O que aconteceu
Em 3 de junho de 2026, a Comissão Europeia anunciou uma série de propostas legislativas e planos estratégicos como parte de um“Pacote de SoberaniaTecnológica”², incluindo a Lei de Desenvolvimento da Nuvem e da IA e a Lei dos Chips 2, com o objetivo de fortalecer as capacidades digitais nacionais e reduzir a dependência de fornecedores de fora da UE nas áreas de nuvem, semicondutores e infraestrutura digital. Por exemplo, o objetivo é triplicar a capacidade dos centros de dados da UE nos próximos cinco a sete anos³.
A iniciativa surge num contexto de crescente preocupação política nos Estados-Membros da UE — incluindo, sobretudo, a França — quanto à falta de soberania tecnológica da Europa, uma vez que mais de 80% e de produtos, serviços e infraestruturas digitais essenciais são adquiridos no exterior⁴.
Essas preocupações com as dependências externas foram ainda mais intensificadas pelo aumento das tensões comerciais e geopolíticas tanto com os EUA quanto com a China, incluindo o risco de possíveis restrições comerciais por parte dos EUA em resposta a regulamentações da UE percebidas como direcionadas às empresas de tecnologia americanas.
O que vem a seguir?
Embora a proposta de Lei de Desenvolvimento da Nuvem e da IA introduza uma definição de prestadores de serviços de “nuvem soberana” — enfatizando o controle sobre os dados confidenciais dos europeus —, ainda não está claro como isso se refletirá no texto final acordado pelos Estados-Membros da UE e com que rigor será aplicado na concessão de incentivos públicos e em processos de compras públicas.
Espera-se também que a França e a Alemanha anunciem sua própria definição de “tecnologia soberana” no evento internacional de tecnologia Viva Tech, em Paris, de 17 a 20 de junho de 2026, a qual deverá basear-se em fatores mensuráveis, tais como a sede da empresa, a localização dos dados e das atividades de P&&, bem como a presença da força de trabalho na Europa.
Ao mesmo tempo, as preocupações em alguns Estados-Membros quanto a possíveis retaliações dos EUA poderiam levar a esforços para enfraquecer ou adiar a implementação dos selos de tecnologia soberana propostos.
No entanto, espera-se que a UE e os governos nacionais europeus continuem a utilizar subsídios e incentivos regulatórios para apoiar investimentos emnuvem5 doméstica, centros de dados, segurança cibernética e soluções de IA, bem como em tecnologias críticas, como semicondutores e computação quântica. É provável que os formuladores de políticas europeus também busquem reduzir a dependência dos EUA e da China por meio de estratégias de diversificação, incluindo mais parcerias em infraestrutura digital e investimentos nos mercados das “potências médias”.
Impacto nos negócios
Os provedores de infraestrutura digital e em nuvem sediados na UE (por exemplo, centros de dados) poderão se beneficiar de um aumento no financiamento público, bem como de mais oportunidades de licitações, à medida que as administrações públicas passam a adotar soluções em nuvem nacionais. Elas também enfrentarão uma demanda crescente por soluções de nuvem “soberanas” na UE; uma pesquisa da EY realizada em maio revelou que 63% e das empresas de tecnologia que desenvolvem IA na região declaram ter requisitos de IA soberana. Ao mesmo tempo, os provedores de serviços digitais precisarão adaptar suas operações para atender a padrões mais rigorosos de eficiência energética e sustentabilidade para a infraestrutura de dados, bem como à crescente oposição local à construção de centros de dados devido ao seu impacto na qualidade de vida e na acessibilidade da energia elétrica.
É improvável que os fornecedores de tecnologia estrangeiros sejam excluídos das licitações públicas e do financiamento da UE, mas precisarão se adequar aos requisitos em constante evolução da UE em matéria de nuvem e soberania de dados e talvez precisem considerar parcerias com atores locais para fortalecer o acesso ao apoio público. Os executivos também devem acompanhar as prioridades de investimento da UE e aproveitar as oportunidades de investir em infraestrutura digital em mercados de terceiros, com o apoio de recursos financeiros da UE e dos governos europeus.
Para obter mais informações, entre em contato com Famke Krumbmuller e Andrew Young.