Ponte moderna vista de baixo

Infraestrutura inteligente e resiliência regional: pilares de governança para a América Latina

O mundo atual, imerso em uma realidade NAVI, caracterizada por mudanças Não lineares, Aceleradas, Voláteis e Interconectadas, exige que governos e organizações repensem suas estratégias para navegar em meio à incerteza.


Em resumo

  • As megatendências globais e a relocalização industrial exigem a modernização da infraestrutura física.
  • Diante de restrições fiscais e orçamentárias, marcos regulatórios estáveis e transparentes, apoiados em parcerias público-privadas eficientes, são cruciais.
  • A transformação da infraestrutura migratória desponta como um componente essencial para a coesão social e o desenvolvimento regional.

Eficiência e adaptabilidade: a governança como facilitadora do investimento

Os governos e o setor público da América Latina enfrentam hoje um desafio sem precedentes: transformar seus modelos operacionais e sua força de trabalho para criar as condições necessárias para que sociedades e indústrias prosperem em uma economia cada vez mais digitalizada e impulsionada pela inteligência artificial (IA).

Uma estratégia fundamental para os líderes será adotar modelos de colaboração com o setor privado por meio de parcerias público-privadas, capazes de incorporar competências técnicas, ferramentas digitais e conhecimento especializado sem depender exclusivamente da expansão das estruturas governamentais. Da mesma forma, a capacidade dos governos de atrair pessoas capacitadas e promover competências digitais por meio de capacitação e modernização administrativa será determinante para evitar o acúmulo de uma dívida de talentos que possa comprometer a qualidade dos serviços públicos.

Os governos devem promover programas de capacitação contínua, carreiras baseadas em competências e modelos de mobilidade entre os setores público, privado e acadêmico. A combinação de talentos do setor público com capacidades operacionais do setor privado permitirá construir instituições mais resilientes, eficientes e preparadas para enfrentar os desafios futuros.

No âmbito da infraestrutura, não basta identificar as necessidades de investimento. O sucesso de qualquer projeto depende da qualidade de seu modelo de governança e o investimento privado exige previsibilidade. Quando os marcos regulatórios são ambíguos ou os contratos podem ser alterados a cada ciclo político, o custo de capital aumenta e muitos projetos simplesmente deixam de ser viáveis. Uma governança sólida no setor de infraestrutura deve considerar aspectos essenciais como transparência, colaboração e segurança jurídica:

Infraestrutura de próxima geração: da gestão de ativos físicos à criação de ecossistemas interconectados

A infraestrutura do futuro é construída por meio de ecossistemas digitais, nos quais os gêmeos digitais permitem uma visibilidade contínua sobre desempenho, demanda e riscos, conectando sistemas que tradicionalmente operavam de forma isolada. Iniciativas governamentais que priorizam essa integração, como modelos de cidades inteligentes em escala, refletem uma compreensão clara de que a infraestrutura é uma rede interconectada, na qual a tomada de decisões deve ser preditiva e orientada por dados.

Quando as redes de comunicação, os centros logísticos e os sistemas de abastecimento operam no limite de sua capacidade ou com padrões obsoletos, os custos operacionais aumentam de forma desproporcional, reduzindo a competitividade internacional. Para superar essa defasagem, é fundamental avançar para um modelo de infraestrutura que incorpore algumas dimensões essenciais, sem recorrer a simplificações:

  • A infraestrutura deve ser profundamente resiliente. Eventos climáticos extremos e a escassez de recursos naturais exigem que cada projeto seja concebido para resistir a contingências ambientais e reduzir significativamente sua pegada de carbono ao longo de todo o ciclo de vida.

  • É necessária uma abordagem integrada e descentralizada. Essa abordagem deve buscar conectar de forma eficiente não apenas aos grandes corredores industriais, mas também às regiões que historicamente permaneceram à margem do desenvolvimento econômico.

  • A digitalização deixa de ser um diferencial para se tornar o núcleo da modernização. A integração de tecnologias como sensores de Internet das Coisas, plataformas de monitoramento preditivo e gêmeos digitais permite antecipar falhas estruturais, otimizar a manutenção preventiva e ampliar a vida útil dos ativos públicos e privados, assegurando um retorno sobre o investimento mais eficiente e a continuidade dos serviços para a sociedade.
Fechar a lacuna de infraestrutura na América Latina exige mais do que capital: requer regras claras, segurança jurídica e uma colaboração público-privada capaz de transformar investimento em desenvolvimento.

