Há muitas variações de capitalismo no mundo. Os sistemas capitalistas de alguns países têm mais intervenção governamental e propriedade estatal. Outros oferecem mais proteções e redes de segurança social. Apesar dessas diferenças, existem pontos comuns em todos os sistemas capitalistas. De forma geral, o capitalismo tem se mostrado eficaz na mobilização de investimentos, na promoção da inovação e no aumento da eficiência. A pressão competitiva e os sinais de preço incentivam as empresas a inovar, reduzir custos e alocar recursos para seus usos mais produtivos.
Entretanto, quando o valor é de longo prazo, difuso ou difícil de monetizar, ele pode levar a um subinvestimento em resiliência, sustentabilidade, capital humano e infraestrutura social. Isso não é uma falha do capitalismo, mas um reflexo de como as estruturas de incentivo atuais moldam o comportamento. Há cada vez mais dúvidas sobre se a estrutura de incentivos para o capitalismo é adequada ao propósito.
O capitalismo foi criado para resolver os problemas da sociedade de forma lucrativa, e não para lucrar com os problemas da sociedade. O problema não é que o capitalismo parou de criar valor. O ponto central é que os ganhos têm sido privatizados, enquanto as perdas são socializadas. Esse desequilíbrio está minando a legitimidade do sistema.
Cada vez mais, as pessoas questionam se o sistema produz resultados que se alinham às expectativas nas dimensões econômica, social e ecológica. A confiança nas instituições está enfraquecendo. Cada vez menos pessoas, em média, acreditam que, quando as crianças de hoje crescerem, elas terão uma situação financeira melhor do que a de seus pais.
As gerações mais jovens, em particular, expressam ceticismo de que o sistema atual funcione para elas – um sentimento ressaltado pelos movimentos substanciais de protesto liderados por jovens em várias regiões do mundo em 2025. Em vez de permitir um crescimento amplo, há uma percepção de que o sistema parece cada vez mais suprimi-lo. Essa combinação alimenta a raiva, o populismo e as exigências de correção, muitas vezes de forma contundente ou desestabilizadora.
Capitalismo reequilibrado
É importante ressaltar que essas críticas não são uma rejeição total dos lucros ou dos mercados. O ponto está na maximização do lucro, quando desvinculada dos resultados mais amplos do sistema, que gera cada vez mais problemas de segunda ordem, como desigualdade econômica, degradação ecológica e fragmentação social, prejudicando assim a estabilidade, a prosperidade e a criação de valor a longo prazo.
Um capitalismo reequilibrado não rejeita o lucro ou os mercados, mas redefine o sucesso para que os retornos financeiros reflitam os valores econômico e social reais. E há exemplos claros de onde isso está acontecendo, embora em ritmo menor do que o necessário. Algumas empresas resolvem problemas reais de forma lucrativa, incorporando propósito, resiliência e circularidade no modelo de negócio, ao mesmo tempo em que permanecem competitivas e proporcionam retornos de curto prazo.
*Este artigo faz parte da série EY Megatrends. As megatendências são rupturas macroeconômicas impulsionadas pela intersecção de duas ou mais forças primárias, como tecnologia, demografia, sustentabilidade e geopolítica.