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Como reduzir falhas na transição geracional em empresas familiares

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Conselheiros independentes podem ajudar empresas familiares a prosperar durante transições geracionais.


Em resumo

  • Transições geracionais em empresas familiares são críticas, complexas e cheias de nuances.
  • Seis causas principais de falha incluem proprietários inativos, governança fraca e limites pouco claros.
  • Conselheiros independentes podem mitigar riscos por meio de uma liderança sólida, governança clara e preparação cuidadosa.

As transições geracionais em empresas familiares são pontos de virada que podem moldar o futuro do negócio. Frequentemente se estendem por 10 a 15 anos e, agora, ocorrem em meio a mudanças significativas de mercado, impulsionadas por forças macroeconômicas e pela convergência de tecnologias exponenciais.

O bom desempenho atual não garante sucesso futuro, já que muitas empresas familiares apresentam vulnerabilidades ligadas ao que consideramos serem as seis principais causas de falhas em transições geracionais.

Com poucas grandes empresas familiares sobrevivendo além de cinco gerações, conselheiros independentes desempenham um papel vital ao navegar adequadamente por essas complexidades. “Para membros independentes que atuam nos conselhos dessas grandes empresas familiares, os riscos são elevados. Seu papel não é meramente consultivo; é essencial para conduzir empresas familiares pelas complexidades da mudança geracional”, afirma Brock Griffiths, sócio-líder de EY Americas Family Enterprise.

Grandes empresas familiares frequentemente se veem em um ponto crítico durante transições geracionais, enfrentando uma série de desafios que podem afetar profundamente sua trajetória de longo prazo. As seis principais causas de falha servem como uma estrutura para entender armadilhas comuns, oferecendo insights úteis sobre dinâmicas que podem descarrilar até mesmo empreendimentos bem estabelecidos.
 

A seguir, uma análise mais detalhada desses fatores:
 

1) Proprietários e beneficiários inativos

Com o aumento da base familiar, o percentual de proprietários ativos tende a cair. Essa mudança pode levar a um distanciamento, já que alguns proprietários inativos podem ver o risco de forma diferente ou priorizar liquidez imediata em detrimento do reinvestimento de longo prazo. Essa tensão pode criar atrito com proprietários ativos focados em crescimento e sustentabilidade, complicando a tomada de decisões e o alinhamento estratégico.

2) Demandas financeiras descoordenadas sobre os lucros do negócio

Equilibrar necessidades de capital da empresa com liquidez para familiares é delicado. Expectativas financeiras desalinhadas podem limitar investimentos e iniciativas de crescimento, deixando a empresa menos preparada para o futuro — e, no outro extremo, frustrar familiares que buscam retornos imediatos, alimentando conflitos.

3) Limites pouco claros entre família e conselho

O modelo dos três círculos do sistema de empresas familiares (família, propriedade e gestão)¹ é menos eficaz à medida que estruturas de propriedade e governança se tornam mais complexas devido ao uso crescente de trusts geracionais e trusts dinásticos. Conforme as estruturas se tornam mais intrincadas, papéis e responsabilidades podem se misturar, levando à confusão e ao conflito. Sem limites claros, a tomada de decisão pode se tornar inconsistente, prejudicando a eficácia da governança.

4) Falta de desenvolvimento do capital não financeiro

Transições geracionais bem-sucedidas dependem de uma compreensão abrangente de capital que vai além dos ativos financeiros. Capital humano, intelectual e social — coletivamente chamados de capital não financeiro — são componentes fundamentais do sucesso de longo prazo. Negligenciar essas dimensões pode enfraquecer as capacidades de stewardship da família e diminuir a resiliência do negócio.

5) Governança e supervisão empresarial inadequadas

Estruturas fracas de governança podem corroer o desempenho do negócio e diminuir o valor patrimonial, especialmente durante transições. As pessoas responsáveis por nomear membros do conselho, como trustees e acionistas com direito a voto, devem compreender a visão futura para o negócio e as habilidades e experiências necessárias para fornecer supervisão eficaz.

