal prioridade.

Historicamente, o fator mais apelativo para os aderentes é a facilidade comparativa de constituição de conta numa FinTech. Em 2017, por exemplo, apenas 13% dos consumidores afirmaram que as taxas apelativas eram a sua prioridade, enquanto 30% atribuíram maior relevância à facilidade de constituição de conta.

De acordo com os números deste ano, as prioridades agora mudaram. Enquanto 20% dizem que a facilidade de constituição de uma conta é mais importante, 27% estão mais preocupados com comissões e taxas – o que é amplamente sugestivo de que as FinTech constituem agora um mercado maduro, no qual os custos mais baixos e uma experiência de cliente sem atrito são esperados como sendo o padrão. 

6. A confiança nos incumbentes é elevada

Vantagem dos incumbentes

33%

consideraria a utilização de uma nova instituição financeira ao considerar a adesão a um novo serviço.

Os consumidores confiam nos principais bancos e companhias de seguros: em 2019, 22% dos inquiridos que não aderiram aos serviços das Fintech afirmaram que a decisão de manter o seu fornecedor tradicional de serviços financeiros tinha que ver com confiarem mais nos seus fornecedores tradicionais do que nas FinTech.  

A lenta adoção pode não decorrer inteiramente de falta de confiança – pode ser simplesmente um fenómeno típico de qualquer ciclo de adoção de inovação. Conforme discutido na edição de 2017 do Índice de Adoção de FinTech, o ciclo de adoção, também conhecido por "Curva de Difusão da Inovação de Rogers", dispersa-se por cinco grupos ordenados dentro de uma população:

  • Bravos pioneiros – indivíduos que procuram as ideias mais recentes
  • Pioneiros, ou early adopters  – indivíduos que atuam como líderes de opinião para a população em geral
  • Maioria precoce – indivíduos que aceitam mudar mais rapidamente do que a média
  • Maioria tardia – indivíduos mais céticos do que a média, mas dispostos a usarem a inovação se forem muitos a adotá-la.
  • Retardatários – indivíduos relutantes em desistir das formas tradicionais até que seja absolutamente necessário

7. Os agentes não financeiros estão em ascensão

Procura de alternativas

68%

estão dispostos a considerar uma proposição de valor financeira apresentada por uma instituição não financeira.

Até há algum tempo, o mercado das FinTech era exclusivamente ocupado por incumbentes e por instituições recém-estabelecidas que desafiavam o status quo. Presentemente, estas instituições competem também com organizações não financeiras, designadamente retalhistas e plataformas tecnológicas Segundo o estudo, 68% dos consumidores estão dispostos a experimentar um produto financeiro oferecido por uma empresa não financeira. 

Estas empresas estão mais abertas a retalhistas (45%) e operadoras de telecomunicações (44%) enquanto prestadores de serviços, e mais dispostas a utilizar serviços de transferência de fundos e de pagamento de FinTech, tais como serviços de banca digital e carteiras digitais. Tal pode decorrer do fato dos agentes não financeiros, como é o caso dos retalhistas, terem empreendido a sua transformação tecnológica e proporcionarem aos seus clientes experiências ininterruptas, alicerçadas no historial de relações, para oferecerem soluções holísticas. Na perspetiva de um cliente, porque não efetuar operações bancárias onde faz compras – especialmente se ambos forem transacionados online?

8. Os adotantes de FinTech estão mais dispostos a partilhar dados

Partilha de dados

48%

dos aderentes estão dispostos a partilhar dados bancários.

Entre os aderentes das FinTech, 48% estão dispostos a partilhar os seus dados bancários com outras organizações por contrapartida de melhores ofertas. Com as soluções das FinTech a dependerem da fácil portabilidade de dados, os fornecedores veem essa recetividade como positiva.

46% dos aderentes indicaram que partilhariam dados de bom grado se isso implicasse aceder a melhores ofertas do seu fornecedor de serviços. 38% dos aderentes disseram que estavam dispostos a partilhar dados com outras instituições financeiras tradicionais, 31% com FinTech e apenas 23% com empresas de serviços não financeiros. Os sentimentos diferem um pouco de mercado para mercado. Os consumidores chineses, por exemplo, estão mais dispostos a partilhar dados com as FinTech do que com outras instituições financeiras.

Imagem de pessoas sentadas numa mesa com tampo baço
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Capítulo 2

As PME estão a acordar para o potencial das FinTech

As tendências indicam o crescente impacto dos serviços das FinTech no mercado das PME.

