As organizações que se movem na integração entre humanos e máquinas ainda podem ficar para trás se forem lentas para experimentar e implementar a inteligência artificial em escala, enquanto as que hesitam em mudar enfrentam desvantagens ainda maiores. A integração entre humanos e máquinas passa por saber o papel de cada um. Isso passa por compreender o conjunto de capacidades essencialmente humanas formadas por experiência, adaptabilidade e julgamento ético. A IA pode simular respostas emocionais, mas não pode vivenciar dilemas éticos da mesma forma que nós. Os seres humanos continuam sendo essenciais para as decisões que exigem raciocínio moral e compreensão cultural.
A IA já supera os seres humanos em certas atividades, como otimização de preços, coordenação de logística e reconhecimento de padrões em conjuntos imensos de dados. Mas navegar na incerteza, adaptando-se ao momento, integrar valores ao negócio, moldar a cultura organizacional, ser realmente criativo ou imaginativo, além de ter empatia e criar relacionamento, continuam com o ser humano.
Não há dúvida, no entanto, de que a mudança da IA assistente para a verdadeira integração homem-máquina exigirá novas estratégias de liderança. O papel humano passa a ser o de estabelecer limites, fazer perguntas e garantir que o poder analítico da IA se alinhe aos valores humanos e às metas estratégicas das organizações. As equipes são cada vez mais compostas por humanos, agentes de IA e sistemas robóticos.
Os líderes devem coordenar essas equipes híbridas e, ao mesmo tempo, garantir que todas as partes contribuam efetivamente para os objetivos comuns. Além disso, precisam aprender a coordenar a colaboração homem-máquina, projetando ambientes físicos e digitais que apoiem essa integração, bem como criar sistemas de responsabilidade que incluam membros humanos e agentes de IA, o que passa por entender como os sistemas de IA processam informações e tomam decisões.
Nesse contexto, as organizações precisarão cada vez mais manter seus especialistas humanos de alto nível em várias áreas do negócio, pois o valor da experiência e do conhecimento profundo se torna ainda mais importante em ambientes híbridos com agentes de IA. As empresas bem-sucedidas inclusive investirão no desenvolvimento dos seus especialistas humanos. Faz parte disso dar as condições para que eles possam gerenciar com eficácia a colaboração do trabalho com as máquinas, o que passa por interpretar adequadamente os insights de IA voltados para o negócio.
*Este artigo faz parte da série EY Megatrends. As megatendências são rupturas macroeconômicas impulsionadas pela intersecção de duas ou mais forças primárias, como tecnologia, demografia, sustentabilidade e geopolítica.