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Como gerenciar uma força de trabalho baseada em agentes de IA?

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Framework de Federação de Agentes da EY organiza a expansão massiva de agentes autônomos e garante aderência às regras das organizações

Por Andrei Graça, sócio-líder de Inteligência Artificial e Dados da EY Brasil


Em resumo

  • A Federação de Agentes permite escalar o uso de IA com governança, controle e rastreabilidade.
  • O modelo organiza agentes por meio de um inventário estruturado com responsabilidades, acessos e objetivos definidos.
  • O diferencial competitivo está na coordenação eficiente dos agentes, não na quantidade.
  • A governança de IA torna-se essencial para atender exigências de risco, compliance e regulação.

A expansão acelerada de agentes de IA nas organizações chegou a um ponto de inflexão. Não estamos mais falando de pilotos ou experimentos isolados. Algumas empresas já operam milhares de sistemas autônomos simultaneamente. E, a maioria delas não sabe exatamente quantos agentes estão trabalhando, o que cada um faz ou quem responde por suas decisões.

Esse é um desafio real: como gerenciar esse novo “time”, garantindo que esses agentes atuem de acordo com regras, diretrizes e princípios éticos da empresa?

Com milhares de agentes em operação, torna-se inviável exercer controle individual sobre cada um deles. As interações se multiplicam, as dependências se aprofundam e o risco de comportamentos inconsistentes aumenta proporcionalmente. Nesse cenário, governança deixa de ser uma camada adicional e passa a ser parte central do design operacional.

O diferencial competitivo, portanto, não está na quantidade de agentes implementados, mas na capacidade de coordenar sua atuação com clareza, eficiência e confiança. Sem mecanismos adequados de monitoramento e rastreabilidade, os riscos operacionais, financeiros e reputacionais não são apenas prováveis, são inevitáveis. Além disso, a governança ajuda a identificar se um agente ou um grupo de agentes estão trazendo valor para a organização.

Diante desse cenário, a EY desenvolveu um framework para orquestrar ecossistemas de agentes autônomos: a Federação de Agentes. A proposta é apoiar as empresas na organização, supervisão e escalabilidade desses sistemas, garantindo controle sem comprometer a inovação.

O objetivo é estruturar a gestão dessa força de trabalho digital, evitando que diferentes áreas desenvolvam agentes de forma isolada, sem integração ou supervisão adequada. A Federação estabelece uma base técnica e normativa capaz de mitigar a proliferação desordenada de soluções desconectadas, um problema que já vejo acontecer em empresas de todos os setores.

Como funciona a Federação de Agentes

O primeiro passo é realizar um inventário completo dos agentes existentes, estruturado em cinco definições fundamentais:

  • Quem é o responsável pelo agente: definição clara do profissional que responde pelas decisões e ações do sistema.
  • Qual é o domínio de atuação: delimitação dos dados e sistemas que o agente pode acessar.
  • Quais são as restrições de acesso: controle dos ambientes e bases de dados disponíveis para cada agente.
  • Qual é a finalidade do agente: avaliação do valor gerado para o negócio e identificação de possíveis redundâncias.
  • Qual é o retorno sobre o investimento: análise do custo de desenvolvimento, implementação e operação versus os benefícios gerados.

Esse inventário permite mapear o ecossistema existente, definir fronteiras de atuação e estabelecer a relação entre agentes e sistemas corporativos. A partir dessa base, a organização pode padronizar tecnologias, fornecedores e processos de desenvolvimento, simplificando a governança e criando condições para escalar com segurança.

O passo seguinte é estruturar responsabilidades, estabelecer uma matriz clara de papéis, implementar processos internos que reduzam riscos operacionais e ativar guardrails e mecanismos de monitoramento contínuo. O framework também prevê mecanismos de monitoramento contínuo, permitindo identificar comportamentos inconsistentes e acionar rapidamente os responsáveis. Além disso, a Federação de Agentes contempla a orquestração entre agentes, possibilitando a distribuição eficiente de tarefas entre diferentes sistemas, sem geração de gargalos operacionais.

Escala com governança

A adoção desse modelo permite expandir o uso de agentes de IA. E, essa expansão é viável porque há definição clara de permissões, responsabilidades e padrões.

Do ponto de vista do negócio, o uso estruturado de agentes de IA aumenta a confiança, melhora a eficiência operacional e eleva a qualidade das entregas. Trata-se de um movimento transformador, mas que exige uma base sólida de governança para se sustentar.

O ponto que mais enfatizo nas conversas com líderes é que a governança retroativa em sistemas autônomos é auditoria de dano, não gestão de risco. Quem estrutura antes, escala com confiança. Quem estrutura depois, corre para apagar incêndio.

Governança e regulação ganham protagonismo

A discussão sobre governança ganha urgência adicional à medida que agentes de IA assumem funções em áreas auditáveis, com contas a pagar, contas a receber, compras, operações financeiras. Não são mais sistemas periféricos. Estão no núcleo do negócio.

Esse movimento ocorre em paralelo ao avanço da regulação. No Brasil, o Projeto de Lei 2.338/2023 propõe um marco regulatório para inteligência artificial baseado em risco, governança e responsabilização. Na União Europeia, o EU AI Act já está em implementação gradual, exigindo que empresas demonstrem capacidade de monitorar, explicar e auditar decisões tomadas por sistemas autônomos..

Nesse contexto, não se trata apenas de adotar a tecnologia, mas de implementá-la de forma que a empresa consiga responder, com evidências, por cada decisão que um agente tomar.

Conclusão

À medida que agentes de IA se tornam parte integrante das decisões e processos críticos, governança deixa de ser diferencial e passa a ser condição de sobrevivência e competitividade. Empresas que conseguirem combinar escala com controle e autonomia com supervisão estarão mais preparadas para capturar o valor dessa transformação — de forma sustentável e alinhada às exigências do mercado e da sociedade.

O seguro não pode morrer de velho aqui:  quem estruturar a governança no design sai na frente. E quem deixar para depois vai pagar um preço muito mais alto.

Resumo

A Federação de Agentes representa uma evolução natural na forma como as empresas incorporam inteligência artificial em escala. O modelo permite transformar iniciativas isoladas em um ecossistema coordenado, eficiente e governável. Mais do que organizar a tecnologia, trata-se de criar uma base sólida de confiança para sustentar a expansão da IA nas operações.

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