Artigo: Órbita terrestre desperta enorme interesse do capital privado

19 jun. 2026

O investimento do capital de risco em financiamento de tecnologia espacial aumentou de US$ 700 milhões em 2016 para US$ 6,6 bilhões em 2024

A constituição da União Internacional de Telecomunicações (ITU, na sigla em inglês) define as órbitas da Terra como "recursos naturais limitados". A economia espacial direta baseia-se em grande parte na exploração desses recursos e inclui verticais como serviços de posicionamento, navegação e cronometragem, observação da Terra e sensoriamento remoto, serviços de lançamento, fabricação de satélites e infraestrutura espacial. A projeção é que cresça de US$ 613 bilhões em 2024 para US$ 1 trilhão em 2032. Dois terços do valor da economia espacial vêm do setor privado.

Há um enorme interesse do capital de risco em investir no espaço. Os investidores estão procurando oportunidades de alto risco e alta recompensa em um horizonte de dez anos. O investimento do capital de risco em financiamento de tecnologia espacial aumentou de US$ 700 milhões em 2016 para US$ 6,6 bilhões em 2024. A próxima fase do investimento orbital inclui estações espaciais privadas, com potencial para abrir novos mercados em turismo, pesquisa, indústria e muito mais.

Mas o valor mais amplo da atividade econômica global dependente de ativos orbitais é quase incalculável e atinge todos os setores. Isso compreende o Sistema de Posicionamento Global (GPS, na sigla em inglês), comunicações, transmissão de dados, redes de energia, transações financeiras, infraestrutura e monitoramento de safras, previsão e modelagem do tempo e recuperação de desastres, todos os quais dependem da operação contínua de satélites.

O acesso privado à órbita terrestre aumenta à medida que os obstáculos financeiros e técnicos diminuem. Talvez de forma contraintuitiva, a órbita terrestre (200 km a 36.000 km acima da superfície) é o recurso fronteiriço mais fácil de acessar e está sendo explorado mais rapidamente. As inovações técnicas e operacionais do setor privado reduziram drasticamente o custo de construção e lançamento de um satélite. Com maior eficiência, reutilização de veículos e satélites menores e mais baratos, o custo total de colocar um satélite em órbita caiu 65% em 10 anos.

Como resultado, o número de satélites ativos na órbita da Terra aumentou de cerca de 3.300 em 2020 para cerca de 13 mil em 2024. Os lançamentos comerciais representam 90% das cargas úteis. Desses, a Starlink responde por quase 80%. Esses números devem aumentar ainda mais: espera-se que até 70 mil satélites de órbita terrestre baixa (LEO) sejam lançados em grandes constelações nos próximos cinco anos.

O espaço parecia remoto até passarmos a contar com recursos de lançamento de baixo custo. A órbita terrestre é agora ainda mais valiosa.

*Este artigo faz parte da série EY Megatrends. As megatendências são rupturas macroeconômicas impulsionadas pela intersecção de duas ou mais forças primárias, como tecnologia, demografia, sustentabilidade e geopolítica.

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