Instituições financeiras buscam cessão de crédito para ganho de liquidez

01 jun. 2026

Ainda segundo estudo da EY-Parthenon, a venda de ativos problemáticos traz impactos positivos para a performance do balanço, facilitando a conformidade com resoluções recentes do Banco Central

Com 29% das respostas, o ganho de liquidez imediata, ou seja, a transformação de ativos em caixa rapidamente, é o principal motivador para as instituições financeiras (IFs) e demais entidades fazerem a cessão de crédito, de acordo com o estudo “Panorama do Mercado de Ativos Problemáticos 2026”, produzido pela EY-Parthenon. Na sequência, com 19% das respostas, aparece “impacto sobre a performance do balanço”. Com 13% da preferência, três motivos aparecem empatados: aspectos fiscais; enquadramento de risco; e redução de capital. Por fim, a falta de estrutura operacional é citada por 12% dos entrevistados. 

A pesquisa, realizada entre fevereiro e março deste ano, contou com a participação de especialistas atuantes em venda de créditos (cedentes), compra de créditos (cessionários), estruturação de operações (securitizadoras) e gestão de recursos de terceiros. O perfil dos respondentes indica a relevância das instituições financeiras e demais entidades participantes: 50% com carteiras sob gestão de até R$ 5 bilhões; 36% com carteiras entre R$ 5 bilhões e R$ 30 bilhões; e 12% operando com portfólios superiores a R$ 30 bilhões em ativos problemáticos. “Esses ativos apresentam desafios significativos para administração e conversão em caixa, trazendo maior complexidade operacional, risco financeiro elevado e necessidade de estratégias especializadas de gestão ou recuperação”, explica Jamiu Antunes, sócio-líder de Estratégia e Transações para Serviços Financeiros da EY-Parthenon, que palestrou em evento na EY para apresentação do estudo a executivos do mercado. 

Ainda segundo Antunes, esses ativos têm em geral as seguintes características: baixa liquidez, dificultando sua venda ou cessão rápida sem aplicação de deságio; gestão complexa, exigindo conhecimento técnico, jurídico, contábil e operacional para que sejam administrados; e dificuldade de conversão em caixa, o que significa processo lento para gerar retorno financeiro, bem como incerto e dependente de eventos futuros difíceis de prever. “Nesse universo de ativos problemáticos, destacam-se carteiras de crédito não performadas; carteiras de recebíveis; legal claims; precatórios e títulos judiciais; e carteiras de ativos retomados como garantias”, diz o executivo.

Inadimplência e insolvência em alta

Por trás desse cenário está um ambiente macroeconômico marcado por taxas de juros elevadas, incerteza quanto à expansão da oferta de crédito e recorde de inadimplência entre as pessoas físicas, bem como número alto de insolvência entre as jurídicas, o que traz pressão para as instituições financeiras. O número de brasileiros inadimplentes chegou a 81,7 milhões em 2026, aumento de 38,1% em relação a 2016, segundo dados divulgados pela Serasa. O Brasil alcançou recentemente recorde histórico no número de empresas em recuperação judicial. No quarto trimestre do ano passado, 5.680 companhias estavam nessa situação, segundo levantamento da consultoria de execução RGF com base em dados da Receita Federal. O número de empresas em RJ cresceu 24,3% em um ano. 

“O estudo mostra que a alienação de ativos problemáticos vem se tornando estratégica para mitigar os desafios impostos por esse contexto de inadimplência e insolvência altas, com o objetivo de alcançar aumento da liquidez e melhora da performance do balanço”, observa o executivo da EY-Parthenon. “Além das questões macroeconômicas, tivemos duas mudanças regulatórias recentes que impactam as instituições financeiras: a Resolução CMN n° 4966, que redefine os critérios de classificação, reconhecimento e mensuração de provisionamento de créditos, alinhando-os ao modelo de negócios de cada instituição financeira, e a Resolução Conjunta nº 14/2025, na qual o Banco Central aumentou o limite de capital mínimo das instituições reguladas”, complementa Jamiu. 

Ainda segundo o executivo, ao retirar esse crédito inadimplido da sua carteira, a instituição financeira diminui o custo de gestão, incluindo o da tentativa de recuperação do valor em aberto, o que se mostra igualmente relevante para a conformidade com as novas resoluções.

Termos de Uso

O material publicado pela Agência EY pode ser reproduzido de maneira gratuita desde que sejam colocados os créditos para a Agência EY e respeitados os termos de uso. Mais informações pelo e-mail ey@fsb.com.br.