Retorno financeiro é principal motivo para compra de ativos problemáticos

10 jun. 2026

Estudo da EY-Parthenon revela que 40% dos entrevistados buscam descontos elevados e retorno superior nessas carteiras de crédito

Os descontos elevados e o potencial de retorno superior, que podem gerar impacto direto na rentabilidade e na captura acelerada de valor, são, com 40% das respostas, o principal motivador para investimentos em ativos problemáticos, de acordo com o estudo “Panorama do Mercado de Ativos Problemáticos 2026”, produzido pela EY-Parthenon. Na sequência, com 30%, aparece a “maximização do negócio de recuperação de crédito”, o que reforça o caráter estratégico desses ativos, com impacto positivo na escala, eficiência e previsibilidade das recuperações. 

Na terceira posição, com 21% da preferência, os entrevistados indicam a busca por alternativas de investimento e diversificação, o que reflete um movimento de mitigação de riscos, contribuindo para portfólios mais resilientes. Por fim, a oferta recorrente de carteiras, com 9% das respostas, sustenta um fluxo constante de oportunidades, impactando a continuidade das estratégias de alocação.

Os ativos problemáticos reúnem as seguintes características: baixa liquidez, dificultando sua venda ou cessão rápida sem aplicação de deságio; gestão complexa, exigindo conhecimento técnico, jurídico, contábil e operacional para que sejam administrados; e dificuldade de conversão em caixa, o que significa processo lento para gerar retorno financeiro, bem como incerto e dependente de eventos futuros difíceis de prever. Entre os ativos problemáticos estão carteiras de crédito não performadas; carteiras de recebíveis; legal claims; precatórios e títulos judiciais; e carteiras de ativos retomados como garantias.

A pesquisa, realizada entre fevereiro e março deste ano, contou com a participação de especialistas atuantes em venda de créditos (cedentes), compra de créditos (cessionários), estruturação de operações (securitizadoras) e gestão de recursos de terceiros. O perfil dos respondentes indica a relevância das instituições financeiras e demais entidades participantes: 50% com carteiras sob gestão de até R$ 5 bilhões; 36% com carteiras entre R$ 5 bilhões e R$ 30 bilhões; e 12% operando com portfólios superiores a R$ 30 bilhões em ativos problemáticos.

Preferência por ativos associados a empresas

Considerando o universo das carteiras de créditos não performadas, 67% dos respondentes demonstram preferência por ativos associados a pessoas jurídicas, como single name, corporate, middle market e de origem falimentar. Esse movimento, na avaliação do estudo, reforça a tendência de operações com tíquete médio mais elevado. Ainda segundo a pesquisa, 30% dos entrevistados esperam transações entre R$ 50 milhões e R$ 150 milhões nos próximos 12 meses e outros 30% entre R$ 150 milhões e R$ 300 milhões. Já 18% esperam transações acima de R$ 300 milhões. Um grupo menor, de 21%, aponta para transações de até R$ 50 milhões. 

Quando questionados sobre a faixa de desconto médio esperado nos próximos 12 meses, 36% indicam operações com deságio entre 80% e 90% sobre o valor de face, enquanto 9% esperam um desconto entre 95% e 99%; 18% entre 90% e 95%; 18% entre 70% e 80%; e também 18% para abaixo de 70%. Em relação à taxa de retorno esperada nos próximos 12 meses, 38% dos entrevistados apontam para patamar superior a 30%, enquanto outros 38% ficam entre 20% e 30%. Já 16% dos respondentes indicam taxa de retorno entre 10% e 20%, e 9% consideram o retorno inferior a 10%.  

“O cenário econômico é desafiador com a Selic alta há muito tempo. Isso tem criado uma pressão muito forte no orçamento das famílias e no caixa das empresas. O resultado é a elevação da inadimplência de pessoas físicas e jurídicas”, diz Jamiu Antunes, sócio-líder de Estratégia e Transações para Serviços Financeiros da EY-Parthenon. 

Nesse cenário, a cessão de crédito passa a ser mais buscada pelo mercado – nas duas pontas, tanto por parte das instituições financeiras e demais entidades interessadas em vender os ativos problemáticos de suas carteiras quanto por quem busca a aquisição de carteiras de crédito mais rentáveis. “Os resultados do estudo demonstram amadurecimento do setor e abertura a estruturas complexas envolvendo diferentes perfis de risco e agentes. O mercado está se posicionando em operações mais sofisticadas, com foco em ativos corporativos, maior tolerância ao risco e busca por retornos elevados”, finaliza o executivo.

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