Homem em um laboratório

Data Centers: a corrida por capacidade computacional e a oportunidade para o Brasil  

O mercado de data centers está migrando de uma lógica de infraestrutura de suporte para infraestrutura estratégica. Para o Brasil, a combinação diversos fatores cria uma oportunidade para fortalecer sua posição como um dos principais hubs digitais.

Por Fabricio Araujo, Gerente sênior da EY-Parthenon


Em resumo

  • A inteligência artificial está transformando capacidade computacional em um ativo estratégico para empresas e países.
  • O mercado entra em um novo ciclo de investimentos, impulsionado por demanda crescente e restrições de oferta.
  • O Brasil reúne atributos que podem posicioná-lo como um dos principais polos de infraestrutura digital da América Latina.

Durante anos, data centers foram vistos como infraestrutura de suporte para armazenamento, conectividade e processamento de dados. Hoje, essa visão já não é suficiente.

A rápida expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem e das aplicações intensivas em processamento está transformando capacidade computacional em um recurso estratégico. Em muitos aspectos, a discussão sobre data centers passa a se assemelhar às discussões históricas sobre energia, logística ou telecomunicações: quem possuir capacidade disponível e acesso aos recursos necessários para expandi-la poderá capturar uma parcela relevante do crescimento da economia digital.

Essa mudança está mobilizando volumes significativos de capital. Estimativas de mercado apontam para investimentos globais de trilhões de dólares em infraestrutura digital ao longo dos próximos anos, enquanto operadores, hyperscalers e investidores aceleram planos de expansão para atender à crescente demanda por processamento de dados e cargas de inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com a capacidade de oferta. Em diversos mercados, a expansão da demanda começa a ocorrer em ritmo superior ao da construção de nova infraestrutura, elevando a importância de fatores como energia, localização, conectividade e velocidade de implantação.

Nesse contexto, a principal pergunta deixa de ser se haverá crescimento. A questão passa a ser quem conseguirá construir capacidade mais rapidamente e capturar valor nesse novo ciclo.

O tamanho da oportunidade 

A dimensão da oportunidade já pode ser observada em diferentes mercados.

A ocupação de data centers segue elevada globalmente e os principais operadores continuam anunciando novos investimentos para expansão de capacidade. O movimento também tem atraído fundos de infraestrutura, private equity, investidores institucionais e novos entrantes interessados em exposição a uma das teses mais relevantes da economia digital.

No Brasil, o mercado também ganha escala.

O país já concentra cerca de 200 data centers e aproximadamente metade da capacidade instalada da América Latina. A demanda nacional por potência associada ao setor já supera 800 MW, refletindo o avanço da digitalização da economia e a crescente adoção de inteligência artificial.

Além disso, anúncios recentes apontam para dezenas de bilhões de reais em investimentos previstos para novos projetos de infraestrutura digital nos próximos anos.

Mais relevante do que o volume de investimento é a mudança no perfil dos investidores. Além dos operadores tradicionais, observa-se uma participação crescente de hyperscalers, fundos de infraestrutura, desenvolvedores especializados, investidores financeiros e empresas buscando garantir acesso de longo prazo à capacidade computacional.

Por que o Brasil está bem posicionado?

A atratividade do Brasil vai além do tamanho do mercado atual.

O país reúne uma combinação de fatores que se torna cada vez mais relevante em um ambiente onde energia e capacidade de expansão passam a ser recursos escassos.

Entre os principais diferenciais estão a disponibilidade territorial, a matriz energética predominantemente renovável, o acesso a recursos hídricos, a crescente conectividade internacional por meio de cabos submarinos e a possibilidade de expansão em larga escala.

Além disso, observa-se uma tendência global de diversificação geográfica da infraestrutura digital. À medida que a capacidade computacional se concentra em poucos mercados, cresce o interesse por regiões capazes de oferecer escala, estabilidade e competitividade para novos investimentos.

Essa combinação cria uma oportunidade relevante para que o Brasil fortaleça sua posição como principal hub digital da América Latina.

Onde estará a criação de valor?

Embora a construção de novos data centers seja parte importante da equação, a criação de valor não se limita à propriedade dos ativos.

Ao longo da cadeia surgem oportunidades em energia, conectividade, operação de infraestrutura, serviços gerenciados, desenvolvimento de ecossistemas digitais, financiamento de projetos e infraestrutura especializada para aplicações de inteligência artificial.

Por essa razão, a discussão estratégica deixa de ser apenas sobre construir ou adquirir ativos. A questão central passa a ser qual posição ocupar em uma cadeia de valor que está sendo redesenhada.

Os participantes capazes de combinar acesso à energia, capacidade de execução, relacionamento comercial e escala operacional tendem a capturar uma parcela desproporcional do crescimento esperado para o setor.

O desafio da execução

Se a oportunidade é significativa, a execução também se torna mais complexa.

Projetos modernos exigem integração entre infraestrutura física, energia, tecnologia, cadeia de suprimentos, licenciamento, segurança operacional e sustentabilidade. Em paralelo, o aumento da densidade computacional e das exigências dos clientes eleva a complexidade técnica dos empreendimentos.

Nesse ambiente, atrasos na implantação, limitações energéticas ou falhas de planejamento podem comprometer a captura de valor, mesmo em mercados com forte demanda.

Por isso, fatores como velocidade de execução, eficiência energética, gestão de riscos, governança e resiliência operacional passam a ser tão relevantes quanto a disponibilidade de capital.

Conclusão

A discussão sobre data centers deixou de ser apenas uma discussão sobre infraestrutura tecnológica. Cada vez mais, trata-se de uma discussão sobre capacidade computacional, competitividade econômica e posicionamento estratégico na economia digital.

A convergência entre inteligência artificial, energia e conectividade está criando um dos maiores ciclos de investimento em infraestrutura das últimas décadas. Para o Brasil, a oportunidade não está apenas em construir novos ativos, mas em consolidar uma posição relevante em uma cadeia de valor que tende a ganhar importância crescente nos próximos anos.

Em um cenário em que capacidade computacional se torna um recurso estratégico, os maiores vencedores provavelmente não serão aqueles que simplesmente construírem mais ativos, mas aqueles que conseguirem combinar visão estratégica, acesso a recursos críticos e excelência de execução.

Como a EY pode te apoiar:

A EY atua como parceira estratégica end-to-end na jornada de data centers, apoiando desde a definição da estratégia e tese de investimento até a execução e operação. Combinamos análise de mercado, estruturação de transações e planejamento financeiro com excelência na gestão de projetos de construção, cadeia de suprimentos e conformidade regulatória, além de iniciativas de sustentabilidade. Alguns dos nossos diferenciais:

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Resumo

O mercado de data centers está migrando de uma lógica de infraestrutura de suporte para infraestrutura estratégica. A convergência entre inteligência artificial, conectividade e energia está impulsionando um novo ciclo de investimentos em data centers, criando oportunidades relevantes ao longo de toda a cadeia de valor. Para o Brasil, a combinação de escala de mercado, disponibilidade energética, conectividade internacional e potencial de expansão cria uma oportunidade única para fortalecer sua posição como um dos principais hubs digitais da América Latina.

Nesse contexto, os vencedores desse novo ciclo não serão necessariamente aqueles com maior disponibilidade de capital, mas aqueles capazes de combinar visão estratégica, acesso à energia, velocidade de implantação, excelência operacional e posicionamento competitivo ao longo da cadeia de valor da infraestrutura digital.

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