Artigo: IA permite aprendizado incorporado aos fluxos de trabalho diários

27 mar. 2026

Ao fazer isso, os limites entre trabalho e aprendizado se dissolvem, fazendo com que a empresa se torne um sistema vivo de inteligência adaptativa

Os nativos digitais estão entrando em cargos de liderança com uma afinidade natural com ferramentas de IA e aprendizado contínuo. Como descobrimos em nosso estudo Trabalho Reimaginado 2025, 83% dos colaboradores que utilizam IA diariamente estão confiantes de que suas habilidades atuais permanecerão relevantes daqui a três anos, em comparação com apenas 67% daqueles que utilizam IA ocasionalmente. Os colaboradores com 81 ou mais horas de treinamento em IA por ano economizam 14 horas por semana, em comparação com apenas três horas para aqueles com menos de quatro horas de treinamento. É interessante notar que a geração Z tem duas vezes mais chances de receber esse nível de treinamento do que os Baby Boomers.

Essas mudanças sinalizam para onde as organizações estão se dirigindo: para o aprendizado incorporado ao fluxo de trabalho. O próximo ponto de inflexão na transformação da força de trabalho ocorrerá quando o aprendizado for totalmente incorporado aos fluxos de trabalho diários. Nesse ponto, os limites entre trabalho e aprendizado se dissolvem, fazendo com que a empresa se torne um sistema vivo de inteligência adaptativa.

Apesar do progresso, os resultados de talento e aprendizado continuam abaixo do ideal para muitos indivíduos, organizações e economias em geral. Ainda há um potencial significativo não realizado.

Podemos quantificar a lacuna entre as capacidades que uma organização ou economia tem e as que ela precisa para competir de forma eficaz e enquadrá-la como "dívida de talentos". Isso capta o potencial não realizado ou subaproveitado das pessoas e dos sistemas de uma organização ou economia – o custo de oportunidade de não aprender com rapidez suficiente. Assim como a dívida financeira, ela cresce se o aprendizado e o reinvestimento ficarem aquém das mudanças tecnológicas ou de mercado. O talento é, portanto, um ativo depreciável que precisa de atenção constante.

Valendo-se ainda dos dados do Trabalho Reimaginado, podemos identificar os trabalhadores que não têm confiança em sua resiliência de habilidades e que não têm oportunidades de lidar com isso por meio de aprendizado e desenvolvimento. Em todo o mundo, isso representa 13% da força de trabalho – um enorme contingente no tocante a perspectivas de crescimento futuro e um risco para a resiliência organizacional.

Nos Estados Unidos, ainda segundo esse levantamento, 11% dos trabalhadores pesquisados não têm confiança em suas habilidades e dizem que não estão tendo a oportunidade de desenvolver essas habilidades no trabalho. Podemos quantificar o valor financeiro dessa "dívida de talentos" extrapolando essa porcentagem em toda a economia dos EUA e aplicando um valor salarial atual a esse segmento da força de trabalho. 

Isso dá uma cifra de mais de US$ 1 trilhão, o que representa o possível valor do potencial não realizado dos trabalhadores e um significativo obstáculo silencioso à produtividade e à inovação. Esse desafio é ainda mais evidente porque as habilidades agora têm meia-vida de apenas dois a cinco anos. Sem investimento contínuo em aprendizado humano e de máquina, os recursos se depreciam, corroendo a vantagem competitiva e se acumulando ao longo do tempo, como juros não pagos.

*Este artigo faz parte da série EY Megatrends. As megatendências são rupturas macroeconômicas impulsionadas pela intersecção de duas ou mais forças primárias, como tecnologia, demografia, sustentabilidade e geopolítica.

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