No contexto específico da infraestrutura migratória, a mobilidade humana deve ser concebida como uma infraestrutura econômica permanente, comparável às redes de energia ou de transporte. A convergência das pressões demográficas, em que o envelhecimento da população nas economias avançadas contrasta com o crescimento da população em idade ativa em outras regiões, torna a atração, a integração e a retenção de talentos globais uma vantagem competitiva essencial.

Os governos devem desenvolver sistemas robustos que incluam o processamento de vistos, o reconhecimento de credenciais e mecanismos de integração social, garantindo que a pressão migratória possa ser convertida em uma vantagem econômica. O sucesso dessa infraestrutura depende da coordenação entre o setor privado, o governo e a sociedade civil, uma vez que a capacidade de absorção dos países é limitada por fatores como a disponibilidade de moradia e a eficiência dos serviços públicos.

A adoção de uma abordagem que considere a migração como infraestrutura permite aos governos atuar de forma proativa, em vez de reativa, planejando os fluxos migratórios para atender tanto às necessidades da economia quanto à capacidade das comunidades locais.
 

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A combinação entre infraestrutura e governança para o futuro da América Latina

 

Diante da dimensão das necessidades de infraestrutura na América Latina, fica evidente que os governos não podem assumir sozinhos todas as demandas de financiamento, construção e operação. A participação do setor privado não deve ser interpretada apenas como uma fonte de capital, mas também como uma forma de incorporar eficiência, inovação e capacidades de gestão.

 

O desenvolvimento da infraestrutura e uma governança sólida não são objetivos isolados, mas uma resposta direta às megatendências globais que estão redefinindo o ambiente empresarial e econômico da região. É prioritário aproveitar as oportunidades decorrentes da relocalização das cadeias de valor, adotar modelos produtivos descarbonizados e acelerar a transformação digital.

 

A experiência internacional demonstra que os modelos mais bem-sucedidos são aqueles em que cada risco é assumido pela parte mais capacitada para gerenciá-lo. Por exemplo, os riscos de construção, desempenho operacional e eficiência tecnológica tendem a ser gerenciados de forma mais eficaz por agentes privados, enquanto determinados riscos regulatórios e políticos permanecem sob a responsabilidade do governo.

A infraestrutura de próxima geração não deve apenas resistir ao futuro; deve ser capaz de antecipá-lo por meio de dados, conectividade e decisões preditivas

Para se manterem na vanguarda, líderes e tomadores de decisão devem assumir um papel ativo que permita:

  • Adotar um planejamento com visão de longo prazo, integrando a resiliência climática e a descentralização como eixos orientadores de qualquer investimento em ativos físicos.

  • Exigir e promover modelos de governança transparentes e estáveis, protegendo os projetos da incerteza regulatória por meio de parcerias público-privadas eficientes e de um rigoroso compromisso com a segurança jurídica.

  • Integrar tecnologias avançadas e critérios ambientais, sociais e de governança (ASG) em todas as etapas da execução, garantindo que o crescimento corporativo e industrial se traduza em benefícios reais e duradouros para a sociedade.

O futuro econômico da região pertence àqueles que compreenderem que infraestrutura e governança são motores da competitividade. O momento de agir com ousadia e visão estratégica é agora. A EY se posiciona como parceira estratégica para navegar por essa transformação, convertendo a complexidade em uma vantagem competitiva sustentável.

Resumo

A infraestrutura inteligente e a resiliência regional serão determinantes para o futuro do setor na América Latina. As parcerias público-privadas terão papel fundamental, com cada parte assumindo os riscos que estiver mais preparada para gerenciar. Entre os principais pontos de atenção estão a adaptação tecnológica, que exige a reestruturação dos modelos de atuação do Estado para acompanhar as inovações digitais; as parcerias e a capacitação, com o fortalecimento da colaboração entre governos, empresas e academia, aliado ao desenvolvimento das competências dos servidores; e a estabilidade e a transparência regulatória, essenciais para garantir segurança jurídica, promover a concorrência justa e viabilizar investimentos de longo prazo.

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