O historial de crescimento dos serviços de FinTech estende-se para além do setor do consumo. Para melhor compreender a perspetiva de negócio por detrás da adoção das FinTech, as equipas da EY realizaram um estudo junto dos principais decisores de 1.000 PME em cinco países – China, EUA, Reino Unido, África do Sul e México. 

PME começam a adotar as FinTech

A pesquisa constatou que as PME se tornaram, em termos globais, utilizadoras significativas dos serviços das FinTech, tendo um em cada quatro inquiridos afirmado que utilizam serviços prestados pelas FinTech em cada uma das seguintes categorias: serviços bancários e de pagamento, gestão financeira, financiamento e seguros (Figura 2).

Isso indica que as PME estão a usar os produtos e os serviços das FinTech como parte essencial da sua gestão financeira. E, à semelhança do que acontece no mercado de consumido, essa tendência foi particularmente acentuada na China, onde 61% dos inquiridos indicaram que era esse o caso. 

Os seis principais fatores que impulsionaram a adoção da FinTech entre as PME foram:

  1. Gama de funcionalidades e recursos
  2. Disponibilidade de serviços 24/7
  3. Facilidade de instalação e configuração
  4. Taxas e comissões
  5. Compatibilidade com operações e infraestrutura diárias
  6. Confie na equipa de fornecedores e na sua reputação

O serviço mais popular das FinTech a foi na categoria de serviços bancários e de pagamento, com 56% dos inquiridos a confirmar a sua utilização. Novamente, a China notabilizou-se, com 92% das PME chinesas a indicarem que usaram os serviços bancários e de pagamento das FinTech.

Infográfico Adoção de PME FinTech em 5 mercados

PME Preferências e prioridades de FinTech

Outra grande tendência foi o aumento do número de PME que aderiram aos ecossistemas das FinTech. Esses ecossistemas integram uma oferta de produtos e serviços diversificada, disponibilizada por instituições financeiras estabelecidas (incumbentes), instituições financeiras recém-estabelecidas (challengers) e instituições não financeiras. E, como seria de esperar, as instituições que adotaram soluções do ecossistema das FinTech foram as que abordaram os problemas com soluções de base tecnológica – 93% dos aderentes preferem, quando possível, encontrar soluções de base tecnológica, inclusivamente para endereçar novos enquadramentos regulatórios. 

As PME que adotaram as FinTech apresentam maior probabilidade de serem cautelosas na adoção de novos serviços. Por exemplo, 98% das PME aderentes indicaram que reveem regularmente a sua tecnologia para garantir que estão a usar as opções mais apropriadas. E ao mudarem de prestadores de serviços, é mais provável procurarem aconselhamento junto de várias fontes, tais como consultores de negócio, funcionários governamentais ou contactos profissionais e do setor de atividade.

Comparadas com os consumidores, as PME estavam mais recetivas a partilhar os seus dados com empresas FinTech, do que com outros fornecedores terceiros de serviços. 89% das PME aderentes afirmaram que estavam dispostas a partilhar os seus dados com empresas FinTech, face a 70% que partilhariam com outras empresas de serviços financeiros e 63% que partilhariam com empresas de serviços não financeiros.

O futuro das FinTech

Estas conclusões revelam que vários fatores estão a impulsionar o espaço das FinTech – designadamente o aumento da familiaridade dos consumidores e das PME com os produtos e serviços das FinTech, as taxas atrativas e a crescente facilidade na portabilidade para a constituição de uma nova conta.

Mas com a adoção a verificar-se cada vez mais no mundo dos negócios, existe uma oportunidade crescente para as empresas FinTech, incumbentes e organizações não financeiras de aproveitarem a onda de disrupção das FinTech. Com sinais de crescente confiança no conceito de FinTech por parte de consumidores e empresas, o crescimento do setor não mostra sinais de abrandar.

Para mais informações sobre a crescente adoção e influência das FinTech, analise a fundo os estudos na base do relatório e a metodologia do mesmo.

Os seguintes membros da EY contribuíram para o Índice de Adoção de FinTech de 2019: Matt Hatch, America FinTech Leader (São Francisco); Tom Bull, UK FinTech Leader e FinTech Adoption Index Leader (Londres); Sharon Chen, Autora Principal do Índice de Adoção de FinTech (Londres); Doina Chiselita, Co-autora do Índice de Adoção de FinTech (Londres).

Resumo

Desde a publicação do primeiro Índice de Adoção de FinTech, em 2015, a adoção passou de 16% para 33% (2017), e para 64% (2019). O Índice deste ano constatou que os concorrentes das FinTech estão a amadurecer e a expandir o seu alcance global, os incumbentes estão a responder com ofertas próprias e credíveis, e os ecossistemas estão a crescer para conectarem os múltiplos agentes deste setor. 

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