6) As questões que são o “elefante na sala”

Muitas vezes, os riscos mais significativos são os mais difíceis de abordar. Seja decorrente de disputas no nível dos proprietários, desafios no nível do negócio ou fatores mais amplos da indústria e macroeconômicos, não lidar com essas questões pode criar um ambiente operacional tóxico.

O papel dos conselheiros independentes

À medida que empresas familiares atravessam transições geracionais, responsáveis por governança e supervisão devem ter em mente as seis causas de falha para reduzir riscos. Por isso, o papel dos conselheiros independentes torna-se ainda mais crítico.
Embora questões como proprietários inativos, desalinhamento financeiro e limites pouco claros nem sempre sejam responsabilidade direta do conselho, podem impactar significamente a saúde do negócio. O que, então, conselheiros independentes podem fazer para apoiar efetivamente as empresas familiares nesses momentos decisivos?

A seguir estão quatro ações que conselheiros independentes podem tomar para influenciar materialmente o sucesso da transição.

  1. Incentivar estruturas de governança distintas
    Conselheiros independentes devem defender estruturas de governança separadas para a família e para o negócio. Esse tipo de estrutura apoia uma comunicação clara e direcionamento entre os dois sistemas de governança. A governança familiar frequentemente se concentra no desenvolvimento de uma base acionária capaz e coesa, enquanto a governança empresarial supervisiona estratégia, crescimento, alocação de capital e desempenho operacional do negócio. Ao delimitar esses papéis, conselheiros independentes podem ajudar a garantir que interesses familiares e empresariais estejam alinhados e apoiem um ambiente mais colaborativo.
  2. Apoiar o desenvolvimento de acionistas da próxima geração
    A governança familiar eficaz é essencial para preparar a próxima geração para o stewardship, independentemente de trabalharem ou não no negócio. Ela esclarece papéis e responsabilidades, ajudando membros da família a compreender suas contribuições para o empreendimento. O objetivo de um forte sistema de governança familiar é cultivar “capital paciente”, ou seja, uma crença compartilhada entre membros da família no valor de participar de um negócio de longo prazo e multigeracional.
  3. Garantir governança empresarial competente
    Enquanto a governança familiar estabelece as bases para uma estrutura de propriedade coesa, conselheiros independentes devem garantir que sistemas de governança empresarial funcionem efetivamente. Isso inclui estabelecer procedimentos para facilitar que indivíduos qualificados liderem a empresa e possam direcioná-la para crescimento e criação de valor de longo prazo. Transparência nos relatórios e uso de análise de dados são essenciais para entender oportunidades e riscos de crescimento.
  4. Criar confiança operacional
    Um sistema de governança empresarial bem estruturado gera confiança operacional, dando aos membros da família a segurança de que a empresa está sendo gerida de forma eficaz. Essa confiança, combinada com capital paciente, cria uma base sólida que posiciona empresas maiores e multigeracionais para o sucesso de longo prazo.

Conselheiros independentes desempenham um papel crítico ao orientar empresas familiares durante transições geracionais. Ao promover comunicação aberta, estabelecer estruturas claras de governança e abordar questões subjacentes, conselheiros independentes podem ajudar grandes empresas familiares não apenas a navegar transições geracionais, mas também a fortalecer sua resiliência de longo prazo.
Compreender e abordar as seis principais causas de falha não é apenas uma responsabilidade do conselho, mas também um componente fundamental para promover a longevidade e o sucesso de empresas familiares para as gerações futuras.

A complexidade das transições geracionais tende a aumentar com o tempo. Nunca é cedo demais para começar uma preparação avançada.

Este artigo foi originalmente publicado como um destaque da National Association of Corporate Directors (NACD) Directorship feature.


Resumo

Conselheiros independentes desempenham um papel vital ao orientar empresas familiares durante transições geracionais, abordando estrategicamente desafios de governança, comunicação e alinhamento estratégico.

Sobre este artigo