A inteligência artificial está sendo utilizada para tornar a concessão e gestão de crédito mais eficientes ao longo de suas etapas. Essa é a conclusão do estudo “Panorama do Mercado de Ativos Problemáticos 2026”, produzido pela EY-Parthenon. Quatro em cada dez executivos entrevistados usam a IA para aumentar a eficiência dos modelos aplicados no acompanhamento da evolução dos ativos ligados ao crédito. Já 21% dizem que, por meio dessa tecnologia, hiperpersonalizam a operação de crédito – desde a concessão até, caso haja necessidade, a recuperação. Outros 19% afirmam criar produtos a partir do conhecimento de dados compartilhados via Open Finance. Por fim, 16% dizem melhorar o acesso ao crédito, por meio da incorporação de novos dados antes não considerados.
“Há possibilidades de melhoria durante toda a jornada com o uso de tecnologia para automação como IA. Esses recursos podem ser adotados, por exemplo, na negociação com clientes, execução de garantias e formação e treinamento de equipes. Entre os objetivos finais estão redução do tempo e do custo da cobrança do crédito inadimplido e ganho de eficiência no acompanhamento dos casos, já que as atividades burocráticas passam a ser feitas com agilidade”, diz Jamiu Antunes, sócio-líder de Estratégia e Transações para Serviços Financeiros da EY-Parthenon, que palestrou no evento de lançamento do estudo em São Paulo para executivos de mercado. “Aqui na EY, estamos criando uma solução de IA voltada para a negociação com o inadimplente. O objetivo é permitir a cobrança via WhatsApp, por meio de uma interação que preserve o relacionamento, trazendo, com base nesse diálogo personalizado conduzido pelos agentes de IA, todas as condições de pagamento para quitação do débito em aberto”, completa.
Entre as dificuldades apontadas pelos respondentes no estudo da EY estão execução de garantias, com 18% das respostas; negociação com devedores, com 16%; falta de base de dados organizada com relatórios analíticos e preditivos, com 15%; e capacitação da equipe, com 14%. “A IA pode participar de todos esses processos, especialmente da negociação; organização dos dados e geração de insights; e treinamento dos colaboradores. A sofisticação alcançada nos últimos anos pelo mercado de cessão de crédito exige a utilização da tecnologia para que cedentes e cessionários possam aproveitar da melhor forma as oportunidades”, observa Antunes.
Ativos problemáticos
A pesquisa da EY, realizada entre fevereiro e março deste ano, contou com a participação de especialistas atuantes em venda de créditos (cedentes), compra de créditos (cessionários), estruturação de operações (securitizadoras) e gestão de recursos de terceiros. O perfil dos respondentes indica a relevância das instituições financeiras e demais entidades participantes: 50% com carteiras sob gestão de até R$ 5 bilhões; 36% com carteiras entre R$ 5 bilhões e R$ 30 bilhões; e 12% operando com portfólios superiores a R$ 30 bilhões em ativos problemáticos.
Ativos problemáticos são aqueles com baixa liquidez, dificultando sua venda ou cessão rápida sem aplicação de deságio; gestão complexa, exigindo conhecimento técnico, jurídico, contábil e operacional para que sejam administrados; e dificuldade de conversão em caixa, o que significa morosidade para gerar retorno financeiro, que se mostra incerto e dependente de eventos futuros difíceis de prever. “Esses ativos apresentam desafios significativos para administração e conversão em caixa, trazendo maior complexidade operacional, risco financeiro elevado e necessidade de estratégias especializadas de gestão ou recuperação, motivo pelo qual o uso da tecnologia nesse mercado é indispensável”, finaliza Antunes.
Esta reportagem faz parte da série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”.